Convite Palestra: Marco Regulatório Portuário e a Medida Provisória 595/12 – Controvérsias
O Instituto Brasileiro de Educação Continuada – INBEC em parceria com a Universidade Cidade de São Paulo - UNICID, realizará no dia 20 de junho de 2013, às 19:30, a palestra ¨Marco Regulatório Portuário e a Medida Provisória 595/12 – Controvérsias¨, no auditório da FIEC, localizado na Av Barão de Studart, 1980, na Aldeota.
A Medida Provisória nº 595/2012, recentemente, aprovada pelo Congresso Nacional, apresenta-se como “novo marco regulatório do setor portuário” todavia, se faz necessário analisar do ponto de vista conceitual, pois a regulação, a exploração dos portos e instalações portuárias podem ser, elaboradas, estruturadas e regulamentadas através de legislação complementar como já estava ocorrendo.
Além de outros pontos destaca-se a contratação de trabalhadores portuários sem a intervenção do OGMO, ou seja, os terminais privativos podem contratar os trabalhadores portuários, visando a disponibilidade do mercado de trabalho, em busca do menor custo e maior lucro.
A palestra será ministrada pela advogada e professora MSc Miriam Ramoniga, autora de artigos sobre o tema, destacando-se no conhecimento de direito internacional, empresarial e direito portuário.
O evento integrará o programa do curso pioneiro de MBA em Gestão Portuária e Negócios Internacionais, bem como marcará o lançamento da segunda turma do MBA, sendo dirigida aos seus respectivos alunos, bem como aos advogados,administradores,economistas, engenheiros e areas afins, também poderão participar estudantes de comercio exterior, relações internacionais, meio ambiente e turismo, geofísica, marketing e Rh.
A inscrição é gratuita e os interessados devem acessar o site do INBEC -
www.inbec.com.br/representa - para fazer a sua inscrição, dúvidas poderão ser dirimidas pelos fones: (85) 3023-6657 | (85) 8821-6704.
Fonte: INBEC
Infraero lança programa de Eficiência Logística
Foi lançado ontem, pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) lançará, às 15h, o Programa Infraero de Eficiência Logística (Piel), no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. Ele foi desenvolvido com o propósito de viabilizar a liberação eficiente das cargas importadas, através do estímulo e reconhecimento dos processos burocráticos e operacionais realizados por todos os intervenientes no processo.
A partir das ferramentas que irão medir o nível de eficiência das cadeias logísticas que prestam serviços aos importadores, a Infraero irá ranquear e premiar os importadores mais ágeis na retirada das cargas no Terminal de Logística de Carga (Teca), da Capital cearense.
Numa época em que as informações se movimentam com grande velocidade, devido à informática, um programa desse tipo visa acelerar as ações de transporte aéreo. “Em tempos de globalização, os aeroportos são um elo integrador da cadeia logística internacional, por onde fluem produtos dos mais diversos tipos e atendem a grandes empresas, que demandam uma logística eficiente. O Piel, sem dúvida, será uma ferramenta importante para estimular ainda mais a eficiência e a agilidade do modal aéreo em Fortaleza”, afirmou o superintendente do Aeroporto, Wellington Santos.
Fonte: O Estado dio Ceará
Abertas inscrições para o Enaserv 2013 que debaterá apoio às exportações de serviços
Estão abertas as inscrições para a quarta edição do Encontro Nacional do Comércio Exterior de Serviços (Enaserv 2013), que ocorrerá em São Paulo no dia 25 de junho. O evento, cujo tema será “Avanços no Comércio Exterior de Serviços”, é organizado pela Secretaria de Comércio e Serviços do MDIC e pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com apoio da Federação do Comércio de São Paulo.
Na pauta, está a discussão sobre o que fazer para ampliar a efetividade dos mecanismos de apoio às exportações de serviços, assim como uma dinâmica para esclarecimento de dúvidas sobre o Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv).
