O presente relatório apresenta os resultados da
pesquisa sobre Responsabilidade Social nas Empresas filiadas à Federação das
Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, realizada pela Empresa Júnior Administração
– UECE, associação composta por alunos de graduação do Curso de Administração
da Universidade Estadual do Ceará.
O universo tomado para estudo é composto por 739
empresas localizadas na Capital e no Distrito Industrial de Fortaleza, situado
no município de Maracanaú, adjacente a Fortaleza. A amostra inicial constou de
um total de 196 empresas selecionadas a partir do universo considerado. Os
contatos foram feitos por telefone, por fax e visitas in loco, logrando-se êxito em 140 empresas. A despeito da
facilidade posta à disposição das empresas, verificou-se um grande entrave,
representado pela baixa quantidade de empresas que se mostraram solícitas em
devolver o questionário ou em receber os pesquisadores (90 empresas). Outro
fato foi o grande número de empresas que não puderam ser contatadas (56
empresas), apesar dos esforços empreendidos pela equipe de pesquisadores.
Para as 140 empresas localizadas pela equipe de
pesquisa, 35 empresas não responderam ao questionário e 90 empresas
apresentaram as respostas aos questionários disponibilizados. Levando-se em
consideração que a pesquisa deva conduzir à estimação de percentuais
populacionais, pode-se afirmar que o erro máximo de amostragem dos percentuais
determinados pela pesquisa situa-se em 9,7 pontos percentuais, para mais ou
para menos, adotando-se nível de 95% de confiança e aleatoriedade na inclusão
de empresas na amostra.
Os resultados refletem o cenário de
responsabilidade social do segmento industrial acima caracterizado, omitindo-se
a identidade dos participantes e sua forma de ação social a nível isolado, bem
como outras informações individuais.
O questionário continha 21 questões, em sua
maioria objetivas, o qual foi elaborado pelo grupo de responsabilidade social
composto por membros da própria FIEC, entre outros órgãos. A participação da
Empresa Júnior de Administração da UECE consistiu na coleta de dados e sua
tabulação, através de uma coordenadora e quatro (04) pesquisadores.
O trabalho de aplicação dos questionários
encontrou algumas dificuldades no tocante a colaboração de algumas empresas, o
que acabou gerando atrasos, posteriormente contornados. No corpo do presente
relatório encontra-se a descrição do processo de aplicação em campo e
tabulação, assim como uma análise do instrumento de coleta de dados.
As informações contidas no presente relatório
podem oferecer subsídios de forma a se poder dar início a um trabalho de
mudança de mentalidade e de cultura do empresariado cearense que, em desacordo
com seus congêneres do sul do país, parece ainda não ter reconhecido o valor e o
significado da responsabilidade social, nem adotado suas práticas como
estratégia de marketing.
Durante o processo de coleta de dados,
observou-se que não existe, no meio empresarial, percepção razoável sobre os
conceitos de ação social e responsabilidade social. Por se tratar de assunto
novo para o grande público, onde se inclui grande parte do meio empresarial
cearense, os dois conceitos são confundidos ou distorcidos.
Para efeito de análise, foram adotados
os conceitos a seguir explicitados, os quais foram enunciados no início do
questionário aplicado:
Ação
social
São consideradas como ações sociais as
atividades de cunho filantrópico, voltadas para a comunidade ou para o corpo de
funcionários e seus familiares. São exemplos de tipos de ações sociais as
doações, programas de capacitação solidária, esporte e lazer, entre outros.
Responsabilidade
Social
A responsabilidade social representa
um conceito bastante amplo, abrangendo toda forma ética de relacionamento entre
a empresa e o meio onde atua. Incluem-se neste meio os empregados, clientes,
fornecedores, regulamentadores, associados e a comunidade em geral. Fazem parte
da responsabilidade social da empresa o pagamento de tributos, abonos, honra a
seus compromissos, clareza no tratamento com o público e respeito ao meio
ambiente.
Marketing
Social
Representa toda forma de divulgação
das ações de cunho social desenvolvidas por uma organização, tanto a nível
interno, quanto dirigida ao público em geral.
Funcionários
Voluntários
São funcionários de uma organização
que doam parte de seu tempo para o
desenvolvimento (engajamento) de trabalhos sociais da mesma, sem abono ou ônus.
É grande o percentual de empresas que
caracterizam doações para instituições filantrópicas, contribuições para caixa
de previdência de funcionários entre outras posturas semelhantes como sendo a
“sua responsabilidade social”, quando na realidade representam ações sociais ou
ainda filantropia social (dependendo do contexto da ação). Cada empresa findou
por delimitar um entendimento próprio dos conceitos abordados pela pesquisa.
Nesse ponto foram muito importantes as informações que o grupo pesquisador pôde
perceber “além-questionário”, sendo estas de grande relevância na análise dos
dados.
A representatividade da amostra em termos dos sindicatos patronais
filiados à FIEC está caracterizada no gráfico a seguir e reflete a orientação
do Grupo de Ação Social:

