Apresentação

 

O presente relatório apresenta os resultados da pesquisa sobre Responsabilidade Social nas Empresas filiadas à Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC, realizada pela Empresa Júnior Administração – UECE, associação composta por alunos de graduação do Curso de Administração da Universidade Estadual do Ceará.

 

O universo tomado para estudo é composto por 739 empresas localizadas na Capital e no Distrito Industrial de Fortaleza, situado no município de Maracanaú, adjacente a Fortaleza. A amostra inicial constou de um total de 196 empresas selecionadas a partir do universo considerado. Os contatos foram feitos por telefone, por fax e visitas in loco, logrando-se êxito em 140 empresas. A despeito da facilidade posta à disposição das empresas, verificou-se um grande entrave, representado pela baixa quantidade de empresas que se mostraram solícitas em devolver o questionário ou em receber os pesquisadores (90 empresas). Outro fato foi o grande número de empresas que não puderam ser contatadas (56 empresas), apesar dos esforços empreendidos pela equipe de pesquisadores.

 

Para as 140 empresas localizadas pela equipe de pesquisa, 35 empresas não responderam ao questionário e 90 empresas apresentaram as respostas aos questionários disponibilizados. Levando-se em consideração que a pesquisa deva conduzir à estimação de percentuais populacionais, pode-se afirmar que o erro máximo de amostragem dos percentuais determinados pela pesquisa situa-se em 9,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, adotando-se nível de 95% de confiança e aleatoriedade na inclusão de empresas na amostra.

 

Os resultados refletem o cenário de responsabilidade social do segmento industrial acima caracterizado, omitindo-se a identidade dos participantes e sua forma de ação social a nível isolado, bem como outras informações individuais.

 

O questionário continha 21 questões, em sua maioria objetivas, o qual foi elaborado pelo grupo de responsabilidade social composto por membros da própria FIEC, entre outros órgãos. A participação da Empresa Júnior de Administração da UECE consistiu na coleta de dados e sua tabulação, através de uma coordenadora e quatro (04) pesquisadores.

 

O trabalho de aplicação dos questionários encontrou algumas dificuldades no tocante a colaboração de algumas empresas, o que acabou gerando atrasos, posteriormente contornados. No corpo do presente relatório encontra-se a descrição do processo de aplicação em campo e tabulação, assim como uma análise do instrumento de coleta de dados.

 

As informações contidas no presente relatório podem oferecer subsídios de forma a se poder dar início a um trabalho de mudança de mentalidade e de cultura do empresariado cearense que, em desacordo com seus congêneres do sul do país, parece ainda não ter reconhecido o valor e o significado da responsabilidade social, nem adotado suas práticas como estratégia de marketing.

 

 

Conceituação

 

Durante o processo de coleta de dados, observou-se que não existe, no meio empresarial, percepção razoável sobre os conceitos de ação social e responsabilidade social. Por se tratar de assunto novo para o grande público, onde se inclui grande parte do meio empresarial cearense, os dois conceitos são confundidos ou distorcidos.

 

Para efeito de análise, foram adotados os conceitos a seguir explicitados, os quais foram enunciados no início do questionário aplicado:

 

Ação social

 

São consideradas como ações sociais as atividades de cunho filantrópico, voltadas para a comunidade ou para o corpo de funcionários e seus familiares. São exemplos de tipos de ações sociais as doações, programas de capacitação solidária, esporte e lazer, entre outros.

 

Responsabilidade Social

 

A responsabilidade social representa um conceito bastante amplo, abrangendo toda forma ética de relacionamento entre a empresa e o meio onde atua. Incluem-se neste meio os empregados, clientes, fornecedores, regulamentadores, associados e a comunidade em geral. Fazem parte da responsabilidade social da empresa o pagamento de tributos, abonos, honra a seus compromissos, clareza no tratamento com o público e respeito ao meio ambiente.

 

Marketing Social

 

Representa toda forma de divulgação das ações de cunho social desenvolvidas por uma organização, tanto a nível interno, quanto dirigida ao público em geral.

