Ceará entra no mercado de exportação de madeira beneficiada

No mês de novembro próximo, o Estado do Ceará entrará num mercado até então inusitado para suas vocações: o da exportação de madeira. Mesmo não sendo produtor, quatro empresas cearenses enviarão no dia 23 de novembro, para Cabo Verde, a primeira exportação de 48 metros cúbicos de muiracatiara, uma madeira do Pará transformada em portas e janelas. Orçadas em US$ 32 mil, as exportações representam a entrada do Estado no comércio internacional do setor.
O presidente do Sindserrarias, Francisco de Assis Alves de Almeida, diz que o valor exportado ainda é pequeno, mas é significativo para marcar o novo momento do segmento cearense. "Acreditamos que esse é o pontapé inicial para uma nova porta de entrada aos produtos produzidos no Estado, que necessitam cada vez mais de mercados consumidores, a
fim de continuarem competitivos", acrescenta.
Além dessa venda, que será efetivada dia 23 de novembro, já está em
negociação um novo embarque, em janeiro próximo, para a cidade de Bergamo, na Itália. Inicialmente, quatro serrarias estão à frente: Serraria Almeida Ltda., Madeireira São José, Fafi Indústria e Comércio de Madeira e Madeireira Escala.

Tecnologia da secagem


Segundo o empresário, as empresas cearenses já receberam a visita de empresários de Cabo Verde e de Bergamo, que vieram conferir o padrão de qualidade do produto. O Ceará é um dos poucos do país que domina a tecnologia da secagem, que deixa a madeira com 10% de umidade, uma exigência do padrão europeu de qualidade. Sem a secagem, a madeira fica com um nível de umidade de 38% a 45%, e susceptível a problemas como fungo e empenamento.
Há dois anos, o segmento vem mantendo negociações com potenciais mercados externos compradores, mas somente agora foi possível fechar negócio. A Serraria Almeida abriu um escritório cearense de representação, que funcionará como uma filial de vendas dos produtos do Ceará no país europeu.
O Sindserrarias mantém um quadro de 52 empresas associadas. O setor gera em

Fortaleza, capital do Estado, cerca de três mil empregos diretos e dois mil indiretos. Atualmente, o Ceará produz cerca de 9 mil metros quadrados por mês de madeira beneficiada , mas a capacidade de produção do setor é de 18 mil metros quadrados/mês.


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