Água de coco para exportação

Embrapa pesquisa técnicas que prolongam a vida útil do produto em até 45 dias. A industrialização da água de coco em embalagens de conveniência pode impulsionar o escoamento de cerca de 90% da produção de coco-anão verde do Brasil, atualmente estimada em 1,7 bilhão de frutos/ano, distribuídos em 90 mil hectares de área, representando cerca de 4,5% do plantio mundial. Considerado o coqueiro gigante nativo essa área pode alcançar 270 mil hectares.

"Mesmo com o aumento no consumo, grande parte da produção ainda se perde no campo em função de falta de qualidade do fruto in natura", avalia o engenheiro de alimentos Fernando Antonio Pinto de Abreu, da Embrapa Agroindústria Tropical, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, baseada em Fortaleza (CE). A maior concentração fica na Bahia, seguida do Pará, Espírito Santo, Alagoas e Ceará.

O pesquisador observa que, embora o fruto tenha uma aparência resistente, é perecível, com vida útil de 10 dias. Estudos desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria Tropical em pós-colheita, mostram a possibilidade de prolongar esse período por até 28 dias, desde que convenientemente refrigerados. "Consideradas as distâncias que o produto precisa percorrer para atingir outros mercados é importante tornar o aproveitamento industrial do coco verde mais eficiente", diz. No caso da água de coco extraída e processada (resfriada e sem conservantes) a vida útil pode alcançar de 30 a 45 dias (em bags), o que permite correr o mundo. "Assim as fronteiras ficam pequenas", diz ao assinalar que do Ceará para a Europa, são cerca de 10 dias, tempo suficiente para o processamento e transporte terrestre.

O Brasil detém tecnologias para conservação e industrialização eficientes para competir no mercado externo. "Estamos bem avançados", afirma, ao citar como exemplo o embarque de água de coco orgânica a granel para a Europa, a partir do Ceará. Até agora, foram enviados 200 mil litros, com suporte da Embrapa Agroindústria Tropical,, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

As remessas da Paraipaba Agroindustrial, empresa com investimento suíço e brasileiro, instalada no interior do estado, começaram em 2004 de forma esporádica e foram incrementadas neste início de ano, a partir dos contatos na BioFach, maior feira de agricultura orgânica do mundo, realizada no final de fevereiro, em Nurenberg, na Alemanha, que neste ano reuniu 2.035 expositores de 70 países. Fonte: Gazeta Mercantil

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