 

Funcionários Voluntários

 

São funcionários de uma organização que doam parte de seu tempo  para o desenvolvimento (engajamento) de trabalhos sociais da mesma, sem abono ou ônus.

 

É grande o percentual de empresas que caracterizam doações para instituições filantrópicas, contribuições para caixa de previdência de funcionários entre outras posturas semelhantes como sendo a “sua responsabilidade social”, quando na realidade representam ações sociais ou ainda filantropia social (dependendo do contexto da ação). Cada empresa findou por delimitar um entendimento próprio dos conceitos abordados pela pesquisa. Nesse ponto foram muito importantes as informações que o grupo pesquisador pôde perceber “além-questionário”, sendo estas de grande relevância na análise dos dados.

 

 

 

 

 

Caracterização da amostra

A representatividade da amostra em termos dos sindicatos patronais filiados à FIEC está caracterizada no gráfico a seguir e reflete a orientação do Grupo de Ação Social:


 

 

 


Embora tenha sido especificado inicialmente um quantitativo de 196 empresas a serem pesquisadas, a equipe de pesquisadores não teve acesso a 56 empresas. Das 140 empresas localizadas, verificou-se que havia repetição de enquadramento em 15 casos, por pertencerem ao mesmo grupo industrial. Houve também recusa de 35 empresas em responder aos pesquisadores, restando uma amostra final de 90 empresas efetivamente pesquisadas. Nesta amostra resultante, foram detectadas 77 empresas que não desenvolvem projetos sociais e 13 empresas que estão engajadas em tais projetos.

 


Com referência ao tamanho das empresas que responderam ao questionário apresentado, verificou-se que 53% são de grande porte, 26% são de tamanho médio e 21% são pequenas empresas, conforme mostra o gráfico a seguir:


 


Instrumento de coleta de dados

 

O questionário elaborado pela FIEC, principal instrumento de coleta de dados, constou de 21 perguntas, em sua maioria de resposta aberta. Coube, portanto, à Empresa Júnior Administração – UECE, sua aplicação em campo, tabulação e divulgação de resultados.

 

Suas perguntas estavam focadas no tema da responsabilidade social. Entretanto, aliado à falta de informação e interesse pelo tema por parte do empresariado componente da amostra, gerou uma certa dificuldade de interpretação dos resultados.

 

Melhores resultados teriam sido obtidos caso houvesse sido realizado um estudo mais aprofundado e melhor planejamento da elaboração do questionário. A constatação destas falhas ocorreu, a duras penas, durante sua aplicação, bem como durante a análise dos resultados obtidos. Fica aqui a sugestão para que tal observação seja levada em conta em futuros estudos e levantamentos.

 

Outra dificuldade prendeu-se ao pouco conhecimento sobre o tema abordado, assim como sua diferenciação de outros temas semelhantes, por parte das empresas componentes da amostra. Tal fato, como fora anteriormente citado, acabou gerando dificuldade na análise quantitativa assim como qualitativa dos dados obtidos.

 

É importante ressaltar que a maioria dos dados obtidos refere-se basicamente ao aspecto quantitativo, uma vez que a própria estrutura do questionário, concorre para tal fato. Alguns quesitos, no entanto, principalmente os referentes às empresas que chegaram a respondê-lo totalmente, foram analisados qualitativamente através de estudos posteriores ou coleta de informações em outras fontes.

 

 


 

Aplicação dos questionários

 

A aplicação dos questionários iniciou-se no mês de maio com a designação de 4 (quatro) membros de equipe de estudo (pesquisadores) e uma coordenadora de projetos para assegurar a consecução da pesquisa. Além disso, esteve com a equipe um professor orientador o qual não participava diretamente dos trabalhos, mas apenas acompanhava o processo, resolvendo eventuais dúvidas a respeito da consecução da tarefa de coleta de dados. Outro profissional realizou a análise e eventual correção do relatório final.

 

A lista de empresas contendo 196 (cento e noventa e seis) nomes foi repassada para a coordenação. A amostra foi dividida em quatro partes iguais, por zonas da cidade de Fortaleza e Região Metropolitana. A amostra não foi aleatória, mas sim determinística, sendo o critério de inclusão, a representatividade dentro de seus respectivos sindicatos.

