Redação
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Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará
Ano 4 - Edição 40 - setembro de 2010
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Publicada em 28.09.2010

Brasil/Coreia do Sul

FÓRUM BRASIL/COREIA DO SUL
Aceno ao futuro
 
Estão consolidados parceria comercial para a produção e exportação de etanol do Brasil à Coreia, criação de novas linhas de financiamento e intercâmbio entre estudantes universitários coreanos e brasileiros 
 
O Ceará entrará para história como o estado brasileiro que sediou a guinada nas relações bilaterais entre Brasil e Coreia do Sul. E a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), anfitriã do 5º Fórum Brasil/Coreia do Sul, também deixou gravada a sua marca. Em dois dias de encontro entre representantes de governos dos dois países, surgiram embriões de acordos diplomáticos, de cooperação e intercâmbio, financeiros e comerciais traduzidos num relatório que está sendo elaborado e será entregue em novembro aos presidentes dos dois países durante a reunião da cúpula do G-20, na capital sul-coreana, Seul.

Dentre os resultados oriundos do fórum estão uma parceria comercial para a produção e exportação de etanol do Brasil para a Coreia; a criação de novas linhas de financiamento, envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o coreano Eximbank, para fomentar as relações bilaterais entre os dois países, e o intercâmbio entre estudantes universitários coreanos e brasileiros. Nos campos das mudanças climáticas, da agricultura, da indústria aeroespacial e da indústria naval, avanços também serão desencadeados a partir de cooperação internacional. A perspectiva do presidente da Frente Parlamentar Brasil/Coreia e da delegação coreana, Hye Young Won, é que Brasil e Coreia do Sul se tornem um bloco com amplo potencial de crescimento econômico no mercado mundial. A parceria, segundo ele, tende a ser nutrida principalmente pelas diferenças. Para Won, a complementaridade entre os dois países ficou explícita nos dois dias do encontro.

De acordo com o presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, o fato de os dois países se situarem em lados opostos do planeta só reforça o potencial que ambos têm de encontrar soluções bilaterais. Ele cita como exemplo de sucesso a parceria entre as sul-coreanas Posco e Dongkuk com a brasileira Vale do Rio Doce para implementar a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). “Com a siderúrgica, estamos passando para outra fase da industrialização do estado do Ceará”. Em seu balanço sobre o fórum, Roberto Macêdo diz que o evento vai impactar tanto nas relações bilaterais entre os dois governos como, futuramente, nos negócios com o Ceará. “Eu separo esse evento em duas partes. Uma é o propósito oficial de interlocução entre os governos dos dois países para avançar nas relações bilaterais. Isso é um processo lento de ajuste, de acomodação das culturas e dos interesses. A outra parte diz respeito aos negócios. Nesse encontro, foi plantada uma semente para que o Ceará se aproxime mais da Coreia. Mantivemos contatos que vão facilitar as ligações para o desenvolvimento de negócios, incentivando o aumento das exportações em duas mãos”, sublinha Roberto Macêdo.

Eduardo Bezerra Neto, superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), órgão vinculado à FIEC, entende que, embora a tônica do evento seja o diálogo entre os dois governos com o tratamento macro das questões econômicas que envolvem os respectivos países, o Ceará irá se beneficiar com o estabelecimento de regras para reger as relações bilaterais entre Brasil e Coreia do Sul. “Essas regras estão se tornando mais claras a partir deste fórum. E o Ceará se distingue dentre as demais unidades da federação porque foi aqui que se definiram propostas que irão frutificar no futuro em acordos promissores entre Brasil e Coreia”, arremata Eduardo Bezerra.

Para o embaixador da Coreia do Sul, Kyong Lim Choi, o histórico e intenso desenvolvimento tecnológico obtido pelo país nas últimas décadas se deu principalmente por causa do relacionamento estreito entre empresas e universidades. “Embora o Brasil tenha nos últimos anos acelerado o crescimento econômico, para ter sustentabilidade em seu desenvolvimento ele também deve insistir na integração de suas instituições educacionais com o setor industrial”, alerta.

