Redação
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Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará
Ano 3 - Edição 28 - setembro de 2009
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O perigo das mudanças climáticas 
Pesquisadores preveem que o maior impacto será o aumento da fome em função da diminuição da produção de grãos, especialmente entre as grandes regiões produtoras - Austrália, Argentina, Brasil e regiões temperadas da Europa 

Estudo divulgado em julho pela Oxfam Internacional, grupo que reúne organizações não-governamentais (ONGs) contra a pobreza mundial, aponta que os ganhos obtidos pelos países mais pobres nos últimos 50 anos podem ser perdidos totalmente – e de forma irreparável – por causa das alterações climáticas. O relatório se baseia nas respostas de dezenas de cientistas que colaboram com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o IPCC concentra uma elite de 2.500 pesquisadores de mudanças climáticas em 185 países. Esse comitê, formado em 1988, atualiza as informações sobre o clima e suas consequências, avaliando milhares de estudos e deles extraindo o que há de consenso científico.

Para esses pesquisadores, o maior impacto será o aumento da fome em função da diminuição da produção de grãos, especialmente entre os grandes países produtores – Austrália, Argentina, Brasil – e regiões temperadas da Europa. Mas seriam mais graves na região tropical, onde vive a maior parte das pessoas que se dedicam à agricultura de subsistência. Com as alterações sofridas na zona tropical, plantações de culturas-chave na alimentação humana, especialmente milho e arroz, estarão em risco. Segundo a Oxfam, dois terços do um bilhão de pessoas que se encontram na pobreza no mundo vivem nas zonas rurais dos países em desenvolvimento.

Ao lado da segurança alimentar, o acesso à água é outra questão urgente. “A falta desse recurso tem o potencial de gerar conflitos, especialmente em torno dos rios Indo, Nilo e Tigre-Eufrates, além de estimular migrações de populações empobrecidas”, alertam os cientistas ouvidos pela Oxfam. Esse diagnóstico é ratificado por um estudo do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA, que analisou os 925 principais rios do mundo. Baseado em 60 anos de registros, ele projeta que um terço deles será afetado significativamente pelas mudanças climáticas.

O Greenpeace aumentou o alerta para o derretimento das calotas polares, que podem derreter completamente por volta de 2030. Segundo Francesco Tedesco, responsável pela campanha Energia e Clima da entidade, se a temperatura do planeta aumentar mais que dois graus centígrados, entre 20% e 30% das espécies correrão risco de extinção.

O Greenpeace ressalta que a extinção em massa das espécies vivas é só um dos efeitos apontados pela comunidade científica internacional das mudanças climáticas. “Se continuar assim, no futuro não seremos invadidos por ursos polares sem-teto de mentira, mas por milhões de refugiados ambientais”, prevê o ativista, que alerta: “As mortes no mundo por conta das mudanças climáticas são cerca de 300.000 por ano e os refugiados ambientais podem subir a 700 milhões até 2050”.

América Latina

Apesar de a contribuição latino-americana para a emissão de gases do efeito estufa, relacionada com o aumento da temperatura média do planeta, ser de apenas 10%, a região é uma das mais expostas às mudanças climáticas, especialmente  em rincões do México à Patagônia. Recentemente, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), com sede em Santiago, avisou que as previsões apontam para uma vulnerabilidade ainda maior da região caso continue a avançar o processo de deterioração dos sistemas naturais.

Segundo Gustavo Nagy, oceanólogo uruguaio membro do IPCC, o derretimento das geleiras com milhares de anos na cordilheira dos Andes e das calotas polares contribui para uma elevação do nível do mar que promete provocar graves transtornos na biodiversidade e na geopolítica latino-americanas. “As zonas úmidas, onde metade das aves migratórias do Uruguai pousa em algum momento de sua vida, vão desaparecer se o mar elevar-se 25 centímetros. Estamos falando de algo que nós mesmos talvez vejamos, e não os nossos netos”, afirma Nagy.

A Comunidade Andina das Nações (CAN) estima que as mudanças climáticas podem provocar, a partir de 2015, a perda de 300 milhões de dólares anuais para seus integrantes, ou cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Colômbia, do Peru, do Equador e da Bolívia.
 
Brasil

Considerando estudos recentes que apontam os possíveis impactos de um aumento de temperatura entre 2 e 5 graus Celsius no país, tem se afirmado que a geografia brasileira terá mudanças drásticas até o fim do século. As ameaças mais graves são à agricultura, o desaparecimento de boa parte dos cardumes de nossa costa e a desertificação do Nordeste. Além disso, o litoral das regiões Sul e Sudeste poderia entrar na rota de furacões.

Para os cientistas, os impactos na agricultura são as consequências mais alarmantes do aquecimento global. Se o aumento de temperatura for de 5 graus Celsius, a produção agrícola brasileira perderia mais da metade de sua área cultivável; algumas lavouras, como a do café, desapareceriam do mapa. Com aumento de até 3 graus, o mais provável, o país também perderia muitas áreas cultiváveis. A da soja seria reduzida dos atuais 3,3 milhões de quilômetros quadrados para 2,2 milhões. O plantio ficaria restrito a algumas áreas na Amazônia, comprometendo drasticamente o potencial alimentar do Brasil, que ainda tem uma das maiores áreas cultiváveis do planeta.
 
Tolerância zero

Para evitar os efeitos catastróficos da mudança climática, as emissões mundiais de carbono terão de cair a quase zero até 2050 e “ficar negativas”, depois disso, afirma o relatório divulgado pelo Instituto Worldwatch. O corte é mais profundo que o defendido pela maioria dos ambientalistas e governantes, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, que defende um corte de 80% nas emissões americanas até meados do século.