 

Foram mantidos contatos inicialmente por telefone e, em seguida, através de envio de fax contendo, anexo ao questionário, uma carta de esclarecimento assinada pelo Dr. Jorge Parente, presidente de FIEC. Após esta primeira fase, foram realizadas visitas para recolhimento dos dados. Durante a fase de coleta de dados, muitas empresas demoraram a responder alegando falta de tempo ou desconhecimento da pesquisa. Algumas foram incluídas na amostra mais de uma vez, devido aos diferentes critérios adotados para inclusão na amostra.

 

Ocorreram atrasos pela dificuldade de acesso dos pesquisadores aos responsáveis pela área à qual o questionário se dirigia, além de baixo nível de colaboração das empresas e de desistência de um dos membros da equipe, não comunicada em tempo hábil, porém suprida pelos demais integrantes.

 

É importante citar que todos os atrasos ou eventuais problemas foram devidamente comunicados à parte contratante via notas de esclarecimento ou reuniões de trabalho realizadas durante todo o desenvolvimento do trabalho.

 

Devido aos fatores anteriormente expostos, os trabalhos de aplicação do questionário encerraram-se no mês de julho de 2001, com um retorno de 46% da amostra, ou seja, 90 questionários respondidos. Saliente-se que 29% das empresas não foram localizados pela equipe de pesquisadores e que 25% não responderam aos questionários apresentados. O presente relatório foi gerado pela coordenação da pesquisa de acordo com dados tabulados pela mesma. Os dados aqui mencionados serão mantidos em sigilo ficando sua guarda a cargo da parte contratante.

 

Os membros da equipe de pesquisadores, assim como a coordenação da pesquisa são todos alunos do Curso de Administração da Universidade Estadual do Ceará, e membros da Empresa Júnior de Administração da UECE. Os profissionais denominados professores orientadores são professores da Universidade Estadual do Ceará.

 

 

Tabulação de dados

 

O processo de tabulação de dados foi realizado pela coordenação da pesquisa, que ficou responsável por acompanhar todo o trabalho do grupo pesquisador e pôde vivenciar o processo e realizar o processamento dos dados coletados

 

A amostra

 

O universo foi composto pelo total de empresas filiadas à FIEC, localizadas na capital e região metropolitana, ou seja, 739 empresas de todos os portes. Destas, 196 foram escolhidas para a realização da pesquisa.

 

Como resultado, após o final dos trabalhos, constatou-se que:

 

·        O total de empresas localizadas e entrevistadas pela equipe de pesquisadores foi de 140, representando 71% da amostra e 19% da população. Não foi possível contatar os 29% restantes (56 empresas).

 

·        Destas, apenas 90 empresas (46% da amostra) responderam ao questionário por completo.

 

·        Houve 15 empresas que se enquadraram em dois casos: ou eram empresas que pertenciam a um grande grupo, com apenas um responsável (ou área responsável) pela área social, ou eram empresas incluídas na amostra em mais de um sindicato. Algumas destas puderam ser substituídas na amostra, mas nem todas puderam colaborar com a pesquisa.

 

·        Um número pequeno de empresas (quatro casos) que, por terem suas filiais em outros estados, enviaram o questionário aos responsáveis, mas não deram retorno em tempo hábil para inclusão na amostra.

 

·        Houve também abstenções declaradas (também quatro casos), quando empresas se recusaram a participar da pesquisa alegando total desinteresse pelo tema. Outras seis empresas, ao serem abordadas pelo grupo pesquisador, afirmaram não poder colaborar, pois se encontravam em reforma.

 

 

 

 

 

Analisando-se o número de empresas que se mostraram interessadas em colaborar com a pesquisa, tem-se um resultado negativo, pois foi baixo o índice de colaboração (46%), o que confere representatividade limitada aos dados, já que apresenta erro técnico máximo de amostragem de 9,7 pontos percentuais em cada direção, no tocante aos percentuais calculados. Apesar de o número de respostas positivas ser relativamente pequeno, as informações fornecidas pelas empresas permitem a realização de muitas discussões e posteriormente, talvez, ensejem a realização de atividades de conscientização acerca do tema. A seguir, apresentamos os resultados obtidos questão por questão..


