17.08.2012

Energia

Mercado livre oferece redução de custos para a indústria

Cerca de 28% da energia total comercializada no Brasil já é um produto vindo do chamado mercado livre de energia, ambiente em que os consumidores, sejam eles grandes ou médios, podem escolher seus fornecedores do insumo. O assunto foi discutido na última sexta-feira, 17/8, durante a caravana do movimento 2012 – Ano do Mercado Livre de Energia, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC).

 

Com a palestra Energia Elétrica: a opção do mercado livre, a gerente de Estudos e Gestão de Energia da Andrade & Canellas Energia, Alexandra Januário, empresários do setor industrial conheceram as vantagens de se tornar um consumidor livre.

 

Conforme Alexandra, um quarto do consumo brasileiro já está no mercado livre, formado basicamente de grandes e médios industriais. Esses consumidores têm a opção de escolher o seu fornecedor de energia, não necessariamente do mesmo estado.

 

“Os benefícios são em média uma redução entre 10% e 20% no custo de energia para as fábricas. A energia é um dos insumos mais caros da produção industrial e o preço desse custo de energia depende do processo de produção da empresa. Em uma indústria eletrointensiva, produtora de alumínio ou indústria química, pode representar mais de 50% de seu custo”, disse Alexandra.

 

O consultor da FIEC para a área de energia, Jurandir Picanço, destaca que custo de energia é muito elevado em todo o país em função de inúmeros encargos impostos, que são acrescidos ao custo de energia. “Isso é um fato generalizado. Dentro desse panorama, existem algumas alternativas, como o mercado livre, que permite que alguns consumidores escolham seu fornecedor de energia. Naturalmente, essa escolha é fundamentada no preço competitivo”, destaca.

 

“É mais uma opção que permite ao empresário a redução do seu custo, evidentemente é necessário fazer um estudo”, diz. No Ceará, conforme Picanço, algumas indústrias do setor têxtil e da indústria metalmecânica já compram energia no mercado livre.

 

Picanço explica que os grandes consumidores livres, na faixa de consumo a partir de 3 megawatts, podem comprar energia de qualquer fornecedor. Já os consumidores livres especiais, partir de 500 kilowatts, que são menores, só podem comprar de fontes renováveis.

 

A gerente da Andrade & Canelas Energia acrescenta que o Brasil já está meio atrasado nesse limite. “Na maioria dos países europeus, esse limite é muito menor. Mas é uma reivindicação do setor, que depende de negociações do Ministério de Minas e Energia e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 

Novo perfil de consumidor

A possibilidade de escolher produtos específicos a cada perfil de consumo combinando sinais de preços e de investimentos contribui para reduzir custos e garantir suprimento. No mercado livre, a competição entre os agentes é aproveitada em favor do bem dos consumidores.

 

“Estamos num contexto de mudança de consumo. A sociedade está escolhendo mais e pensando mais na hora de consumir”, destaca a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo. O bom do mercado livre, conforme ela, é que o consumidor pode gerenciar a energia que ele compra e suas características. “Existem cargas de consumo, patamares diferentes, esses consumidores precisam de produtos diferenciados”, disse.

 

A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) destaca que o mais importante no mercado livre não é só a questão do preço. “O fator mais central do mercado livre é que o consumidor tem características e necessidade diferentes. Existem certas indústrias, por exemplo, em que a energia responde por 40% do custo de um bem que ela entrega no mercado”, disse.

 

2012 - Ano do Mercado Livre de Energia

O evento fez parte da campanha 2012 – Ano do Mercado Livre de Energia, cujo objetivo é valorizar as contribuições que o mercado livre de energia elétrica oferece à economia brasileira, ampliando o conhecimento sobre diversos aspectos do seu funcionamento a vários segmentos da sociedade, além de propor aprimoramentos regulatórios e de mecanismos de gestão, de modo a potencializar benefícios para todos: governo, indústria, comércio e consumidores.

 

A campanha é uma realização das associações Abeeólica (energia eólica), Abiape (investidores em autoprodução de energia), Abrace (grandes consumidores industriais de energia e consumidores livres), Abraceel (comercializadores), Abragel (geração de energia limpa), Abragef (geração flexível), Abraget (geração térmica), Anace (consumidores de energia) e Apine (produtores independentes e geradores de energia elétrica).

 

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