Embora tenha sido especificado inicialmente um quantitativo de 196
empresas a serem pesquisadas, a equipe de pesquisadores não teve acesso a 56
empresas. Das 140 empresas localizadas, verificou-se que havia repetição de
enquadramento em 15 casos, por pertencerem ao mesmo grupo industrial. Houve também
recusa de 35 empresas em responder aos pesquisadores, restando uma amostra
final de 90 empresas efetivamente pesquisadas. Nesta amostra resultante, foram
detectadas 77 empresas que não desenvolvem projetos sociais e 13 empresas que
estão engajadas em tais projetos.

Com
referência ao tamanho das empresas que responderam ao questionário apresentado,
verificou-se que 53% são de grande porte, 26% são de tamanho médio e 21% são
pequenas empresas, conforme mostra o gráfico a seguir:

O questionário elaborado pela FIEC, principal instrumento de coleta
de dados, constou de 21 perguntas, em sua maioria de resposta aberta. Coube,
portanto, à Empresa Júnior Administração – UECE, sua aplicação em campo,
tabulação e divulgação de resultados.
Suas perguntas estavam focadas no tema da responsabilidade social.
Entretanto, aliado à falta de informação e interesse pelo tema por parte do
empresariado componente da amostra, gerou uma certa dificuldade de interpretação
dos resultados.
Melhores resultados teriam sido obtidos caso houvesse sido realizado
um estudo mais aprofundado e melhor planejamento da elaboração do questionário.
A constatação destas falhas ocorreu, a duras penas, durante sua aplicação, bem
como durante a análise dos resultados obtidos. Fica aqui a sugestão para que
tal observação seja levada em conta em futuros estudos e levantamentos.
Outra dificuldade prendeu-se ao pouco conhecimento sobre o tema
abordado, assim como sua diferenciação de outros temas semelhantes, por parte
das empresas componentes da amostra. Tal fato, como fora anteriormente citado,
acabou gerando dificuldade na análise quantitativa assim como qualitativa dos
dados obtidos.
É importante ressaltar que a maioria dos dados obtidos refere-se
basicamente ao aspecto quantitativo, uma vez que a própria estrutura do
questionário, concorre para tal fato. Alguns quesitos, no entanto,
principalmente os referentes às empresas que chegaram a respondê-lo totalmente,
foram analisados qualitativamente através de estudos posteriores ou coleta de informações
em outras fontes.
A aplicação dos questionários iniciou-se no mês de maio com a
designação de 4 (quatro) membros de equipe de estudo (pesquisadores) e uma
coordenadora de projetos para assegurar a consecução da pesquisa. Além disso,
esteve com a equipe um professor orientador o qual não participava diretamente
dos trabalhos, mas apenas acompanhava o processo, resolvendo eventuais dúvidas
a respeito da consecução da tarefa de coleta de dados. Outro profissional
realizou a análise e eventual correção do relatório final.
A lista
de empresas contendo 196 (cento e noventa e seis) nomes foi repassada para a
coordenação. A amostra foi dividida em quatro partes iguais, por zonas da
cidade de Fortaleza e Região Metropolitana. A amostra não foi aleatória, mas
sim determinística, sendo o critério de inclusão, a representatividade dentro
de seus respectivos sindicatos.
Foram
mantidos contatos inicialmente por telefone e, em seguida, através de envio de
fax contendo, anexo ao questionário, uma carta de esclarecimento assinada pelo
Dr. Jorge Parente, presidente de FIEC. Após esta primeira fase, foram
realizadas visitas para recolhimento dos dados. Durante a fase de coleta de
dados, muitas empresas demoraram a responder alegando falta de tempo ou
desconhecimento da pesquisa. Algumas foram incluídas na amostra mais de uma