 

Ação social voltada para a comunidade

 


Das 90 empresas que responderam ao questionário, 13 afirmaram desenvolver projetos de ação social voltados para a comunidade, representando 14% das respostas. Esse número mostra a pouca iniciativa do empresariado com o tema, uma vez que é pequeno o número de empresas que declararam já vir realizando ações de tal natureza. Muitos apontaram a presente crise de energia pela qual o país vem passando como principal fator desse quadro. Evidentemente, em se tratando de uma crise recém instalada, esta justificativa não corresponde à realidade dos fatos

 


Embora pareça pequeno o percentual de empresas que atua em Ação Social, deve-se levar em consideração que o tema ainda é novidade para a maioria dos empresários. Ademais, para os 86% (77 empresas) que não tem experiência em projetos de Ação Social, constatou-se que 34 empresas (44%) empresas desejam atuar em ações sociais, embora aleguem falta de recursos financeiros para tal.

 

A análise dos resultados obtidos revela, no entanto, uma potencialidade latente de se inverter as posições de negativa a positiva, havendo perspectivas, ao nível de intenções, de investimentos em Ações Sociais, a médio prazo.

 

 

 

 


 

 

 

Interesse em desenvolver ações sociais voltadas para a comunidade: vontade de fazer, mas não ter ou saber como

 


Às 77 empresas que afirmaram não desenvolver qualquer trabalho de ação social, foi perguntado acerca do interesse em desenvolver algum trabalho de cunho social voltado para a comunidade. As respostas obtidas indicaram que 43 destas empresas, não atuantes socialmente (56%), não têm interesse de envolvimento. Outras 34 empresas (44%) demonstraram ter interesse de engajamento em projetos sociais.

 


Entretanto, afirmaram que, além da crise energética por que atravessa o país na atualidade, que dificulta a sobrevivência do próprio negócio, outro motivo para não desenvolverem ações sociais é o total desconhecimento sobre como fazer algum trabalho deste tipo. No entanto, existe a intenção declarada de estabelecer planos para investir na área social a longo ou médio prazo.

 

É válido, pois, afirmar que um programa de divulgação dos modos de atuação em projetos de Ação Social, onde se possa mostrar as vantagens de atuação em iniciativas que favoreçam socialmente a comunidade, poderá induzir a que os empresários que desconhecem o assunto venham a participar de empreendimentos do tipo social.


 

Colaboração de funcionários voluntários: ajuda interna ainda é pouca

 

O número de empresas que contam com funcionários que doam parte de seu tempo atuando em trabalhos de ação social dentro das próprias organizações ainda é inexpressivo. O número de empresas que afirmaram ter colaboradores voluntários representa um grande percentual nas empresas que afirmaram realizar trabalhos de ação social, porém, é preciso lembrar que esse número é pequeno em relação à amostra.

 


Em apoio à afirmação acima, visualiza-se, no gráfico a seguir, a quantidade de empresas onde existe a participação de funcionários voluntários. O número de empresas com colaboradores voluntários é de 54% (7 entre 13 empresas) dentre os 14% que realizam trabalhos de ação social na amostra considerada.. Outros 46% (6 entre 13 empresas) responderam que não contam com esse tipo de colaboração. Os casos afirmativos representam apenas 8% (valor aproximado) da amostra considerada enquanto que os negativos (6 empresas) representam 6% da amostra considerada.


 

 


As quantidades de funcionários voluntários disponíveis estão demonstradas a seguir:

 

 

 

No tocante ao espírito de voluntariado dos referidos funcionários voluntários, verifica-se que em 6 dos 7 casos positivos (86% dos casos), há doação de tempo livre para a prática de Ações Sociais, conforme explicita o gráfico abaixo:


 

 


Investimentos em Projetos Sociais

 

            O investimento em projetos sociais ainda é baixo. Dentre as 13 empresas que declararam os valores desembolsados, 7 informaram haver investido menos de R$ 10.000,00, representando 54% dos casos. Instados a declarar as razões do baixo volume de recursos postos à disposição para iniciativas de Ação Social, apontou-se a contenção de despesas como fator preponderante para a tímida parcela de contribuição.


