A Jazida de Itataia além de ser a de maior teor de fosfato do país (11% de P2OS) tem
como sub-produto a maior jazida de urânio brasileira (79.319 t de U3O8, medidas).
Além do mármore associado ao fosfato e urânio, ainda possui reservas de 300.000.000 m3
de mármores que podem ser lavrados para rochas ornamentais, cimento, cal, tintas e corretivo
de solo.
A jazida localiza-se no centro-norte do Estado do Ceará, município de Santa Quitéria,
distando 211 km da capital, sendo 167 km de asfalto (BR-020) até São José da Macaoca
(Madalena/Ce) e 28 Km de asfalto na CE-366, até Lagoa do Mato(Itatira/CE) e 16 km de
estrada carroçável.
As Indústrias Nucleares do Brasil S.A -INB é detentora dos direitos minerários da
jazida, que ocorre nos domínios da Fazenda Itataia, com 4.042 ha, propriedade da
INB. A fazenda é toda cercada, possui um açude com capacidade de 2.300.000 m3,
um campo de pouso com 1200 m, .para aeronaves de pequeno porte, e um
acampamento composto de alojamento, escritório, laboratório e barracões de
testemunhos de sondagens. Dispõe ainda deestaç~s meteorológica e sismográfica.
A jazida é de natureza fósforo-uranífera, ocorrendo sob a forma de colofanito
uranífero, e o corpo principal de minério ocorre numa elevação, tendo comprimento de
800 metros e largura variável de 250 a 400 metros. O minério ocorre desde a
superfície até a profundidade de 180 metros.
As reservas lavráveis do corpo principal são da ordem de 8.882.000 t de P20S e
79.319 t de U3O8, sendo 79.500.000 t de minério. Só de colofanito maciço as reservas
atingem um total de 19.300.000 t. As reservas de calcário associado ao minério são
da ordem de 32.000.000 t.
A lavra será a céu aberto e seletiva, com bancadas de 5 metros para taludes de
produção e 10 metros para taludes finais, com três frentes simultâneas de lavra. Uma
que extrai o minério mais rico (21,2% P20S) e que passa diretamente para a pilha de
homogeneização. A outra, intermediária (11,8% P2OS) e que vai passar por uma pré-
concentração, antes de ir para a homogeneização. A terceira extrai o minério mais
pobre (2,4% P20S), que vai para a pilha de rejeito.
O minério sofrerá três etapas de britagem, uma pré-concentração do minério
intermediário e uma moagem, antes de ser concentrado por flotação.
Tendo em vista que a parte mais rica do minério aflora na porção mais elevada da
jazida, existe a possibilidade de se lavrar, inicialmente, por um período de de 2 a 4
anos, o colofanito maciço, que possui teores de 21% de P2O5 e 1.500 ppm de U3Os.,
que poderia ser processado sem a utilização da fiotação. O concentrado final da
fiotação tem 34,4% de P2O5 e 2280 ppm de U3Os.
O ácido fosfórico produzido por via úmida, através do ataque de ácido sulfúrico ao
concentrado fosfático-uranífero tem 28% de P2O5 e 2000 ppm de U3Os.
Extração do Urânio do Ácido Fosfórico
A extração do urânio por separação do ácido fosfórico é feita por solventes. A
precipitação do urânio se dá sob a forma de diuranato de amônio (yellow cake). Neste
processo é recuperado o fiúor sob a forma de ácido fluossilícico.
A fase do Programa Pré-Operacional de Monitoração Ambiental e Radioproteção
Ocupacional na jazida teve início em 1982. Os tipos de amostras coletadas e
analisadas para avaliação de eventuais alterações no sistema ecológico, foram
aerossol, água potável, água subterrânea, água de superfície, água de chuva,
sedimento de corrente, solo, pasto, feijão, cana-de-açúcar, milho, leite bovino,
rapadura, erva-doce, maxixe, batata doce, mandioca, mamão, graviola, alface,
cebolinha, berinjela, cenoura, pimentão e tomate.
Ainda foram realizadas outras atividades correlatas, tais como: levantamento da flora,
levantamento dos usos de terras e águas, implantação do programa de medições
hidrológicas, instalação de estações meteorológica e sismográfica.