vez, devido aos diferentes critérios adotados para inclusão na amostra.
Ocorreram
atrasos pela dificuldade de acesso dos pesquisadores aos responsáveis pela área
à qual o questionário se dirigia, além de baixo nível de colaboração das
empresas e de desistência de um dos membros da equipe, não comunicada em tempo
hábil, porém suprida pelos demais integrantes.
É
importante citar que todos os atrasos ou eventuais problemas foram devidamente
comunicados à parte contratante via notas de esclarecimento ou reuniões de
trabalho realizadas durante todo o desenvolvimento do trabalho.
Devido
aos fatores anteriormente expostos, os trabalhos de aplicação do questionário
encerraram-se no mês de julho de 2001, com um retorno de 46% da amostra, ou
seja, 90 questionários respondidos. Saliente-se que 29% das empresas não foram
localizados pela equipe de pesquisadores e que 25% não responderam aos
questionários apresentados. O presente relatório foi gerado pela coordenação da
pesquisa de acordo com dados tabulados pela mesma. Os dados aqui mencionados
serão mantidos em sigilo ficando sua guarda a cargo da parte contratante.
Os membros da equipe de pesquisadores, assim como a coordenação da
pesquisa são todos alunos do Curso de Administração da Universidade Estadual do
Ceará, e membros da Empresa Júnior de Administração da UECE. Os profissionais
denominados professores orientadores são professores da Universidade Estadual
do Ceará.
O
processo de tabulação de dados foi realizado pela coordenação da pesquisa, que
ficou responsável por acompanhar todo o trabalho do grupo pesquisador e pôde
vivenciar o processo e realizar o processamento dos dados coletados
O universo foi composto pelo total de empresas
filiadas à FIEC, localizadas na capital e região metropolitana, ou seja, 739
empresas de todos os portes. Destas, 196 foram escolhidas para a realização da
pesquisa.
Como
resultado, após o final dos trabalhos, constatou-se que:
·
O total de empresas
localizadas e entrevistadas pela equipe de pesquisadores foi de 140, representando
71% da amostra e 19% da população. Não foi possível contatar os 29% restantes
(56 empresas).
·
Destas, apenas 90
empresas (46% da amostra) responderam ao questionário por completo.
·
Houve 15 empresas
que se enquadraram em dois casos: ou eram empresas que pertenciam a um grande
grupo, com apenas um responsável (ou área responsável) pela área social, ou
eram empresas incluídas na amostra em mais de um sindicato. Algumas destas
puderam ser substituídas na amostra, mas nem todas puderam colaborar com a
pesquisa.
·
Um número pequeno de
empresas (quatro casos) que, por terem suas filiais em outros estados, enviaram
o questionário aos responsáveis, mas não deram retorno em tempo hábil para
inclusão na amostra.
·
Houve também
abstenções declaradas (também quatro casos), quando empresas se recusaram a
participar da pesquisa alegando total desinteresse pelo tema. Outras seis empresas,
ao serem abordadas pelo grupo pesquisador, afirmaram não poder colaborar, pois
se encontravam em reforma.
Analisando-se
o número de empresas que se mostraram interessadas em colaborar com a pesquisa,
tem-se um resultado negativo, pois foi baixo o índice de colaboração (46%), o
que confere representatividade limitada aos dados, já que apresenta erro
técnico máximo de amostragem de 9,7 pontos percentuais em cada direção, no
tocante aos percentuais calculados. Apesar de o número de respostas positivas
ser relativamente pequeno, as informações fornecidas pelas empresas permitem a
realização de muitas discussões e posteriormente, talvez, ensejem a realização
de atividades de conscientização acerca do tema. A seguir, apresentamos os
resultados obtidos questão por questão..