Também serão abordadas a proposta de financiamento em moeda local nas exportações de serviços e de que forma os grandes eventos podem contribuir para reduzir o déficit na conta de turismo, painel que contará com a participação do Secretário de Comércio e Serviços do MDIC, Humberto Ribeiro. A estimativa é que mais de mil pessoas entre consultores, políticos, membros do governo federal e profissionais do comércio exterior participem do encontro.
“O Enaserv tem por objetivo promover um debate a respeito de iniciativas capazes de dinamizar as exportações brasileiras de serviços”, explica o diretor do Departamento de Polícias de Comércio e Serviços do MDIC, Maurício do Val. Sobre o Siscoserv, o diretor destaca que haverá durante o Enaserv a oportunidade para que os usuários interajam diretamente com os titulares da Receita Federal e da SCS, responsáveis pela gestão do sistema, para esclarecer dúvidas e sugerir aprimoramentos.
Para o evento, ainda estão previstas as participações de autoridades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Ministério da Fazenda e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), entre outras instituições.
Feira negocia artesanato para fora do Ceará
Movimentar R$ 1 milhão em vendas de produtos artesanais típicos do Ceará em menos de dois dias. Negociar com compradores nacionais e estrangeiros. Firmar parcerias para potencializar futuros negócios. Estes são os objetivos dos organizadores do Showroom Investe Brasil, uma feira artesanal que reúne artigos de palha, tecelagem, malha, madeira, crochê e bordados, com foco na Copa das Confederações. O evento será realizado hoje e amanhã, no Sebrae Ceará.
No total participam 66 grupos de artesãos de diversos municípios do estado. Estão confirmados para o evento seis compradores estrangeiros da Alemanha, Argentina, França e Itália, além de 22 nacionais, oriundos dos estados de Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo.
De acordo com a gestora do Programa do Artesanato Cearense do Sebrae Ceará, Juniar Ellyan, o Investe Brasil deve aumentar as alternativas para o fortalecimento dos negócios das cooperativas e associações do Ceará. “O artesão vai negociar diretamente com o comprador sem intermediários.”, relata. Segundo ela, o evento não será aberto ao público.
A representante da Associação dos Artesãos do Curral Grande Arte e Fio, do município de São Gonçalo do Amarante, Conceição Juvêncio, está otimista em relação aos negócios que serão firmados. “Participar das rodadas de negociações é um avanço. Você tem a certeza de boas parcerias, além da possibilidade de conseguir mais clientes para comprar nosso artesanato”, declarou.
O Showroom Investe Brasil está em sua terceira edição, sendo o último realizado em novembro do ano passado na região do Cariri. Conforme Juniar Ellyan, a venda de redes, almofadas, passadeiras, tapetes, artigos em madeira, entre outros foi de R$ 800 mil. Neste ano a meta é mais ambiciosa. “Esperamos uma movimentação em torno de R$ 1 milhão de reais com os negócios efetuados”, finaliza. O Centro de Negócios do Sebrae fica na avenida Monsenhor Tabosa, 777. O evento é somente para convidados.
Brasil Original
De 10 de junho a 31 de julho, será realizado no Sebrae Ceará o showroom Brasil Original, oportunidade para artesãos cearenses e também de outros estados exporem suas produções. Este evento será aberto ao público, de 9h às 21 horas.
Fonte: O Povo
China pesa, mas Ibovespa reduz perdas; dólar em baixa
O Ibovespa manteve-se em baixa durante todo o pregão desta quinta-feira, mas reduziu substancialmente as perdas ao longo do dia e conseguiu terminar o pregão acima dos 56 mil pontos.
A queda foi influenciada pelo índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa medido pelo HSBC preliminar de maio, que apontou contração. Os papéis de empresas ligadas a commodities, entre elas Vale e Petrobras - justamente as que têm maior peso no índice - reagiram negativamente ao indicador ruim da economia chinesa. A divulgação de dados positivos nos Estados Unidos, porém, ajudou a reduzir as perdas na Bolsa, embora não tenha sido suficiente para tirar o índice do vermelho.
