RESUMO EXECUTIVO - Abril 2006

A indústria de transformação cearense apresentou sinais de retração de suas atividades em abril, com resultados negativos para todas as variáveis pesquisadas, comparativamente aos números obtidos em março. Assim, foram
registradas, no período considerado, quedas para as vendas, pessoal total empregado, horas trabalhadas e utilização da capacidade instalada. Esse mesmo quadro foi também observado quando comparam-se os números de abril deste ano com abril do ano passado. Entretanto, no acumulado do período de janeiro a abril de 2006, comparativamente a igual período do ano anterior, há uma melhoria nos resultados, anotando-se crescimento nas vendas, tanto para o mercado interno quanto para o externo, nada obstante as variáveis que expressam o comportamento da produção industrial (pessoal empregado e horas trabalhadas) ainda apresentarem resultados negativos.

Essas são as principais conclusões da pesquisa dos Indicadores Industriais de abril, realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará – INDI, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria – CNI.

Em abril, o faturamento da indústria manufatureira estadual registrou uma queda real de 15,30% em relação aos números de março, valendo ressaltar que esse resultado negativo foi observado para todos os gêneros industriais pesquisados. Ademais, essa retração foi anotada tanto para as vendas destinadas ao mercado interno, quanto para o exterior. Entretanto, esse quadro negativo merece algumas qualificações. Em primeiro lugar, essa queda nas vendas não registrou-se apenas para a indústria cearense, a indústria brasileira também vendeu menos em abril (- 11,51%), segundo idêntica pesquisa coordenada pela CNI. Em segundo lugar, esse resultado negativo deveu-se também ao efeito calendário, uma vez que o mês de abril, com a Semana Santa e o feriado de Tiradentes, teve
apenas 18 dias úteis, cinco a menos do que em março.

Seguindo a tendência de redução das vendas, as horas trabalhadas apresentaram, em abril, um declínio de 8,85%, em comparação aos valores observados em março. Igual comportamento foi também anotado para o pessoal total empregado, que teve uma queda de 1,59%, no período sob comentário.

Um outro indicativo de redução das atividades industriais do Estado foi a queda na utilização da capacidade instalada, que alcançou 75,07% em abril, bem abaixo dos índices obtidos em março (81,23%) e em abril do ano passado (77,59%). Cabe esclarecer que, nada obstante essa queda em abril último, a média de utilização dos equipamentos da indústria estadual, nos primeiros quatros meses de 2006, alcançou 78,76%, superando um pouco as médias de igual período de 2005 (76,02%) e de 2004 (76,42%).

Segundo informações fornecidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, as exportações cearenses de produtos industrializados, em abril, alcançaram US$ 51,5 milhões, representando uma queda de 2,83% em relação ao montante vendido em março. Em relação a abril do ano passado houve também uma diminuição, que atingiu 9,15%. Entretanto, no acumulado dos primeiros quatro meses de 2006, foram exportados pela indústria cearense US$ 220,0 milhões, valor que supera em 4,31% o montante vendido em igual período do ano passado.

Conforme já comentado, a comparação dos números de abril de 2006 com abril de 2005 também mostra um panorama negativo para a indústria manufatureira cearense, quando todas as variáveis pesquisadas registraram variações negativas. Entretanto, esse resultado carece de uma explicação adicional e mais uma vez está relacionada com o efeito calendário, valendo recordar que abril de 2006 teve dois dias úteis a menos do que abril do ano passado.

De outra parte, no acumulado de janeiro a abril deste ano, em comparação a igual período do ano passado, foi registrado um bom comportamento para a demanda industrial, com aumento nas vendas para os mercados interno e externo. Pelo lado da oferta, ainda persistem sinais negativos, com pequenas quedas para o pessoal total empregado e para as horas trabalhadas, sugerindo que esse relativo descompasso entre demanda e oferta foi solucionado pela redução dos estoques, resultado que abre espaço para ampliações na produção industrial do Estado para os próximos meses.



VALOR TOTAL DAS VENDAS

Em abril, o faturamento da indústria manufatureira estadual registrou uma queda real de 15,30% em relação aos números de março, valendo ressaltar que esse resultado negativo foi observado para todos os gêneros industriais pesquisados. Ademais, essa retração foi anotada tanto para as vendas destinadas ao mercado interno, quanto para o exterior. Entretanto, esse quadro negativo merece algumas qualificações. Em primeiro lugar, essa queda nas vendas não registrou-se apenas para a indústria cearense, a indústria brasileira também vendeu menos em abril (- 11,51%), segundo idêntica pesquisa coordenada pela CNI. Em segundo lugar, esse resultado negativo deveu-se também ao efeito calendário, uma vez que o mês de abril, com a Semana Santa e o feriado de Tiradentes, teve apenas 18 dias úteis, cinco a menos do que em março.

Cabe informar que esse mesmo quadro de redução das vendas também se repetiu na comparação dos números de abril de 2006 contra abril de 2005, quando registrou-se um declínio real de 8,43%. Mais uma vez, a quase totalidade dos gêneros industriais pesquisados acusou diminuição real no faturamento, exceção feita apenas para o ramo de minerais não metálicos, que registrou aumento de vendas e para as outras indústrias. Conforme já comentado, esse resultado negativo pode ser explicado, em parte, pelo efeito calendário, com o mês de abril do corrente apresentando dois dias úteis a menos do que o mesmo mês do ano passado.