Das 90 empresas que responderam ao
questionário, 13 afirmaram desenvolver projetos de ação social voltados para a
comunidade, representando 14% das respostas. Esse número mostra a pouca
iniciativa do empresariado com o tema, uma vez que é pequeno o número de
empresas que declararam já vir realizando ações de tal natureza. Muitos
apontaram a presente crise de energia pela qual o país vem passando como
principal fator desse quadro. Evidentemente, em se tratando de uma crise recém
instalada, esta justificativa não corresponde à realidade dos fatos
Embora pareça pequeno o percentual
de empresas que atua em Ação Social, deve-se levar em consideração que o tema
ainda é novidade para a maioria dos empresários. Ademais, para os 86% (77 empresas)
que não tem experiência em projetos de Ação Social, constatou-se que 34
empresas (44%) empresas desejam atuar em ações sociais, embora aleguem falta de
recursos financeiros para tal.
A análise dos resultados obtidos
revela, no entanto, uma potencialidade latente de se inverter as posições de
negativa a positiva, havendo perspectivas, ao nível de intenções, de
investimentos em Ações Sociais, a médio prazo.

Às 77 empresas que afirmaram não desenvolver
qualquer trabalho de ação social, foi perguntado acerca do interesse em
desenvolver algum trabalho de cunho social voltado para a comunidade. As respostas
obtidas indicaram que 43 destas empresas, não atuantes socialmente (56%), não
têm interesse de envolvimento. Outras 34 empresas (44%) demonstraram ter interesse
de engajamento em projetos sociais.
Entretanto,
afirmaram que, além da crise energética por que atravessa o país na atualidade,
que dificulta a sobrevivência do próprio negócio, outro motivo para não
desenvolverem ações sociais é o total desconhecimento sobre como fazer algum
trabalho deste tipo. No entanto, existe a intenção declarada de estabelecer
planos para investir na área social a longo ou médio prazo.
É
válido, pois, afirmar que um programa de divulgação dos modos de atuação em
projetos de Ação Social, onde se possa mostrar as vantagens de atuação em
iniciativas que favoreçam socialmente a comunidade, poderá induzir a que os
empresários que desconhecem o assunto venham a participar de empreendimentos do
tipo social.
O
número de empresas que contam com funcionários que doam parte de seu tempo atuando
em trabalhos de ação social dentro das próprias organizações ainda é
inexpressivo. O número de empresas que afirmaram ter colaboradores voluntários
representa um grande percentual nas empresas que afirmaram realizar trabalhos
de ação social, porém, é preciso lembrar que esse número é pequeno em relação à
amostra.

Em apoio à afirmação acima, visualiza-se, no
gráfico a seguir, a quantidade de empresas onde existe a participação de
funcionários voluntários. O número de empresas com colaboradores voluntários é
de 54% (7 entre 13 empresas) dentre os 14% que realizam trabalhos de ação
social na amostra considerada.. Outros 46% (6 entre 13 empresas) responderam
que não contam com esse tipo de colaboração. Os casos afirmativos representam
apenas 8% (valor aproximado) da amostra considerada enquanto que os negativos
(6 empresas) representam 6% da amostra considerada.

As
quantidades de funcionários voluntários disponíveis estão demonstradas a
seguir:
No tocante ao espírito de voluntariado dos referidos funcionários voluntários, verifica-se que em 6 dos 7 casos positivos (86% dos casos), há doação de tempo livre para a prática de Ações Sociais, conforme explicita o gráfico abaixo:

O investimento em projetos sociais
ainda é baixo. Dentre as 13 empresas que declararam os valores desembolsados, 7
informaram haver investido menos de R$ 10.000,00, representando 54% dos casos.
Instados a declarar as razões do baixo volume de recursos postos à disposição
para iniciativas de Ação Social, apontou-se a contenção de despesas como fator
preponderante para a tímida parcela de contribuição.