O Ibovespa fechou em queda de 0,14%, aos 56.349,91 pontos. Na mínima, registrou 55.379 pontos (-1,86%) e na máxima, 56.423 pontos (-0,01%). O giro financeiro foi de R$ 6,839 bilhões. A Bolsa paulista já abriu em queda por conta do PMI da indústria chinesa preliminar deste mês, que registrou o nível mais baixo em sete meses, recuando para 49,6. Como o dado ficou abaixo de 50, indicou contração.
"O que pesou sobre o índice foi o setor de commodities, por causa do dado ruim da China", afirma Luis Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora, citando Vale e Petrobras.
Vale PNA recuou 1,81% e ON, -1,87, entre as maiores quedas do Ibovespa. A China continua sendo o principal destino para os produtos da mineradora, apesar de o país asiático ter reduzido sua participação nas vendas de minério de ferro e pelotas da companhia brasileira de 55,1%, no quarto trimestre de 2012, para 48,2% no primeiro trimestre. Petrobras, por sua vez, recuou 0,30% na PN e 0,74% na ON. "Como é ligada à commodity e tem peso no índice, as ações da estatal de petróleo caem também", diz um operador. O dólar à vista no balcão encerrou a quinta-feira em baixa de 0,24%, cotado a R$ 2,0460. Na cotação máxima do dia, perto das 11h50, a moeda atingiu R$ 2,056 (alta de 0,24%) e, na mínima, R$ 2,0430 (baixa de 0,39%).
Fonte: Diário do Nordeste
CNI: a África é estratégica para a economia brasileira
O crescimento de mais de 400% no intercâmbio comercial entre o Brasil e os 54 países da África nos últimos dez anos é uma prova da importância do mercado africano, segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, que abriu o seminário “As Relações do Brasil com a África – A nova fronteira no desenvolvimento global”, realizado nesta quarta-feira (22), na sede da CNI, em Brasília (DF). Entre 2002 e 2012, o comércio entre o Brasil e os países da África passou de US$ 5 bilhões para US$ 27 bilhões.
“A África é estratégica para a economia brasileira. É nosso dever fazer crescer e consolidar os mercados, tornando-os mais fortes e dinâmicos e consagrando o que a história já estabeleceu pelos laços de amizade”, afirmou Andrade. “Vamos trabalhar juntos para estreitar os laços econômicos, políticos e culturais que unem os nossos povos”, completou.
O seminário, promovido pelo jornal Valor Econômico, com o apoio da CNI, reuniu dezenas de empresários e representantes do governo brasileiro e dos países africanos. Durante a palestra de abertura, o ministro das Relações Exteriores destacou que atualmente o mercado africano absorve 5% das exportações brasileiras, e que um dos sinais de sua importância para a diplomacia do país é a quantidade de representações que o Brasil possui no continente. O Brasil tem relações diplomáticas com os 54 países e possui 37 embaixadas residentes.
De acordo com o ministro, o Brasil é o quinto país com maior número de embaixadas na África. Por outro lado, estão instaladas em Brasília 34 embaixadas africanas. “Somos a capital latino-americana com maior número de embaixadas africanas. Sem uma coordenação muito estreita e um diálogo permanente, nós não chegaremos aos resultados que a comunidade internacional requer. O Brasil quer estar junto da África nesse momento particularmente positivo da sua história”, disse o ministro.
Durante a abertura, o deão do Grupo da África e embaixador da República do Zimbawe, Thomas Sukutai Bvuma, convidou os empresários brasileiros que ainda não focaram no continente, a investir no mercado africano. “Empresários fortes e corajosos precisam ir para a África, para locais onde as pessoas não querem ir. Os lucros são garantidos. O empresário só precisa chegar lá. Gostaríamos de ter empresas brasileiras em cada um dos 54 países do continente. A África é o futuro para os negócios. Um dia a áfrica será um continente desenvolvido, centro de desenvolvimento global”, afirmou.