 

 

 

 

 


Responsabilidade social na visão estratégica das empresas

 

Quanto à inclusão da responsabilidade social na visão estratégica das entrevistadas, o retorno foi positivo, com 50% dos resultados, dada a disposição de muitas empresas, dentre as que não realizam no momento nenhum trabalho de ação social, demonstrarem preocupação com o tema.

 

Contudo, é prudente salientar que a medição dos resultados pode ter sido afetada, muito embora tenha havido contatos com as empresas quanto ao esclarecimento da diferença entre os termos. Ademais, não pareceu estar claro, entre os responsáveis pelas respostas, a diferença entre visão de futuro e visão estratégica., que pode ter contribuído para alguma incerteza nas respostas. O que se constatou é que muitas empresas, por afirmarem que pretendem implementar programas de ação social a médio e longo prazos, os consideram visão estratégica, quando na verdade se tratam de visões de futuro. Desta forma, usou-se como critério de análise uma adaptação dos conceitos aliados às informações que a equipe da pesquisa conseguiu captar “além do questionário” no contato com as empresas.

 

Esclarecidos os pormenores, os resultados obtidos encontram-se no gráfico a seguir, com os percentuais calculados sobre o total dos 90 questionários respondidos:


 

 

 

 


 


Desenvolvimento de programas de conscientização do corpo funcional e diretoria sobre a importância do tema

 


A preocupação em desenvolver trabalhos de conscientização da importância das ações e da responsabilidade social ainda não está presente em muitas empresas, mesmo naquelas que já desenvolvem algum trabalho do gênero, não há na maioria dos casos, abertura para discussões ou debates para discussão e até mesmo a difusão do tema. O gráfico a seguir, demonstra que a grande maioria sequer teve como informar a existência de algum programa de sensibilização acerca do assunto. Apenas 14% da amostra considerada, afirmam realizar algo do gênero. Mais adiante é dado o gráfico que discrimina as formas de realização dos trabalhos de conscientização sobre responsabilidade e ação social.

Dentre as empresas que desenvolvem Programas de Incentivo à Conscientização Social, constatou-se que estas iniciativas giram em torno de debates (6% dos casos), campanhas internas (17% destas empresas) e de palestras ou reuniões sobre o assunto (22% das vezes). No entanto, a maior parte das empresas (%) deixou de indicar a modalidade de programa de incentivo que desenvolvem. A seguir, o gráfico comparativo dos percentuais citados:


 


Participação da administração superior nos projetos sociais

Quanto à participação da administração superior nos projetos sociais, não se especificou o tipo de participação, ou seja, se no nível de planejamento, acompanhamento ou execução. Para efeitos deste estudo, está sendo considerada a participação no nível de planejamento e acompanhamento, que se enquadram no nível gerencial de qualquer projeto. Nenhuma das empresas pesquisadas discriminou a participação de suas diretorias em outros níveis afora o gerencial. Verificou-se que 31% das empresas que desenvolvem programas sociais tem sua administração superior como partícipe do processo.


 


Área da empresa responsável por projetos sociais

 

Quanto à atribuição da responsabilidade pela execução dos projetos sociais das empresas, a maior freqüência coube à área de recursos humanos (24%), seguido da diretoria (19%), presidência (14%) e área de marketing (14%). A seguir o detalhamento dos percentuais observados:



 


Parcerias com outras organizações

 

Quanto à realização de parcerias nos projetos sociais, o percentual também é pequeno. Das empresas que responderam a esta questão apenas 17% delas contam com apoio de outras organizações para a realização de projetos sociais. Quanto ao restante, ou agem isoladamente (57%) ou simplesmente não souberam responder a esta questão (26%), conforme mostra o gráfico a seguir.

 


 


Parcerias em projetos sociais : com quem as empresas contam para realização dos projetos?

 

Dentre as empresas que declararam.realizar projetos em parceria com outras agentes, observou-se uma incidência de 33% de casos de parcerias entre empresas, seguida por parcerias estabelecidas com associações, clientes/fornecedores e órgãos governamentais, com 22% cada.