Quanto à inclusão da responsabilidade social na visão estratégica das
entrevistadas, o retorno foi positivo, com 50% dos resultados, dada a
disposição de muitas empresas, dentre as que não realizam no momento nenhum
trabalho de ação social, demonstrarem preocupação com o tema.
Contudo,
é prudente salientar que a medição dos resultados pode ter sido afetada, muito
embora tenha havido contatos com as empresas quanto ao esclarecimento da
diferença entre os termos. Ademais, não pareceu estar claro, entre os
responsáveis pelas respostas, a diferença entre visão de futuro e visão estratégica.,
que pode ter contribuído para alguma incerteza nas respostas. O que se
constatou é que muitas empresas, por afirmarem que pretendem implementar
programas de ação social a médio e longo prazos, os consideram visão estratégica,
quando na verdade se tratam de visões de futuro. Desta forma, usou-se como
critério de análise uma adaptação dos conceitos aliados às informações que a
equipe da pesquisa conseguiu captar “além do questionário” no contato com as
empresas.
Esclarecidos
os pormenores, os resultados obtidos encontram-se no gráfico a seguir, com os
percentuais calculados sobre o total dos 90 questionários respondidos:


A
preocupação em desenvolver trabalhos de conscientização da importância das
ações e da responsabilidade social ainda não está presente em muitas empresas,
mesmo naquelas que já desenvolvem algum trabalho do gênero, não há na maioria
dos casos, abertura para discussões ou debates para discussão e até mesmo a
difusão do tema. O gráfico a seguir, demonstra que a grande maioria sequer teve
como informar a existência de algum programa de sensibilização acerca do
assunto. Apenas 14% da amostra considerada, afirmam realizar algo do gênero.
Mais adiante é dado o gráfico que discrimina as formas de realização dos
trabalhos de conscientização sobre responsabilidade e ação social.
Dentre
as empresas que desenvolvem Programas de Incentivo à Conscientização Social,
constatou-se que estas iniciativas giram em torno de debates (6% dos casos),
campanhas internas (17% destas empresas) e de palestras ou reuniões sobre o
assunto (22% das vezes). No entanto, a maior parte das empresas (%) deixou de
indicar a modalidade de programa de incentivo que desenvolvem. A seguir, o
gráfico comparativo dos percentuais citados:

Quanto à participação da administração superior
nos projetos sociais, não se especificou o tipo de participação, ou seja, se no
nível de planejamento, acompanhamento ou execução. Para efeitos deste estudo,
está sendo considerada a participação no nível de planejamento e acompanhamento,
que se enquadram no nível gerencial de qualquer projeto. Nenhuma das empresas
pesquisadas discriminou a participação de suas diretorias em outros níveis
afora o gerencial. Verificou-se que 31% das empresas que desenvolvem programas
sociais tem sua administração superior como partícipe do processo.

Quanto à atribuição da responsabilidade pela execução dos
projetos sociais das empresas, a maior freqüência coube à área de recursos
humanos (24%), seguido da diretoria (19%), presidência (14%) e área de marketing
(14%). A seguir o detalhamento dos percentuais observados:

Quanto à realização de parcerias nos projetos
sociais, o percentual também é pequeno. Das empresas que responderam a esta
questão apenas 17% delas contam com apoio de outras organizações para a
realização de projetos sociais. Quanto ao restante, ou agem isoladamente (57%)
ou simplesmente não souberam responder a esta questão (26%), conforme mostra o
gráfico a seguir.

Dentre
as empresas que declararam.realizar projetos em parceria com outras agentes,
observou-se uma incidência de 33% de casos de parcerias entre empresas, seguida
por parcerias estabelecidas com associações, clientes/fornecedores e órgãos
governamentais, com 22% cada.


Os projetos sociais
desenvolvidos englobam as atividades a seguir listadas, as quais ocorreram com as freqüências indicadas:
Instadas
a declarar sobre seu conhecimento a respeito do Prêmio de Responsabilidade
Social a ser concedido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará às
empresas que se destacarem em tal mister, apenas 13% dos entrevistados declaram
conhecer a iniciativa, enquanto a vasta maioria (87%) desconhece ou deixou de
dar resposta à indagação.