Fonte: Portal da Indústria
Exportação à Argentina dá Salto, mas Cenário Preocupa
Mesmo às voltas com uma crise política e dificuldades econômicas, com o aumento das pressões inflacionárias e forte oscilação nas cotações do dólar no mercado paralelo, o governo Cristina Kirchner permitiu ao Brasil melhorar o desempenho das exportações ao mercado da Argentina, que deram um salto de 31% em abril. O maior responsável foram as vendas de veículos, tratores e partes automotivas, principal item da pauta de exportações brasileiras, que aumentaram 49% em média em relação a abril de 2012. Mas analistas e empresários brasileiros preveem que a crise no país vizinho deve interromper a recuperação do comércio.
Em setores como o de calçados e têxteis, alvo habitual de barreiras informais à importação na Argentina, as associações industriais não registram mais queixas de retenção de embarques nas alfândegas, como chegou a ser frequente em 2011. Executivos do setor comentam, porém, que a "imprevisibilidade" da política comercial argentina desestimula os negócios com o país vizinho, onde os importadores ainda estão sujeitos a restrições informais - principalmente o chamado esquema "uno por uno", pelo qual importadores argentinos só recebem licença para comprar bens no exterior (criada no ano passado, sob a sigla conhecida como DJAI) se comprovarem exportações no mesmo valor.
Parte da recuperação das exportações em abril deveu-se a um ligeiro aumento na demanda de alguns produtos, como calçados, e uma forte procura por automóveis, que alguns especialistas suspeitam estar servido como reserva de valor contra a escalada inflacionária. A expectativa de menor necessidade de divisas no começo do ano também levou os argentinos a afrouxar o controle sobre entrada de mercadorias e fez crescerem as importações totais do país (não só do Brasil) em 32%. Como as exportações argentinas só subiram 13%, esse movimento reduziu em 38% o saldo comercial do país, comparado a abril de 2012, segundo o Indec, o instituto de estatísticas local.
"O cenário não é bom, as perspectivas de exportação da Argentina são de queda", comentou, ao valor, o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele lembra que a produção de trigo argentina caiu e deve eliminar o excedente para exportação; o preço da soja, que se esperava chegar a US$ 570 por tonelada, estacionou próximo a US$ 520, "menor que no ano passado"; e também são negativas as perspectivas para o milho, do qual a Argentina é grande exportador. "Com a necessidade de um superávit de US$ 11 bilhões na Argentina, a alternativa será reduzir as importações", prevê Castro.
Para o economista Maurício Claverin, coordenador da área de comércio exterior da consultora argentina abeceb.com, do ex-secretário da Indústria argentino Dante Sica, ainda há expectativa de crescimento nas importações do país, "mas a uma taxa moderada". Ele explicou ao Valor que o aumento nas importações de produtos como calçados resultou do esforço do governo para conter a pressão inflacionária no setor, onde investimentos e produção caíram, elevando preços.
No primeiro quadrimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado, a importação de calçados da Argentina aumentou 12% em valor e 34% em volume (pares de calçados), segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados). O Ministério do Desenvolvimento registrou um aumento, em valor, no quadrimestre, de pouco menos de 5%. O volume, medido em quilos, ficou praticamente estável. Houve clara substituição, nas compras, por produtos mais baratos: a queda média nos preços dos sapatos vendidos foi de 16%.
"A situação econômica deteriorou e, com ela, o nível dos sapatos vendidos na Argentina", disse o diretor-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, que, desde setembro, notou um aumento na celeridade de liberação das importações argentinas de calçados brasileiros, em resposta às reclamações do governo brasileiro feitas em reuniões com as autoridades argentinas. "O que mais nos incomoda é o fato de que a Ásia fica com a maior parcela do fatia do mercado", desabafa o executivo. O Brasil tinha 60% do mercado argentino em 2011; passou a 59% em 2012 e neste ano está com 43%, enquanto os fornecedores da Ásia chegaram a 57%, segundo a Abicalçados.