 


 

 


Atividades desenvolvidas em programas de responsabilidade
social


Os projetos sociais desenvolvidos englobam as atividades a seguir listadas, as quais ocorreram com as freqüências indicadas:

 


Conhecimento do prêmio de responsabilidade social a ser
concedido pela FIEC

 

Instadas a declarar sobre seu conhecimento a respeito do Prêmio de Responsabilidade Social a ser concedido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará às empresas que se destacarem em tal mister, apenas 13% dos entrevistados declaram conhecer a iniciativa, enquanto a vasta maioria (87%) desconhece ou deixou de dar resposta à indagação.

 


 

 


 


Características dos projetos sociais

 

Para as empresas que declararam desenvolver projetos sociais solicitou-se que informassem algumas características dessas iniciativas, compreendendo:

·        Tempo de implantação

·        Número de funcionários envolvidos

·        Custo

·        Número de beneficiários

·        Caracterização dos beneficiários

·        Regiões geográficas atendidas

 

A seguir, encontram-se os resultados revelados pela pesquisa.

 

 

 

Tempo de implantação dos projetos sociais

 

Verifica-se que apenas 15% das empresas pesquisadas vêm desenvolvendo projetos sociais há mais de 10 anos, o que mostra quão recente é este tipo de atividade no meio empresarial.

 

 

 


 

 

 

 

 


Número de funcionários envolvidos nos Projetos Sociais

 


Verificou-se que  a força de trabalho posta à disposição dos Projetos Sociais é relativamente pequena, uma vez que em 53% das vezes o número de funcionários envolvidos é inferior a 20 pessoas, conforme pode ser visualizado no gráfico a seguir:

 

 

 


Custo dos Projetos Sociais

 

Tendo em vista a importância da responsabilidade social nas empresas, pode ser considerado incipiente o esforço financeiro aplicado aos Projetos Sociais, já que o montante de recursos disponibilizados somente supera R$ 10.000,00/mês em 16% das empresas que desenvolvem projetos sociais.


 

 

 


Beneficiários dos Projetos Sociais

 


Levando-se em conta o tíbio volume de recursos postos à disposição dos Projetos Sociais desenvolvidos pelas empresas, apresenta-se como muito positivo o resultado alcançado em quantidade de beneficiários alcançados, uma vez que, em 39% dos casos, houve benefícios para mais de 100 pessoas. Isto leva a crer que, em termos dos custos por beneficiário, os valores devem ser relativamente baixos, ou seja, há uma socialização marcante dos resultados por beneficiário. O gráfico abaixo caracteriza a distribuição percentual do número de beneficiários dos Projetos Sociais

 


Caracterização dos beneficiários dos Projetos Sociais

 


A caracterização dos beneficiários de Projetos Sociais desenvolvidos pelas empresas se encontra no gráfico a seguir, onde se aponta a comunidade em geral como beneficiária maior (22%) dos casos e omissa no tratamento de minorias raciais, onde as populações negra e indígena estão ausentes.

 


Regiões geográficas atendidas por Projetos Sociais

 


O alcance geográfico das ações de Projetos Sociais atinge principalmente a Região Metropolitana de Fortaleza (23%), onde se concentram os estabelecimentos pesquisados, embora tenham algum alcance por todo o Estado do Ceará (8%), alcançando, inclusive, dimensão regional no território Norte/Nordeste do Brasil, com 15% dos casos.

Planos para o futuro: outros projetos a serem implementados

 

Apenas 31% das empresas que desenvolvem Projetos Sociais declararam intenções de desenvolver projetos sociais no futuro. Ainda assim, quase a metade destas empresas deverá ampliar os projetos já existentes, ao invés de empreender em outras áreas. Nas novas iniciativas foram citadas intenções de atuação apenas em favor de deficientes físicos e na área de educação ambiental.


 


Ampliação dos projetos atuais

 


Ainda no tocante a planos para o futuro, como foi já exposto, está em cogitação para as empresas muito mais o aperfeiçoamento de projetos implementados do que o investimento em novas ações. O gráfico a seguir clarifica esta afirmação. No entanto, as empresas mostraram-se muito resguardadas em divulgar em quanto pretendem aumentar seus projetos.

