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Setor acumula perda anual de 3,2%, até novembro

O desempenho da indústria brasileira, em novembro, voltou a apresentar saldo negativo, tanto na comparação anual, como nos acumulados em 12 meses, até o penúltimo mês de 2014. Conforme informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ontem, a produção da indústria caiu 0,7% de outubro a novembro – resultado que representa uma piora frente ao mês anterior, quando houve uma leve alta de 0,1%. A perda de novembro é a mais intensa na comparação mensal desde junho do ano passado, quando o setor registrou recuo de 1,7%.

Em relação a novembro de 2013, houve retração de 5,8%. Com o resultado, a produção industrial acumula queda de 3,2% no ano, mantendo a trajetória descendente iniciada em março de 2014 (2%). Em 12 meses, o índice também é negativo em 3,2%, taxa que representa a maior perda para o período desde janeiro de 2010 (quando caiu 4,8%). Naquela época, a indústria ainda não havia se recuperado da crise mundial de 2009, que abateu o consumo e os investimentos no País.

Com o ritmo atual, é praticamente certo que o setor industrial fechará o ano com o mais fraco desempenho desde 2009, quando o recuo foi de 7,1%. O acumulado em 12 meses já supera a perda de todo o ano de 2012 (2,3%) e dificilmente o resultado de dezembro irá mudar essa situação.

 

COMPORTAMENTO

Pelos dados do IBGE, os resultados negativos foram observados em três das quatro grandes categorias econômicas e em 11 dos 24 ramos pesquisados, na passagem de outubro para novembro. A forte queda no mês foi ditada pela retração dos setores de produtos alimentícios (3,4%), derivados de petróleo e biocombustíveis (1,1%), equipamentos de informática e eletrônicos (4%), metalurgia (1,9%) e indústria extrativa (0,7%). Por outro lado, o bom desempenho de ramos como produtos diversos (11,9%), veículos (1,2%) e farmacêutico (3,6%) afastaram a possibilidade de uma retração ainda maior.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês anterior, bens de consumo duráveis e bens de consumo semi e não-duráveis (recuos de  2,1% e 1,3%, respectivamente) assinalaram as quedas mais acentuadas, com ambas apontando dois meses seguidos de resultados negativos, período em que acumularam perdas de 3,6% e 1,8%. O segmento de bens de capital, com variação negativa de 0,2%, também registrou queda na produção e interrompeu dois meses consecutivos de taxas positivas, período em que acumulou expansão de 1,0%. O setor produtor de bens intermediários repetiu, em novembro de 2014, o patamar do mês anterior e mostrou variação nula pelo segundo mês seguido.

 

MAIS PERDAS

Já no índice acumulado para os 11 meses de 2014, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou queda com perfil disseminado de taxas negativas, alcançando as quatro grandes categorias econômicas, 19 dos 26 ramos, 61 dos 79 grupos e 63,7% dos 805 produtos pesquisados. Entre os setores, o principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (17,3%), seguido por setores de produtos de metal (11,1%), metalurgia (7,1%), máquinas e equipamentos (5,6%), outros produtos químicos (4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,5%), produtos de borracha e de material plástico (4,2%) e produtos alimentícios (0,9%). Por outro lado, entre as sete atividades que ampliaram a produção, as principais influências foram observadas em indústrias extrativas (5,4%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,7%).

Por fim, entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para o índice acumulado nos 11 meses de 2014 mostrou menor dinamismo para bens de consumo duráveis e bens de capital (com recuos de 9,1% e 8,8%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de automóveis (15,0%), na primeira, e de bens de capital para equipamentos de transporte (16,5%), na segunda. Os segmentos de bens intermediários (2,9%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (0,1%) também assinalaram resultados negativos no índice acumulado no ano, mas ambos com queda menos intensa do que a observada na média nacional (3,2%).

Eficiência industrial é 6,8% inferior a 2013

Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, a indústria mostra um desempenho mais fraco neste ano e opera num nível 6,8% inferior ao seu recorde de produção, em volume, atingido em julho de 2014. “A cada mês o setor se afasta mais desse patamar”, destacou. Dentre os motivos para o esfriamento do ritmo de atividade industrial, diz Macedo, estão o acúmulo de estoques em importantes setores, como veículos, e consumidores e empresários mais pessimistas com o cenário econômico --o que posterga decisões de compras e investimentos.

Para se ajustar à demanda mais fraca, a indústria pisou no freio e cortou a produção a fim de evitar mais estoques indesejados, afirma o gerente. De acordo com Macedo, algumas empresas já adotaram medidas como demissões, corte de turnos, suspensão de contratos de trabalho ou férias coletivas para lidar com a conjuntura desfavorável.

Ao comentar sobre a principal influência para a queda na produção em novembro, o especialista do IBGE, aponta que a queda na produção de alimentos foi puxada pela menor fabricação de açúcar. “As condições climáticas não estão favoráveis nas regiões Centro-Oeste e Sul para a cultura da cana-de-açúcar. São Paulo também não vem apresentando um clima favorável. A safra de cana está menor, a produtividade está menor”, afirmou André Macedo. Segundo ele, os problemas na safra de cana-de-açúcar também reduziram a produção de etanol. Com isso, a atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustível teve queda de 1,1%. Outro fator que contribuiu para o recuo na produção de alimentos foi a carne bovina.

Fonte: Jornal O Estado

09.01.2015



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