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Mucuripe
e Santos querem elevar volume
Participante na movimentação de 49% da produção
nacional, de 45% do mercado de consumo e de 55% do Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro, o transporte de cargas marítimo ainda amarga
participação de apenas 12% da matriz de transportes nacional.
Refém de uma política que nos últimos 50 anos prestigiou
o meio rodoviário - atual detentor de 67% da matriz modal brasileira
- o transporte de cabotagem corre atrás do "prejuízo"
e tenta dinamizar o setor no País.
Em Fortaleza, a Companhia Docas do Ceará (CDC) e o Porto de Santos
celebraram na manhã de ontem, um protocolo de intenções
a fim de agilizar o fluxo de mercadorias entre os dois destinos e elevar
o volume de cargas transportadas através dos dois terminais portuários.
"O objetivo desse acordo é promover o transporte de cabotagem,
incentivando o setor produtivo a transportar mais por via marítima",
declarou a presidente da CDC, Raquel Ximenes Marques.
Conforme disse, o Porto do Mucuripe movimentou 861 mil toneladas de
cargas no ano passado e já supera, nesse primeiro quadrimestre
de 2004, em 20,08%, a movimentação do mesmo período
de 2003. Ela anunciou ainda, investimentos de R$ 12 milhões na
dragagem do Porto de Fortaleza, cujo calado deverá passar de
10,5 metros para 14 metros de profundidade.
Palestrante do Seminário de Promoção da Cabotagem
entre os Portos de Fortaleza e Santos, Raquel Ximenes explicou que grupos
de estudo das duas entidades irão elaborar um projeto piloto
de acompanhamento das mercadorias embarcadas nos dois portos, desde
a origem até o destino final, em terra, a fim de dar ao empresário
ou produtor maior confiabilidade no sistema de transporte de cabotagem.
"Experimentem a cabotagem, façam uma experiência",
sugeriu no seminário, o diretor comercial do Porto de Santos,
Fabrízio Pierdomenico. Segundo ele, o transporte de cabotagem
é mais seguro, apresenta menor risco de avarias no produto e
é mais barato em até 20%, em termos de frete, em relação
ao transporte rodoviário, além de ser menos poluente.
Além dessas vantagens, Raquel Ximenes informa que o Porto de
Fortaleza oferece 50% de desconto na tarifa de exportação
de cabotagem e de 35% na importação, além de redução
de 25% nas taxas cobradas por estivadores, portuários e conferentes.
"Estamos visitando os empresários e mostrando a eles que
há vantagens competitivas no transporte marítimo",
informou a titular da CDC.
Apesar do leque de vantagens no transporte de cabotagem, Raquel Ximenes
reconhece, no entanto, que ainda há alguns entraves que precisam
ser superados. A escassez de navios, a dificuldade de consolidação
de cargas fracionadas em um "container" na origem e conseqüente
fracionamento no destino, e o desconhecimento dos trâmites burocráticos
são alguns desses "gargalos", esclareceu. Como forma
de resolver esses entraves, ela sugere a reestruturação
na matriz modal de transporte de carga brasileira e a regionalização
do transporte rodoviário. Ela disse que não faz sentido
transportar produtos de norte a sul do País, por via terrestre,
diante da extensão de 7.400 quilômetros de navegabilidade
da costa brasileira.
"Os sistemas de transporte - rodoviário, ferroviário
e aquaviário - devem ser integrados", defende, lembrando
que o alto preço de transporte também eleva o custo Brasil.
Fonte: Diário do Nordeste
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