A limitação das emissões de carbono visa impedir que as temperaturas médias globais subam além de 2ºC acima das registradas antes da Revolução Industrial. Mas um dos autores do relatório State of the World 2009 (O Estado do Mundo em 2009) considera até mesmo esse limite muito perigoso. Segundo William Hare, “o aquecimento global precisa ser reduzido dos níveis máximos para 1ºC o quanto antes. Só assim, poderemos ver alguns riscos desaparecerem”.

Hare afirma que as emissões de gases do efeito estufa pela humanidade teriam de atingir o nível máximo em 2020 e cair 85% abaixo dos níveis de 1900 por volta de 2050, e continuar caindo depois disso. Ele diz que as emissões de dióxido de carbono precisarão “ficar negativas”, com mais da substância sendo absorvida que emitida, na segunda metade do século. Hare acrescenta que o papel de cortar as emissões deve recair mais sobre os países ricos: o percentual ideal é de 90% até 2050.
 
Metas insuficientes

Contudo, se depender da vontade dos países industrializados, o ar deve continuar poluído por um longo tempo. Isso porque as promessas das nações industrializadas de cortes de emissões do gás do efeito estufa até 2020 estão muito aquém das reduções profundas amplamente defendidas para enfrentar o aquecimento global, dizem os ambientalistas. A Rússia, por exemplo, o terceiro maior emissor do gás do efeito estufa, principalmente por causa da queima de combustíveis fósseis, afirmou, recentemente, que até 2020 irá fazer uma redução de 10% a 15% em relação aos níveis de 1990.

Os cortes totais de emissões de nações industrializadas, antes da reunião que deve formalizar em dezembro um novo pacto da ONU sobre clima, em Copenhague, agora se situam em média entre 10% e 14% em relação aos níveis de 1990. “Em seu conjunto, são metas muito fracas”, afirma Knut Alfsen, diretor de pesquisa do Centro para Pesquisa Internacional em Ambiente e Clima, em Oslo.
Knut explica que o compromisso da Rússia significa, na prática, um aumento em relação aos níveis atuais, já que suas emissões estão mais de 30% abaixo dos níveis de 1990, reduzidas fortemente pelo colapso da União Soviética e de sua poluente indústria pesada. Watson diz que esperava que a Rússia fixasse para 2020 uma meta de corte de 30%.

A média dos planos de cortes até 2020 - incluindo as dos Estados Unidos, União Europeia e Japão - ficou bem aquém de uma variação de 25% a 40% abaixo dos níveis de 1990, estimada pelo IPCC para evitar os piores efeitos do aquecimento global, como mais secas severas, inundações, elevação do nível dos mares, tempestades muito fortes e perdas na produção de alimentos.

Nações emergentes, lideradas pela Índia e China, querem que os países industrializados cortem pelo menos 40% - alegando que as evidências de mudanças no clima estão ficando mais fortes - como compensação para que os mais pobres comecem a agir para coibir suas crescentes emissões. Eles argumentam que as nações desenvolvidas são historicamente responsáveis pela maior parte das emissões.

O mapa da fome

Pesquisa do Programa de Segurança Alimentar e Meio Ambiente da Universidade Stanford (EUA), coordenado por David Lobell, e publicado na revista Science, afirma, categoricamente, que as mudanças climáticas (ondas de calor mais intensas, aliadas a períodos chuvosos cada vez mais incertos) prejudicarão nos próximos 20 anos a produtividade de culturas importantes para a alimentação humana em algumas das áreas mais pobres do mundo.

O trabalho, que serve de guia para governos e organizações internacionais direcionarem investimentos na adaptação da produção agrícola à mudança climática, diz que “...o planeta ficará irreconhecível nas próximas décadas...fome, sede, miséria, inundações, furacões mais intensos, ondas de calor, extinção de espécies e da biodiversidade...”

Os pesquisadores focalizaram 12 regiões onde, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), vive a maior parte da população desnutrida do mundo. As áreas abrangem grande parte da Ásia, a África Subsaariana, o Caribe, a América Central e do Sul e têm 825 milhões de pessoas desnutridas, 95% do total mundial.

Os autores analisaram 20 modelos teóricos sobre os efeitos do aquecimento global e concluíram que, até 2030, a temperatura média na maioria dessas regiões terá, de fato, aumentado 1°C, enquanto as chuvas sazonais em alguns locais, como sul da Ásia, sul da África e Brasil, poderão diminuir. A redução mais intensa de chuvas é prevista para o sul da África, chegando a 10% em 2030.

A equipe de Lobell combinou essas projeções com dados sobre a relação observada entre o clima e cada tipo de cultivo – como soja, arroz, cana-de-açúcar, milho, sorgo, trigo e cevada – e a relevância dessas culturas para a alimentação das populações mais pobres a partir de um “ranking de importância para a fome” (HIR, na sigla em inglês).

A análise revelou duas zonas críticas: sul da Ásia e sul da África. A principal cultura do sul da África, o milho, com um HIR “muito importante”, poderá sofrer perdas de mais de 30% nas próximas duas décadas. No caso do Brasil, as maiores perdas previstas, de 15%, afetariam as culturas de trigo e soja. Isso ocorreria no mesmo prazo, mas com probabilidade menor que no caso africano.  Atualmente, o número de pessoas acometidas pela fome, gira em torno de 800 milhões de pessoas.

Principais impactos do aquecimento global no Brasil






Mensagem do Presidente
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No dia 14 deste mês de março vivenciamos um fato inédito na história da nossa Federação. Esta data ficará na nossa lembrança como a culminância de um processo iniciado de forma tensa em 2006 e que agora se consolida com a união através do voto aberto, expressa na eleição da nova Diretoria, por aclamação por cada um e por todos os 39 sindicatos que compõem o Sistema FIEC.



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