Para as empresas que declararam desenvolver
projetos sociais solicitou-se que informassem algumas características dessas
iniciativas, compreendendo:
·
Tempo de implantação
·
Número de funcionários envolvidos
·
Custo
·
Número de beneficiários
·
Caracterização dos beneficiários
·
Regiões geográficas atendidas
A seguir, encontram-se os resultados revelados
pela pesquisa.
Verifica-se
que apenas 15% das empresas pesquisadas vêm desenvolvendo projetos sociais há
mais de 10 anos, o que mostra quão recente é este tipo de atividade no meio
empresarial.


Verificou-se que a força de trabalho posta à disposição dos Projetos Sociais é
relativamente pequena, uma vez que em 53% das vezes o número de funcionários
envolvidos é inferior a 20 pessoas, conforme pode ser visualizado no gráfico a
seguir:
Tendo em vista a importância da responsabilidade
social nas empresas, pode ser considerado incipiente o esforço financeiro
aplicado aos Projetos Sociais, já que o montante de recursos disponibilizados
somente supera R$ 10.000,00/mês em 16% das empresas que desenvolvem projetos
sociais.


Levando-se em conta o tíbio volume de
recursos postos à disposição dos Projetos Sociais desenvolvidos pelas empresas,
apresenta-se como muito positivo o resultado alcançado em quantidade de beneficiários
alcançados, uma vez que, em 39% dos casos, houve benefícios para mais de 100
pessoas. Isto leva a crer que, em termos dos custos por beneficiário, os valores
devem ser relativamente baixos, ou seja, há uma socialização marcante dos
resultados por beneficiário. O gráfico abaixo caracteriza a distribuição percentual
do número de beneficiários dos Projetos Sociais

A caracterização dos beneficiários de
Projetos Sociais desenvolvidos pelas empresas se encontra no gráfico a seguir,
onde se aponta a comunidade em geral como beneficiária maior (22%) dos casos e
omissa no tratamento de minorias raciais, onde as populações negra e indígena
estão ausentes.

O alcance geográfico das ações de Projetos
Sociais atinge principalmente a Região Metropolitana de Fortaleza (23%), onde
se concentram os estabelecimentos pesquisados, embora tenham algum alcance por
todo o Estado do Ceará (8%), alcançando, inclusive, dimensão regional no
território Norte/Nordeste do Brasil, com 15% dos casos.
Apenas 31% das empresas que desenvolvem Projetos
Sociais declararam intenções de desenvolver projetos sociais no futuro. Ainda
assim, quase a metade destas empresas deverá ampliar os projetos já existentes,
ao invés de empreender em outras áreas. Nas novas iniciativas foram citadas intenções
de atuação apenas em favor de deficientes físicos e na área de educação
ambiental.


Ainda no tocante a planos para o futuro,
como foi já exposto, está em cogitação para as empresas muito mais o
aperfeiçoamento de projetos implementados do que o investimento em novas ações.
O gráfico a seguir clarifica esta afirmação. No entanto, as empresas
mostraram-se muito resguardadas em divulgar em quanto pretendem aumentar seus
projetos.
Somente
38% das empresas que desenvolvem projetos sociais elaboram relatórios
periódicos

desses projetos. Nestas empresas, a
responsabilidade de elaboração dos documentos cabe à própria empresa em 80% dos
casos. Nos restantes 20%, não se informou de onde partem.
O
levantamento quanto à divulgação de ações sociais nos últimos três anos revelou
que 62% das empresas divulgaram suas ações sociais nos últimos três anos. Neste
caso, são beneficiadas pelos resultados positivos do Marketing Social.
Quanto
à forma que as empresas usam para divulgar suas ações sociais, a mais utilizada
é a publicação de informativos ou jornais internos. Ao que parece, a maioria
aposta na divulgação “de dentro para fora”, denotando timidez quanto a uma
divulgação em massa para o público externo..