O embaixador coreano afirma que existem muitas áreas de interesse mútuo entre os dois países. Entretanto, as que “renderão frutos imediatos” são a bioenergia, na qual o Brasil se destaca; desenvolvimento da indústria naval e da indústria automobilística, setores nos quais a Coreia do Sul dispõe da tecnologia que falta ao Brasil; e tecnologia da informação (TI) e telecomunicações – as duas áreas poderão cooperar entre si. “O fórum foi uma excelente oportunidade de troca de informações para o desenvolvimento de ambos os países. Tivemos oportunidade de iniciar parcerias entre órgãos públicos e privados e de debater assuntos de interesse mútuo. Esperamos ter antecipado no evento a discussão de assuntos que possam se concretizar durante a reunião do G-20”, estima Kyong Choi.

O presidente da Frente Parlamentar, Hye Won, ressaltou que as visões e propostas estabelecidas no fórum envolvem cooperação alinhada em diversos segmentos, principalmente no âmbito da ciência e tecnologia, alianças estratégicas entre governos e sociedade civil e o intercâmbio cultural entre os dois países. Ele considera que as relações entre Brasil e Coreia do Sul estão hoje num nível superior ao que ocorria em 2005, quando o presidente Lula visitou o país pela primeira vez. Porém, os laços ainda precisam ser estreitados para a prosperidade das duas nações. Os sul-coreanos querem aprofundar o potencial existente entre elas, saindo da perspectiva global para explorar também as potencialidades regionais.

Explica o presidente da comitiva do Itamaraty, embaixador José Jerônimo Moscardo, que o principal interesse do Brasil na Coreia do Sul é descobrir qual o segredo de um país que saiu da condição de pobre, na década de 1960, para se tornar um dos mais bem-sucedidos hoje. Segundo ele, a importância que a Coreia do Sul tem para o Brasil, enquanto exemplo, está na composição da comitiva enviada ao Ceará. “Nunca vi uma delegação do Itamaraty tão nutrida por uma relação internacional. Estão aqui os papas do Itamaraty, enviados pessoalmente pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim”, disse.

Segundo Moscardo, “a Coreia representa um paradigma admirável como potência cultural, que hoje desponta como uma das principais economias mundiais”. O embaixador lembrou que a Coreia fez sua revolução centrada na educação, com desenvolvimento consistente na área filosófica, baseada no respeito ao espírito cívico e às relações humanas. “A Coreia do Sul representa um exemplo e um grande incentivo para que o Ceará junte suas forças e pense grande”, frisou o embaixador, segundo quem o governo brasileiro está disposto a apoiar projetos das mais diversas áreas que ampliem as relações bilaterais com a Coreia. “Temos interesse não só na área diplomática, mas também acadêmica”, acrescentou Jerônimo Moscardo.

A presença de 23 coreanos, entre membros do governo e empresários, no 5º Fórum Brasil/Coreia, dá a dimensão do forte interesse da Coreia do Sul em estreitar laços com o Brasil. Segundo Hye Won, a quinta edição do encontro marcará o início de um novo capítulo nas relações bilaterais entre brasileiros e coreanos. As visões e propostas estabelecidas no fórum mundial devem envolver cooperação mútua em diversas áreas, principalmente no âmbito da ciência e tecnologia, alianças estratégicas entre governos e sociedade civil e o intercâmbio cultural entre os dois países. Esses, segundo ele, são os principais objetivos do encontro.

Representando o governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes, o presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede), Ivan Bezerra, observou que já existiam relações comerciais consistentes entre Coreia e Ceará, antes da CSP. Como exemplo, citou a Aço Cearense, que é importador há anos. No setor têxtil, falou de sua experiência na Têxtil Bezerrra de Menezes (TBM), que também importa dos coreanos. Sem se ater a detalhes, Ivan Bezerra suscitou a possibilidade de parceria entre Ceará e Coreia no contexto da indústria automobilística, cooperação acadêmica, turismo e energias renováveis. Em relação à CSP, ele reforçou o efeito da parceria. “A siderúrgica causará um impacto de 42% no Produto Interno Bruto (PIB) industrial cearense.” No final do evento, Ivan Bezerra leu uma carta do ministro Celso Amorim endereçada a Cid Gomes, na qual destacou entre as perspectivas promissoras nas relações bilaterais a ampliação da cooperação acadêmica e das ciências e tecnologias.