Relatórios periódicos dos projetos sociais

 

Somente 38% das empresas que desenvolvem projetos sociais elaboram relatórios periódicos

desses projetos. Nestas empresas, a responsabilidade de elaboração dos documentos cabe à própria empresa em 80% dos casos. Nos restantes 20%, não se informou de onde partem.

 

 

 


Divulgação das ações: a maioria prefere fazer o bem e dizer a quem

 

O levantamento quanto à divulgação de ações sociais nos últimos três anos revelou que 62% das empresas divulgaram suas ações sociais nos últimos três anos. Neste caso, são beneficiadas pelos resultados positivos do Marketing Social.

 

Forma de divulgação das ações sociais

 

Quanto à forma que as empresas usam para divulgar suas ações sociais, a mais utilizada é a publicação de informativos ou jornais internos. Ao que parece, a maioria aposta na divulgação “de dentro para fora”, denotando timidez quanto a uma divulgação em massa para o público externo..


 

 

 


Incentivos fiscais para empresas que desenvolvem Projetos Sociais

 

Ao serem indagadas sobre a possibilidade de serem criadas leis de incentivos fiscais para as empresas, no tocante aos investimentos a ser realizados em Projetos Sociais, houve unanimidade de respostas positivas.

 

 


 

Publicação do balanço social: obrigatoriedade não é apontada como ponto positivo

 

Dentre as empresas que desenvolvem Projetos Sociais, 85% publicam o Balanço Social. No entanto, a obrigatoriedade da publicação de balanço social não é bem vista por 31% destas empresas que opinaram no sentido de que o balanço deva ser publicado se a empresa sentir necessidade e não como uma norma a ser cobrada.

 

Verificou-se, ademais, que 54% destas mesmas empresa fazem uso de marketing social para divulgar seus Projetos Sociais, porém, demonstrando preocupação com a discrição nessas divulgações.

 

Outro reflexo da “timidez“ da divulgação das ações está na pouca quantidade de pesquisas realizadas junto ao público para constatar o reflexo de seu marketing social, já que apenas 31% das empresas utilizam estas pesquisas. Mais uma vez aparece aqui o receio de transparecer ações de interesse comercial, o que poderia significar algo negativo para as empresas.


 

 

Conclusões

 

Os resultados da pesquisa apontam para uma situação de pouco interesse por ações de cunho social no seio do empresariado cearense.

 

O que ficou evidenciado no exemplo tímido das empresas que tiveram a iniciativa de empreender no tema, foi a revelação sobre a existência de formas de trabalho social. O que parece estar ausente é o desenvolvimento de cultura, de mentalidade. A partir dos dados obtidos têm-se material para se dar início a um trabalho árduo de mudança desta forma de pensar. Já que muitas empresas se mostraram receptivas, este esforço tem grandes chances de sucesso.

 

Um fato muito curioso observado, foi a aparente timidez em divulgar as ações sociais realizadas. A divulgação aparece como uma faca de dois gumes. Por um lado, o marketing social, que é bem visto pelos clientes que buscam empresas preocupadas em fazer a sua parte. Por outro lado, o receio de que, se divulgadas as ações, esta iniciativa represente autopromoção, causando então a repulsa de um público mais conservador. Esse conflito de idéias vem travando a divulgação das ações isoladas realizadas por uma pequena parcela do empresariado e necessita ser resolvida.

 

Outra constatação, positiva, foi a disponibilidade em desenvolver projetos de ação social. Este fato representa um bom sinal de que há muitas empresas interessadas em fazer a sua parte na construção de uma sociedade melhor e colocar-se no mesmo patamar que o sul do país, onde a prática já é bem difundida.

 

Apesar de muito ter se enfatizado sobre responsabilidade social, fica claro que todos os dados expostos se referem à ação social, uma vez que o questionário se referia somente ao tema. Por fim, é grande o número de empresas que demonstraram não diferençar entre ação social e responsabilidade social. A elucidação de conceitos constituiu-se em desafio para a pesquisa, onde se buscou difundir o entendimento sobre estes assuntos. Contudo, espera-se que tenha ficado mais clara a diferença entre os dois assuntos, que são muitas vezes confundidos.