O aumento das vendas brasileiras à Argentina não representa uma recuperação de mercado, mas é reflexo do aumento das compras do país no começo do ano, que deve arrefecer nos próximos meses, segundo preveem os economistas. Isso vale também para os automóveis, atesta Claverin, da abeceb.com. "Houve uma certa liberalização para ingresso de veículos que foram freados na fronteira". diz ele.
Fonte: Valor Econômico
Falta de dólar faz Venezuela atrasar pagamento a exportador brasileiro
A escassez de divisas na Venezuela está provocando um atraso no pagamentos dos importadores do país aos seus fornecedores e já afeta o comércio com outros países, entre eles o Brasil. Consultorias privadas e entidades empresariais venezuelanas estimam que o Cadivi, órgão governamental de administração de divisas, acumula um atraso na entrega de US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões a importadores locais. Desse total, cerca de US$ 1,5 bilhão seriam para pagar exportações brasileiras para o país vizinho, segundo cálculos da Câmara de Comércio e Indústria Venezuelano-Brasileira (Cavenbra).
Segundo fontes consultadas pelo Valor, esse problema vem se agravando desde o ano passado, quando houve um boom de importações nos meses que antecederam a eleição presidencial de 7 de outubro, vencidas pelo então presidente Hugo Chávez, morto em 5 de março. Em 2012, as importações totais venezuelanas somaram US$ 65,3 bilhões, contra US$ 51,4 bilhões em 2011, o que ajudou a aliviar pressões inflacionárias e também o problema de escassez de produtos no ano eleitoral. O país, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, importa boa parte de tudo o que consome. No caso dos alimentos, o índice chega a 70%.
Na Venezuela, onde o câmbio é controlado, a maneira mais barata para o importador conseguir dólares é via Cadivi, que vende a moeda americana à taxa oficial de 6,30 bolívares, contra um câmbio paralelo de mais de 20 bolívares por dólar. Esse sistema é responsável por cerca de 70% dos pagamentos às exportações brasileiras, segundo a Cavenbra. Empresários locais se queixam, porém, que o órgão do governo não tem entregado as divisas aos importadores no prazo prometido. Por consequência, eles não têm conseguido honrar seus compromissos com os fornecedores externos. Esse quadro, segundo analistas, contribui para agravar o problema de escassez de produtos nos supermercados venezuelanos.
"No ano passado, recebemos constantes reclamações a respeito de atrasos nos pagamentos, o que acabou esfriando muito nossas vendas para lá", diz Francisco Turra, presidente-executivo da Ubabef, que reúne produtores e exportadores de aves do Brasil. "As empresas não têm como dar crédito a longo prazo para outros países."
Em 2012, afirma Turra, o Brasil exportou 99 mil toneladas de frango para a Venezuela, contra 166 mil toneladas no ano anterior, uma queda de 43%. Entre janeiro e março deste ano, registrou-se nova queda nas vendas ao país, de 11,45%, contra o mesmo período do ano passado. Outros setores, como pneus para ônibus e tratores e autopeças também registram quedas significativas, de 66,01% e 47,73%, respectivamente.
Procurado, o Sindipeças, que reúne empresas de autopeças, também não quis comentar o tema. Mas fontes do setor de pneus no Brasil confirmam os atrasos. Um representante da Pirelli, que possui uma fábrica na Venezuela, afirma que os problemas na liberação de dólares pelo Cadivi têm causado atrasos no processo de importação "desde o início do ano". "Mas nós não paralisamos as operações", disse a fonte.
Fernando Portela, presidente da Cavenbra, afirma que, de uma maneira geral, os atrasos nos pagamentos aos fornecedores brasileiros começaram a se intensificar em outubro. Ele diz ter relatos de atrasos de mais de 90 dias em setores como alimentos e medicamentos, considerados essenciais. Mas relata que a situação é mais grave nos setores de calçados e confecções, não considerados prioritários pelo governo venezuelano.
