Usina Siderúrgica do Ceará - Últimos contratos estão sendo definidos

Mesmo cauteloso com o anúncio de datas, o governo espera implementar o projeto em julho. Acertos com a Petrobras, sobre o fornecimento do gás natural para a usina, e o pronunciamento do BNDES acerca da liberação de US$ 110 milhões devem deflagrar a execução do projeto.

Esta é uma semana de decisões para o encaminhamento do projeto da Usina Siderúrgica do Ceará (USC). Segundo o governador do Estado, Lúcio Alcântara, o processo está bastante avançado. Amanhã mais um passo está sendo dado. O Governo do Estado senta com representantes da Petrobras para acertar mais detalhes para o fornecimento do gás natural necessário para o funcionamento da usina, e também aguarda pronunciamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a liberação de recursos da ordem de US$ 110 milhões, sendo US$ 60 milhões em financiamento e US$ 50 milhões em participação com a compra de ações.

Mesmo cauteloso com o anúncio de datas, o governo espera implementar o projeto em julho.

GÁS NATURAL - “Nesta quinta-feira, representantes da Petrobras vão estar aqui para acertar mais alguns detalhes do contrato para o fornecimento de gás natural para a usina, visto que o quesito preço já está combinado”, afirma o secretario de Infra-Estrutura do Estado, Luiz Eduardo Barbosa de Moraes, cuja expectativa de assinatura do contrato deva acontecer até maio. No total, 1,8 milhão de metros cúbicos de gás natural serão fornecidos por dia para a usina.

Segundo Moraes, a USC pagará por 1,2 milhão de metros cúbicos/dia, inicialmente negociados pelo pré-contrato com a estatal, US$ 1,25 por MMBtu (unidade térmica britânica, que mede a quantidade de energia produzida pelo gás), ou seja o preço do gás industrial na data de assinatura do termo de compromisso — US$ 2,44 por MMBtu — deduzido de um incentivo de US$ 1,19 por MMBtu concedido pelo governo do Estado. Os 600 mil metros cúbicos de gás restantes deverão ser fornecidos ao preço normal do gás industrial.

ENERGIA - Já o fornecimento de energia elétrica ficará a cargo da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco). No leilão realizado na semana que passou, a companhia deu o lance vencedor, cujo valor, sem os encargos e impostos previstos em lei, foi de R$ 81,80 por MWh. Segundo Moraes, o contrato, com duração de 20 anos, deverá ser assinado até o dia 12 de abril.

Ainda de acordo com o secretário, os contratos para o fornecimento de água também já estão bastante adiantados.

A Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos), empresa vinculada à SRH (Secretaria de Recursos Hídricos), ficará responsável pelo abastecimento de água bruta, a preço industrial, e a Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará) pelo fornecimento de água tratada, a tarifas normais de mercado.

Regina Carvalho/Anchieta Dantas Jr. - Editora de Economia/especial para Economia


PROJETO DA USC
Engenharia financeira com BNDES envolve US$ 110 mi

Segundo o governador Lúcio Alcântara, também é esperado para esta semana o enquadramento do financiamento do projeto da USC por parte do BNDES. De acordo com secretário de Desenvolvimento Econômico Régis Dias, o volume a ser disponibilizado pelo BNDES é de US$ 110 milhões, sendo US$ 60 milhões em financiamento e US$ 50 milhões em participação com a compra de ações que serão vendidas posteriormente.

O governador lembra ainda que haverá aporte financeiro de US$ 50 milhões solicitado ao BNB (Banco do Nordeste do Brasil).

“Estamos esperando uma resposta da diretoria do banco, que recebeu muito bem nossa solicitação e pretende ser parceira no empreendimento, pois, segundo eles, trata-se de um projeto estruturante e de muita importância para economia do Estado e da Região”, reforça Régis Dias.

A engenharia financeira definida para o projeto está orçada em US$ 720 milhões. Além dos recursos solicitados ao BNDES e ao BNB, já estão assegurados US$ 340 milhões do banco italiano Mediocredito Centrale (MCC) e os US$ 220 milhões restantes virão dos sócios do projeto, os grupos Danieli, da Itália, e Dongkuk Steel, da Coréia do Sul, além da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

Sobre a efetiva participação da Vale no projeto, o governador afirma que, de fato, ela é uma sócia da USC. “A Vale só não se coloca claramente nessa posição, porque ela não é a líder do projeto”, diz. “A empresa possivelmente será sócia de uma siderúrgica com investidores chineses no Maranhão, o que não exclui a participação na daqui”, acrescenta Alcântara.

Segundo o governador, o terreno onde estará encravado o projeto será mesmo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde estão sendo feitas sondagens no terreno. (RC/ADJ)
Fonte: Diário do Nordeste

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