 

Pelos resultados encontrados, fica patente que existe espaço para ação por parte das lideranças industriais do Ceará para imprimir mudanças de atitude, através de programas de conscientização que envolvam a divulgação dos benefícios que as empresas poderão auferir ao se envolverem em projetos de cunho social, mormente em se tratando de um meio populacional nitidamente carente de ajuda, onde o Governo, por si só, tem se mostrado incapaz de enfrentar e resolver os problemas da miséria que assola o Ceará.


 

 

 

Coleta, Tabulação e Análise de dados

Empresa Júnior de Administração – UECE

 

Coordenação

Adrianísia de Oliveira Brito

Diretora de Desenvolvimento de Estudos e Projetos

Empresa Júnior de Administração – UECE

 

Equipe de Pesquisadores:

Lídia Maria Rodrigues

Paulianna Ximenez

André Luiz Machado

 

Professor Orientador:

Prof. Euclides Brasil

 

Revisão Geral do Relatório:

Prof. Hélio Bomfim de Macêdo

 

Agradecimentos:

Cybelle Borges – IEL

Empresa Júnior de Administração da UECE

Prof. Euclides Brasil

Prof. Hélio Bomfim de Macedo

Prof. Roberto Pinto

José Wendel

IEL


                                                             S U M Á R I O

 

Apresentação................................................................................................................................................................................................. 1

Conceituação................................................................................................................................................................................................ 2

Caracterização da amostra......................................................................................................................................................................... 3

Instrumento de coleta de dados................................................................................................................................................................ 5

Aplicação dos questionários...................................................................................................................................................................... 6

Tabulação de dados..................................................................................................................................................................................... 7

A amostra....................................................................................................................................................................................................... 7

Ação social voltada para a comunidade.................................................................................................................................................. 9

Interesse em desenvolver ações sociais voltadas para a comunidade: vontade de fazer, mas não ter ou saber como........... 10

Colaboração de funcionários voluntários: ajuda interna ainda é pouca......................................................................................... 11

Investimentos em Projetos Sociais........................................................................................................................................................ 12

Responsabilidade social na visão estratégica das empresas.............................................................................................................. 13

Desenvolvimento de programas de conscientização do corpo funcional e diretoria sobre a importância do tema............. 14

Participação da administração superior nos projetos sociais........................................................................................................... 15

Área da empresa responsável por projetos sociais.............................................................................................................................. 15

Parcerias com outras organizações........................................................................................................................................................ 16

Parcerias em projetos sociais : com quem as empresas contam para realização dos projetos?................................................. 16

Atividades desenvolvidas em programas de responsabilidade social............................................................................................. 17

Conhecimento do prêmio de responsabilidade social a ser  concedido pela FIEC..................................................................... 18

Características dos projetos sociais....................................................................................................................................................... 19

Tempo de implantação dos projetos sociais......................................................................................................................................... 19

Número de funcionários envolvidos nos Projetos Sociais................................................................................................................ 20

Custo dos Projetos Sociais....................................................................................................................................................................... 20

Beneficiários dos Projetos Sociais.......................................................................................................................................................... 21

Caracterização dos beneficiários dos Projetos Sociais....................................................................................................................... 21

Regiões geográficas atendidas por Projetos Sociais........................................................................................................................... 22

Planos para o futuro: outros projetos a serem implementados........................................................................................................ 22

Ampliação dos projetos atuais................................................................................................................................................................ 23

Relatórios periódicos dos projetos sociais........................................................................................................................................... 23

Divulgação das ações: a maioria prefere fazer o bem e dizer a quem............................................................................................. 24

Forma de divulgação das ações sociais.................................................................................................................................................. 24

Incentivos fiscais para empresas que desenvolvem Projetos Sociais.............................................................................................. 24

Publicação do balanço social: obrigatoriedade não é apontada como ponto positivo................................................................ 25

Conclusões.................................................................................................................................................................................................. 26