"Com um endividamento que ultrapassa US$ 1,5 bilhão [para com os exportadores brasileiros], muitos fornecedores estão exigindo pagamento imediato para exportar para a Venezuela", diz.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirma que esse problema já está afetando os negócios com importadores privados na Venezuela. "As empresas estão claramente mais cuidadosas", diz. "O que se sabe claramente é que, salvo as vendas feitas diretamente para o governo, as demais estão paralisadas." Segundo ele, o governo venezuelano compra diretamente cerca de 80% das exportações do Brasil.
Castro prevê, para este ano, uma queda tanto no volume de exportações do Brasil para a Venezuela como no superávit de US$ 4 bilhões com o país vizinho, o terceiro maior saldo positivo da balança brasileira, atrás de China e Holanda. No primeiro trimestre deste ano, as exportações brasileiras para a Venezuela caíram 16,13% frente ao mesmo período de 2012. Outros importantes parceiros comerciais dos venezuelanos, como Estados Unidos e Colômbia, registraram ligeira queda nas exportações para o país entre janeiro e março, de 7% e 1%, respectivamente.
Uma fonte do governo brasileiro diz que o baixo nível de reservas internacionais líquidas da Venezuela explica em parte a escassez de divisas no país. O Banco Central venezuelano, afirma a fonte, tem cerca de US$ 27 bilhões em reservas, mas 90% desse total seria em ouro. "Os cerca de US$ 3 bilhões em dólar restantes no BC não são suficientes para atender às necessidades do Cadivi", afirma.
As fontes reconhecem, no entanto, um esforço do governo venezuelano em tentar normalizar esse quadro. Nas últimas duas semanas, o governo tem se reunido com empresários de diversos setores para tratar do tema.
Ontem, a presidente do BC venezuelano, Edmeé Betancourt, disse que a instituição está "bastante perto" de normalizar a entrega de divisas às empresas do país. Consultada, a Embaixada da Venezuela no Brasil não quis se pronunciar.
Fonte: Valor Econômico
Cai interesse por comércio bilateral
As dificuldades na exportação para o país vizinho provocaram redução no número de empresas dedicadas ao comércio bilateral, segundo mostrou a presidente Dilma Rousseff à mandatária argentina, Cristina Kirchner, no encontro que tiveram há um mês. De 2011 para 2013, o número de exportadores com vendas à Argentina caiu 10,9%, de quase 5,4 mil para pouco menos de 4,8 mil. Também caiu, em 10,6%, o número de importadores, de quase 4,5 mil para menos de quatro mil.
A Argentina é o primeiro passo na internacionalização das empresas brasileiras e a queda no interesse pelo comércio bilateral com o país vizinho levou o governo brasileiro a preparar missões comerciais para outros mercados promissores na América Latina, como Colômbia e Peru. A Agência de Promoção de Exportações (Apex) deve abrir em breve um centro de negócios na Colômbia. "O grau de imprevisibilidade na Argentina chegou a um ponto que o empresário brasileiro reduziu seu ímpeto em chegar àquele mercado", atesta o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.
"Representávamos metade do que a Argentina importava, e hoje estamos reduzidos a 25%; o espaço foi ocupado pela China", comentou Pimentel. Ele se queixa de que exportadores de vestuário tiveram prejuízo ao montar operações de venda na Argentina e, ao preparar as remessas, esbarrar em dificuldades para obter a Declaração Juramentada de Importações (Djai). "Também há limitações nas remessas de divisas", diz. "A Argentina não deixa de ser um mercado importante, mas teremos problemas sérios até entrar em um novo ciclo".
As incertezas nos preços de commodities têm levado exportadores argentinos a reter parte da produção, e o aumento na demanda energética põe maior pressão sobre as contas comerciais, alerta Maurício Claverin, da consultoria abeceb.com. As importações de energia da Argentina geraram, neste ano, um déficit de US$ 1,8 bilhão no setor - que, no mesmo periodo de 2012, registrou um superávit de US$ 300 milhões. São US$ 4,2 bilhões a menos nas contas do vizinho.
O ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, vê com preocupação a reação de setores empresariais no Brasil, que começam a falar em eliminar a união aduaneira imperfeita do Mercosul trocando-a por uma cordo de livre comércio com o vizinho. "Em alguns casos, a tarifa externa comum só existe na Argentina porque interessa ao Brasil, para dar competitividade contra concorrentes no mercado de lá", adverte o economista.
Fonte: Valor Econômico
Infraestrutura e classe média da África atraem o Brasil
A presidente Dilma Rousseff desembarca hoje na Etiópia para dar um claro recado político aos países africanos: o Brasil quer estreitar as relações com o continente no momento em que a região registra uma crescente demanda por produtos importados e investimentos em infraestrutura. A sinalização será dada no discurso da presidente durante a cerimônia em comemoração aos 50 anos da União Africana.
As relações entre o Brasil e a África ganharam um novo fôlego durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente brasileira foi convidada pela União Africana para representar a América Latina nas solenidades do Jubileu de Ouro da organização. Estados Unidos, China, União Europeia e Índia também receberam convites semelhantes, e devem enviar representantes de alto nível ao evento. São esperados na cúpula, por exemplo, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
Esse quadro reflete o esforço das principais potências mundiais em expandir suas presenças na África. O continente registra um crescimento econômico superior à média mundial, apesar dos efeitos da crise financeira global. Com o objetivo de assegurar os meios necessários ao seu desenvolvimento e a infraestrutura logística indispensável a um incremento das trocas comerciais dentro da própria região, a União Africana lançou, em conjunto com o Banco de Desenvolvimento Africano, um ambicioso plano de investimentos em energia, transportes, recursos hídricos e tecnologia. Os 51 projetos prioritários do Programa de Desenvolvimento da Infraestrutura na África (Pida, na sigla em inglês) têm um custo estimado em US$ 67,2 bilhões.
Em outra frente, a África vê surgir uma classe média ascendente. "[A África] É uma força pelo seu consumo", comentou o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. "São grandes transformações que abrem oportunidades. O mundo olha a África como a mais nova fronteira do progresso", disse ele.
Além de uma maior participação das construtoras brasileiras em obras de infraestrutura, o governo brasileiro vislumbra diversas oportunidades para os exportadores brasileiros na África. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as vendas do Brasil para o continente africano cresceram de US$ 2,9 bilhões para US$ 12,2 bilhões entre 2003 e 2012. O continente passou a ser o quinto maior destino para os produtos brasileiros, perdendo apenas para China, EUA, Argentina e Holanda, que é uma porta de entrada da Europa.
A pauta de exportações para a África é formada majoritariamente por produtos industrializados, o que, na avaliação do governo, mostra que o Brasil também passou a atender as demandas africanas por produtos de maior valor agregado. Fazem parte dessa lista, por exemplo, tratores, aviões, máquinas e equipamentos, construções pré-fabricadas, veículos de carga, geradores e autopeças.
Mesmo assim, sobretudo devido à importação de petróleo, a relação comercial com a África é tradicionalmente deficitária para o lado brasileiro. O continente assumiu a condição de principal região fornecedora da commodity ao Brasil. E ganha destaque como fornecedor alternativo de adubos e fertilizantes.
No acumulado entre janeiro e março de 2013, a balança comercial entre o Brasil e a África registra um saldo negativo de US$ 635,5 milhões. O resultado é fruto de US$ 2,6 bilhões em exportações e US$ 3,2 bilhões em importações.
Dilma deve estar acompanhada dos ministros Antônio Patriota (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Desenvolvimento (Fernando Pimentel), Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia) e Luiza Bairros (Igualdade Racial). Antes de participar da cúpula da União Africana, está prevista para hoje uma reunião entre Dilma e o primeiro-ministro etíope, Hailemariam Desaleg. Eles devem assinar um acordo de cooperação nas áreas de ciência e tecnologia e serviços aéreos, o que pode viabilizar a criação de um voo direto entre os dois países.