Ao
serem indagadas sobre a possibilidade de serem criadas leis de incentivos
fiscais para as empresas, no tocante aos investimentos a ser realizados em
Projetos Sociais, houve unanimidade de respostas positivas.
Dentre
as empresas que desenvolvem Projetos Sociais, 85% publicam o Balanço Social. No
entanto, a obrigatoriedade da publicação de balanço social não é bem vista por
31% destas empresas que opinaram no sentido de que o balanço deva ser publicado
se a empresa sentir necessidade e não como uma norma a ser cobrada.
Verificou-se,
ademais, que 54% destas mesmas empresa fazem uso de marketing social para divulgar
seus Projetos Sociais, porém, demonstrando preocupação com a discrição nessas
divulgações.
Outro
reflexo da “timidez“ da divulgação das ações está na pouca quantidade de
pesquisas realizadas junto ao público para constatar o reflexo de seu marketing
social, já que apenas 31% das empresas utilizam estas pesquisas. Mais uma vez
aparece aqui o receio de transparecer ações de interesse comercial, o que
poderia significar algo negativo para as empresas.
Os
resultados da pesquisa apontam para uma situação de pouco interesse por ações
de cunho social no seio do empresariado cearense.
O que
ficou evidenciado no exemplo tímido das empresas que tiveram a iniciativa de
empreender no tema, foi a revelação sobre a existência de formas de trabalho
social. O que parece estar ausente é o desenvolvimento de cultura, de
mentalidade. A partir dos dados obtidos têm-se material para se dar início a um
trabalho árduo de mudança desta forma de pensar. Já que muitas empresas se
mostraram receptivas, este esforço tem grandes chances de sucesso.
Um fato
muito curioso observado, foi a aparente timidez em divulgar as ações sociais
realizadas. A divulgação aparece como uma faca de dois gumes. Por um lado, o
marketing social, que é bem visto pelos clientes que buscam empresas
preocupadas em fazer a sua parte. Por outro lado, o receio de que, se divulgadas
as ações, esta iniciativa represente autopromoção, causando então a repulsa de
um público mais conservador. Esse conflito de idéias vem travando a divulgação
das ações isoladas realizadas por uma pequena parcela do empresariado e
necessita ser resolvida.
Outra
constatação, positiva, foi a disponibilidade em desenvolver projetos de ação
social. Este fato representa um bom sinal de que há muitas empresas
interessadas em fazer a sua parte na construção de uma sociedade melhor e
colocar-se no mesmo patamar que o sul do país, onde a prática já é bem difundida.
Apesar
de muito ter se enfatizado sobre responsabilidade social, fica claro que todos
os dados expostos se referem à ação social, uma vez que o questionário se
referia somente ao tema. Por fim, é grande o número de empresas que
demonstraram não diferençar entre ação social e responsabilidade social. A
elucidação de conceitos constituiu-se em desafio para a pesquisa, onde se
buscou difundir o entendimento sobre estes assuntos. Contudo, espera-se que
tenha ficado mais clara a diferença entre os dois assuntos, que são muitas
vezes confundidos.
Pelos
resultados encontrados, fica patente que existe espaço para ação por parte das
lideranças industriais do Ceará para imprimir mudanças de atitude, através de
programas de conscientização que envolvam a divulgação dos benefícios que as
empresas poderão auferir ao se envolverem em projetos de cunho social, mormente
em se tratando de um meio populacional nitidamente carente de ajuda, onde o
Governo, por si só, tem se mostrado incapaz de enfrentar e resolver os
problemas da miséria que assola o Ceará.
Coleta, Tabulação e Análise de
dados
Empresa Júnior de Administração – UECE
Coordenação
Adrianísia de Oliveira Brito
Diretora de Desenvolvimento de Estudos e Projetos
Empresa Júnior de Administração – UECE
Equipe de Pesquisadores:
Lídia Maria Rodrigues
Paulianna Ximenez
André Luiz Machado
Professor Orientador:
Prof. Euclides Brasil
Revisão Geral do Relatório:
Prof. Hélio Bomfim de Macêdo
Agradecimentos:
Cybelle Borges – IEL
Empresa Júnior de Administração da UECE
Prof. Euclides Brasil
Prof. Hélio Bomfim de Macedo
Prof. Roberto Pinto
José Wendel
IEL
S U M Á R I O