Grupo dos sábios

O Fórum Brasil-Coreia do Sul foi criado pelos presidentes dos dois países durante a visita de Lula àquele país em maio de 2005. A declaração conjunta emitida naquela ocasião atribuiu aos seus participantes a função de examinar as relações bilaterais, explorar novas oportunidades e propor medidas para aprofundar a cooperação entre os dois países. Nesse sentido, o fórum foi considerado por seus defensores como uma espécie de “grupo dos sábios” encarregado de formular sugestões sobre o futuro das relações bilaterais. Durante o encontro de 2005, em Seul, foi acordado que o fórum se reuniria alternadamente em cada país, com o objetivo de preparar sugestões aos dois chefes de governo.

Um dos grandes do bloco asiático

Com aproximadamente 50 milhões de habitantes e 99 016 quilômetros quadrados de extensão territorial, a Coreia do Sul é pouco maior do que o estado de Pernambuco (98 311 quilômetros quadrados). Mas em razão do seu desenvolvimento econômico e industrial, iniciado na década de 1970, tornou-se rapidamente um dos principais países do bloco asiático, com crescimento em média de 9,1% ao ano entre 1980 e 1983, e 6% ao ano até 1997. Isso foi possível graças ao forte investimento no setor educacional, saneamento e saúde, que mudou a realidade de uma colônia pobre do Japão (1910-1945) e depois de um país destruído pela guerra da divisão entre as duas Coreias (1950-1953), tornando-se hoje um país com alguns dos maiores indicadores sociais do mundo.

Relações diplomáticas

As relações diplomáticas entre o Brasil e a Coreia do Sul foram estabelecidas em outubro de 1959, tendo sido o Brasil o oitavo país do mundo e o segundo latino-americano (o primeiro foi o Chile) a reconhecer oficialmente a Coreia como nação independente. No ano de 1965, o Brasil estabeleceu sua embaixada em Seul e, em 1967, designou seu primeiro representando oficial naquele país, o embaixador Bartel Rosa. Antes disso, em 1962, a Coreia do Sul instalou no Rio de Janeiro sua primeira embaixada na América Latina e a 13ª no mundo.

Em 1970, em virtude do aumento da demanda de serviços por imigrantes coreanos, a Coreia do Sul instalou em São Paulo o seu Consulado Geral. A partir dos anos 1990, porém, é que a relação entre os dois países se fortalece com a troca de visitas entre os presidentes. De 1996 para cá, ocorreram quatro visitas. Nesse sentido, a relação bilateral apresenta grandes oportunidades. “O Ceará representa 0,01% do comércio com a Coreia. Se temos agora uma siderúrgica em construção, as expectativas são excelentes”, considera o ministro-chefe da Divisão da Ásia e Oceania II do Ministério das Relações Exteriores, Francisco Mauro Brasil. O total das exportações do Ceará para a Coreia do Sul contabilizou US$ 48,89 milhões no ano passado, valor cinco vezes maior que em 2008 (US$ 8,31 milhões). Os principais produtos exportados pelo estado em 2009 foram couros bovinos, ceras e calçados. O montante responde por apenas 0,1% do total das exportações cearenses.



Francisco Mauro reforça que Brasil e Coreia do Sul têm subaproveitado as oportunidades entre os dois países. “No campo das energias renováveis, o Brasil tem grande competitividade, enquanto a Coreia tem carência nessa área”, exemplifica. Para ele, o grande milagre sul-coreano na educação deve ser entendido e acompanhado pelo Brasil. Segundo o ministro, o Brasil pretende intensificar a aproximação dos centros de investigação científica dos dois países. No setor comercial, o foco será mudar a pauta de exportações entre os dois mercados, que hoje é composta de produtos primários, passando a investir em exportações de maior valor agregado.

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