Ceará
investe na vocação de exportar
O Ceará está, aos poucos, fazendo a sua abertura de portos para
o mundo. E a boa notícia é de que, do ano passado até o
último fechamento da balança comercial de 2004, no mês passado,
o saldo tem sido favorável para o Estado. O volume de exportações
superou o de importações. Em 2003, um montante de vendas de US$
760,9 milhões (39,9% maior que o de 2002) garantiu um saldo positivo
de aproximadamente US$ 220 milhões em relação ao ano anterior.
E a expectativa para 2004 é de um crescimento de 20%, chegando a um total
de mais US$ 900 milhões. De janeiro a abril, o saldo já chega
a mais US$ 105 milhões, comparando com o mesmo período do ano
passado.
Vale ressaltar que o quadro, até 2002, não era muito animador
e foram registrados déficits sucessivos na balança comercial (veja
quadro). Qual a razão, então, para essa mudança? Na opinião
de Eduardo Bezerra, superintendente do Centro Internacional de Negócios
(CIN), órgão da Federação das Indústrias
do Estado do Ceará (Fiec), existem alguns fatores que podem explicar
o saldo positivo da balança comercial.
O primeiro, segundo ele, é a consolidação de um parque
industrial no Estado cuja vocação inicial já era para a
exportação. ''Houve uma orientação da economia cearense
de atuar fortemente no mercado externo. Foi uma opção da indústria
de transformação'', afirma. Ele também destaca o aumento
da participação dos pequenos empresários nas vendas externas.
''Houve uma mudança de cultura do empresariado pequeno, que achava que
exportar era só coisa de grandes'', diz.
O secretário do Desenvolvimento Econômico, Régis Dias, acrescenta
que a instalação das indústrias mudou a pauta de exportações.
''Há 15 anos, a pauta era basicamente extrativista-vegetal'', diz. Hoje,
de acordo com ele, produtos como calçados, têxteis, confecções
e até equipamentos metal-mecânicos têm mais valor agregado,
ajudando a aumentar o montante das vendas externas. Entre as empresas citadas
por Eduardo Bezerra, que se instalaram no Ceará com a previsão
de exportar parte de sua produção, está a fabricante de
calçados Grendene. Segundo o gerente administrativo e financeiro Emílio
Morais, 20% do total fabricado destina-se a vendas para mais de 60 países,
principalmente do Mercosul e da Europa. Com aproximadamente 19 mil funcionários
trabalhando nas filiais de Sobral, Fortaleza e Crato, a empresa mudou todas
as suas instalações do Rio Grande do Sul para cá e começou
a exportar no fim de 1996, quando consolidou sua permanência no Ceará.
Os números animadores da exportação cearense, entretanto,
não minimizam um problema detectado quando se compara a participação
do Estado nas vendas externas do País: o índice é de pouco
mais de 1%. ''É um percentual pequeno. Mas é preciso considerar
que, ainda assim, o Estado é o terceiro colocado do Nordeste. E a região
não tem tradição como exportadora'', lembra o diretor geral
do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará
(Ipece), Marcos Holanda.
Contando com o potencial existente, a meta para o Estado, segundo a Secretaria
do Desenvolvimento Econômico (SDE), é um crescimento de 20% ao
ano nas exportações. Mas os resultados até agora têm
sido mais favoráveis do que o esperado. Entre janeiro e abril, o aumento
de 2004 já chega a mais de 25%, comparando com o mesmo período
de 2003. Fonte: O Povo
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