Continente entra na rota da internacionalização
Em recentes anos, a África começou a se tornar um ponto importante no mapa de estratégia de internacionalização de grandes empresas brasileiras. Quem chegou cedo teve de lidar mais intensamente com turbulências políticas, instabilidades regulatórias e baixo poder de investimento privado e público, entre outros problemas. Mas, lentamente, esse cenário começa a se dissipar e o que passa a chamar mais a atenção das corporações são as oportunidades.
Dos antigos obstáculos, alguns ainda permanecem, como a baixa disponibilidade de crédito no ritmo que se faz necessário, e outros novos surgiram no horizonte, como uma forte concorrência de produtos e serviços asiáticos. Mas há quem acredite que a aposta está valendo a pena.
Entre eles está o grupo WEG. De sua receita de R$ 3,2 bilhões gerada em negócios no exterior no ano passado - pela primeira vez superando o faturamento do mercado interno -, os negócios na África do Sul representaram 15%. "Nossa vendas para a África do Sul começaram há mais de 25 anos, primeiro com um parceiro comercial e mais tarde diretamente", diz Luis Gustavo Lopes Iensen, diretor da área internacional.
O parceiro comercial, que acabou sendo adquirido pelo grupo brasileiro em 2010, foi de grande importância. "Seu conhecimento local foi estratégico para nos ajudar a desenvolver o mercado e nos tornarmos líderes em motores elétricos no país", disse. Tanto que a empresa decidiu manter o nome da empresa, Zest, e seus executivos após a compra.
A WEG conta hoje com sete unidades industriais no país africano, atendendo a diversos setores. "Nós percebemos que somente as exportações não eram suficientes e a instalação de fábricas em vários países faz a diferença", afirma Iensen.
A relação com a África do Sul tornou o país a ponta de lança para alcançar outros mercados. Daquele país a empresa começou a expandir seu atendimento para países da África Subsaariana, como Gana, Zâmbia, Congo e Tanzânia. No Quênia, na Nigéria, em Angola e em Botswana a WEG conta com representantes locais, e para o Egito e Líbia o atendimento é feito via Brasil. As vendas para os países do Norte, como Tunísia, Marrocos e Argélia, são comandadas pelo escritório do grupo em Lyon (França).
Para Iensen, as perspectivas no mercado africano são muito grandes. "São países onde tudo está para ser construído e em alguns casos com muitas similaridades com o mercado brasileiro", diz. A WEG tem a vantagem de já ser parceira comercial de outros grupos brasileiros, como Odebrecht, Queiróz Galvão, Vale e Petrobras.
Ainda na década de 90, a África do Sul também foi o ponto de partida da Esmaltec, produtora de eletrodomésticos que no mercado brasileiro tem uma forte presença na classe C. Em 2000 foi a vez de expandir para Cabo Verde e no ano passado a empresa teve 32% do seu faturamento de exportação em 16 países africanos. "Os produtos que exportamos são muito bem aceito nesses mercados, principalmente modelos mais básicos que, com algumas adaptações, facilitam nossa penetração", afirma Annette Reeves de Castro, superintendente da empresa. Os produtos mais vendidos para a África é o fogão a gás.
A executiva está otimista quanto às perspectivas de negócios com os países africanos. "São mercados em franca expansão", diz. Mas ela ainda sente instabilidade em algumas regiões, o que interfere na programação das vendas "Sentimos uma concorrência acirrada de produtos chineses e turcos", comenta. Para a Esmaltec, cuja sede e fábrica ficam localizadas no Ceará, há um outro desafio: contar com linhas marítimas dos portos em que ela trabalha, de Pecém e Fortaleza, para esses destinos.
Para quem pretende investir em exportações para a África do Sul e países do Norte da África, Annete recomenda o contato direto com o importador e visitas regulares. Para países menores, a parceria com representantes locais faz toda a diferença. "Eles têm contato mais próximo e frequente com o distribuidor e também toda a responsabilidade pelo crédito aos clientes finais", diz.
Fonte: Valor Econômico