Sindicouros
Noticias

Indústria do CE preocupada com novo cenário econômico

Para o próximo ano, a expectativa de 0,8% para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), divulgado na última semana, vem despertando preocupação de muitos, senão todos, os segmentos da economia. E, não diferentemente disso, a indústria cearense também está atenta ao que poderá acontecer com um dos principais setores da economia nacional. Isso porque, no final do ano passado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou que este ano a economia do Brasil deveria crescer 4,2%, mas o que deve ocorrer, segundo os números que vêm sendo apresentados.

O presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC), empresário José Dias Vasconcelos Filho, informou ao jornal O Estado que o Brasil atravessa um momento muito delicado, diante da crescente inflação e altas taxas de juros – cujas projeções de economistas para a taxa Selic é que alcance 12,5%, no ano que se aproxima. “Não dá pra celebrar muito neste momento por outro lado, outro ponto que está pegando diz respeito ao déficit que teremos que reduzir, se não quisermos ser rebaixados internacionalmente no ano que vem”, observa, com preocupação, o dirigente.

TENDÊNCIA

Ao falar sobre o comportamento da indústria cearense, nesse futuro próximo, o empresário acredita que o Ceará não terá resultado diferente do restante do País, apesar que, atualmente, os números estão sendo favoráveis ao Estado. “Afinal de contas, crescemos mais de 3% no segundo trimestre deste ano, em comparação ao do ano anterior, enquanto que o Brasil não chegou a 1% no mesmo período”, ressaltou Vasconcelos.

Contudo, segundo o empresário, vários fatores podem interferir para um melhor resultado no próximo ano. “Se o inverno for muito bom, provavelmente nos sairemos bem - uma vez que o agronegócio foi o nosso grande herói, apresentando o melhor desempenho entre todas as atividades, com crescimento de mais de 52%, sendo que o acumulado do ano e nos últimos quatro trimestres foi superior a 24% -, seguido do setor de serviços que apresentou 3% de crescimento, enquanto que a indústria ficou na “lanterna” com retração de mais de 4% no segundo trimestre”, avalia o empresário.

OTIMISMO

Apesar dos problemas e baixas perspectivas, José Dias está muito otimista com as novas indicações para a nova equipe econômica. “Acho que a presidente mandou muito bem, mas terá muitos desafios pela frente”, ponderou o dirigente. “A minha grande preocupação é por conta da ingerência política – que foi muito comum –, no primeiro mandato do atual governo. Se não tivermos essa interferência, poderemos ver a luz no final do túnel”, enfatizou.

“A sintonia do governador Camilo Santana com o governo federal, pelo fato de serem do mesmo partido, poderá trazer os recursos e o apoio necessários para superar as barreiras que encontraremos à frente”, acredita Vasconcelos. Segundo ele, as obras estruturantes, iniciadas pelo atual governo e as que estão sob responsabilidade da União, se concluídas - como a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, “somadas a tão decantada Refinaria, além da conclusão da Companhia Siderúrgica do Pecém poderá transformar o Ceará em um oásis, uma ilha da prosperidade, como o setor produtivo e a sociedade tanto sonha”, asseverou.

Para ele, o governo precisa de caixa para tocar os investimentos, “mas o cofre está vazio”. Por conta disso, “está ávido por receita”, ressaltou. “Vai tentar ressuscitar a CPMF e aumentar o IPI sobre veículos, voltando às alíquotas do passado, e deverá reduzir ou eliminar todos os incentivos fiscais. Otimista, imagino uma boa saída, se o governo for célere e reduzir a indesejada burocracia que paralisa e engessa as empresas, o resultado já seria de bom tamanho”, endossou o presidente do CIC.

ALTERNATIVAS

Ao responder sobre o que deveria ser feito para melhorar o cenário econômico e o segmento industrial, ele destaca que a reforma tributária poderia ser uma saída, “mas já não acredito mais nisso”, pontuou. “Seria de bom alvitre reduzir o Custo Brasil para a melhoria da competitividade do setor industrial, pois a participação da indústria na nossa economia tem diminuído a cada dia. Praticamente, estamos sobrevivendo de commodities e muito pouco de produtos de base tecnológica”, reclama o empresário.

Vasconcelos lembra que o presidente da Fiec, Beto Studart, apresentou a “Carta da Indústria” ao futuro governador Camilo Santana, que, se seguida em sua totalidade ou em parte, “o segmento produtivo terá o oxigênio necessário para superar esse momento difícil que imaginamos ter pela frente. Caso contrário, iremos usar de toda a nossa criatividade e astúcia para superar essa crise”, finalizou.

AJUSTES NA ECONOMIA PODEM AJUDAR CRESCIMENTO

Já o presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação da Fiec, o economista Fernando Castelo Branco, analisando o desempenho da economia cearense, em 2014, foi desafiador para o setor industrial, principalmente pela elevação da participação dos importados, em um ano que o consumo parou de crescer e houve redução da oferta de crédito. Já o ano de 2015 deverá caracterizar-se por ajustes na economia e pode marcar o início de uma retomada do crescimento econômico – o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer em torno de 1% –, motivado, principalmente, pelo desempenho do setor industrial. “No final de 2015, caso haja estabilidade dos cenários econômicos internacionais e implantação de políticas de austeridade fiscal no Brasil, podemos imaginar uma trajetória mais expressiva de crescimento nos anos seguintes”, disse Castelo Branco.


Ele lembrou que a escolha da equipe econômica foi bem recebida pelo mercado, tendo o setor produtivo aprovado as mudanças ministeriais feitas pelo governo federal. Mas ressaltou que ela deve ter a autonomia necessária, pois, assim, será possível prever maior crescimento econômico e, o que é mais importante, de forma sustentável, uma vez que ocorrerá conjuntamente com responsabilidade fiscal. Sobre os setores que poderão sem impactados, disse que dependerá dos pontos em que haverá maior corte de gastos e do volume e direcionamento dos investimentos públicos. “O setor industrial se beneficiará da ampliação dos investimentos que contribuírem para a redução dos custos de produção, como, por exemplo, aqueles relacionados à infraestrutura. A redução desses custos é imprescindível para o aumento da competitividade da indústria brasileira”, destacou o economista da Fiec.

E ressaltou que a austeridade fiscal é benéfica para todos os setores, a longo prazo, garantindo continuidade dos fluxos de investimento externo e a recuperação da confiança do empresariado brasileiro com as decisões econômicas do País, refletindo-se em maiores investimentos privados e continuidade do ritmo de expansão dos empregos. “Devem ser acentuadas as políticas em prol da competitividade de nossa indústria. E, nisso, os entraves da indústria cearense são similares à nacional: excesso de burocracia, alta carga tributária, pouca flexibilidade nas relações de trabalho e infraestrutura de má qualidade, impactando diretamente na competitividade do produto nacional. Também existem pontos essenciais para alcançarmos o desenvolvimento econômico, como a necessidade de qualificar nosso capital humano, além de estímulos à inovação tecnológica”, completou Castelo Branco.

Fonte: O Estado do Ceará

09/12/20104



Voltar