De qualquer forma, no acumulado dos quatro primeiros meses de 2006, comparativamente a igual período do ano passado, o resultado do faturamento da indústria manufatureira cearense foi positivo, registrando-se um crescimento real de 2,00%, com aumentos elevados para as vendas das indústrias de minerais não metálicos, têxtil, metalúrgica e em menor intensidade para a indústria de produtos alimentares. Nada obstante, foram registradas reduções de vendas para as indústrias química, calçados e vestuário.





PESSOAL EMPREGADO

Seguindo a tendência de declínio das vendas, o pessoal total empregado na indústria manufatureira cearense apresentou, em abril, uma redução de 1,59%, comparativamente aos contingentes observados em março. À exceção da indústria de minerais não metálicos, que registrou aumento no pessoal total empregado, todas as demais indústrias pesquisadas acusaram redução nessa variável.

Esse mesmo quadro de redução no emprego industrial também foi verificado na comparação abril/2006 contra abril/2005, quando foi observado um declínio de 1,71%. Nesse período sob análise, apresentaram diminuições nos efetivos de mão-de-obra as indústrias química (- 13,30%), calçados (- 6,27%), produtos alimentares (- 5,96%) e vestuário (- 4,89%). Por outro lado, foram anotados aumentos no pessoal empregado para as indústrias metalúrgica (+ 8,62%), minerais não metálicos (+ 3,26%) e outras indústrias (+ 13,90%).

No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, contra igual período do ano passado, os resultados negativos para o emprego industrial também se repetiu, quando houve um declínio de 0,79%. Essa redução foi influenciada pelos
decréscimos no emprego observados para as indústrias química (- 10,76%), calçados (- 7,02%), produtos alimentares (- 5,60%) e vestuário (- 5,16%). Nada obstante, houve aumento no pessoal empregado nas indústrias metalúrgica (+ 10,29%), têxtil (+ 7,75%) e minerais não metálicos (+ 2,10%).





HORAS TRABALHADAS NA PRODUÇÃO

Em abril, o volume de horas trabalhadas na produção da indústria manufatureira cearense acusou uma redução de 8,85%, comparativamente aos números observados em março. Contribuíram para esse resultado as diminuições
registradas pelas indústrias de calçados ( - 11,47%), vestuário (- 10,93%), metalúrgica (- 7,12%), produtos alimentares (- 4,38%) e têxtil (- 1,33%). Esse declínio nas horas trabalhadas foi explicado, em parte, pelo menor número de dias úteis trabalhados em abril, e também pela própria redução nas vendas. Nada obstante, foram observados aumentos nas horas trabalhadas pelas indústrias química (+ 13,44%) e minerais não metálicos (+ 1,08%).

Em relação a abril do ano passado, também houve diminuição nas horas trabalhadas, que alcançou 4,65%. Mais uma vez, o efeito calendário também é chamado para explicar parte desse declínio, uma vez que o mês de abril deste ano
contou com dois dias a menos do que idêntico mês do ano passado.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2006, comparativamente a igual período do ano passado, também registrou-se uma leve redução nas horas trabalhadas (- 1,43%), resultado que foi influenciado pelos declínios observados nessa variável para as indústrias de calçados (- 9,78%), vestuário (- 8,62%), produtos alimentares (- 4,27%) e têxtil (- 4,13%). Vale mencionar, entretanto, que foram registrados aumentos nas horas trabalhadas pelas indústrias metalúrgica (+ 49,68%), química (+ 25,14%) e minerais não metálicos (+ 3,54%).



UTILIZAÇÃO DA CAPACIDADE INSTALADA

Em abril, o índice de utilização da capacidade instalada da indústria manufatureira cearense atingiu 75,07%, um pouco abaixo dos valores registrados em março (81,23%) e em abril do ano passado (77,59%). Cabe esclarecer que, nada
obstante essa queda em abril último, a média de utilização dos equipamentos da indústria estadual, nos primeiros quatros meses de 2006, alcançou 78,76%, superando um pouco as médias de igual período de 2005 (76,02%) e de 2004 (76,42%).

Os principais destaques, em abril, ficaram por conta dos índices de uso das máquinas das indústria têxtil (88,78%), metalúrgica (79,30%), produtos alimentares (78,45%) e calçados (75,41%).



Tabela 7
Ceará - Evolução de Variáveis Selecionadas da Indústria de Transformação

Sumário Metodológico

As informações aqui apresentadas resultam de levantamento feito em oito setores de maior representatividade da indústria de transformação cearense. Executa-se mensalmente, utilizando um plano de cobertura amostral correspondente ao mínimo de 50% do número de empregados da indústria, segundo o cadastro da RAIS. Foram escolhidas variáveis relacionadas com a atividade produtiva e comercial das empresas.

Neste boletim, estamos apresentando o agregado da indústria de transformação referente ao mês de abril de 2006. As informações aqui apresentadas são passíveis de modificações, posteriormente, caso se registrem alterações nos dados fornecidos pelas empresas pertencentes à amostra. Os índices aqui reproduzidos são deflacionados pelo Índice de Preços no Atacado, conceito Oferta Global - IPA/OG, Indústria de Transformação, produzidos pela Fundação Getúlio Vargas, para valores comerciais, e pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, para a Região Metropolitana de Fortaleza, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE, para os custos da mão-deobra.