Exportações de camarão rendem US$ 80 mi ao CE

Líder nacional em produtividade de camarão cultivado em cativeiro, com 7.676 quilos por hectare e segundo maior produtor brasileiro, com 20,1 mil toneladas embarcadas e geração de receitas de US$ 80,9 milhões em 2003, o Ceará garantiu em janeiro último, sua posição de liderança de maior exportador brasileiro, embora tenha produzido 90 toneladas a menos que o Rio Grande do Norte - maior produtor nacional. No primeiro mês deste ano, as exportações cearenses registraram 1,24 mil toneladas, gerando US$ 4,96 milhões, enquanto que o Estado potiguar exportou 1,32 milhão de toneladas, faturando US$ 4,80 milhões.
Participante de 28,7% da produção nacional de camarão, com 25,9 mil toneladas produzidas em 2003, - atrás apenas do Rio Grande do Norte, que registrou produção de 37,4 mil toneladas - o Ceará elevou em 58% sua produção, em relação a 2002, quando foram produzidas 16,3 toneladas. Os números constam no Censo da Carcinicultura em 2003, e foram apresentados na manhã de ontem, pelo presidente da Associação Brasileira de Produtores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha.
Expositor do Seminário "O Agronegócio do Camarão Marinho", realizado durante o Irriga Ceará, no Centro de Convenções Edson Queiroz, Itamar Rocha prevê para este ano, incremento de 33% na produção brasileira, que deverá saltar de 90 mil toneladas em 2003, ou US$ 225,9 milhões, para 119 mil toneladas, ou US$ 300 milhões. Ele observa porém, que esse incremento só será possível se o produtor brasileiro tiver condições de oferecer camarão de melhor qualidade, diferenciado, com maior valor agregado e apresentação diversificada e mais destacada.
Nesse sentido, ele defende maior organização por parte dos produtores, e alerta para a necessidade de maior agilização na solução dos processos de licenciamento ambiental. "A demora no licenciamento está deixando muitos produtores na clandestinidade, o que os impossibilita de captar financiamentos públicos para maior desenvolvimento do setor", protestou Itamar Rocha.
O presidente da Associação Cearense de Carcinocultura (ACCC), Ricardo Cunha Lima acrescenta que este tem sido um diferencial registrado no Rio Grande do Norte, em relação ao Ceará, o que vem fazendo com que grandes empresas, inclusive cearenses, estejam migrando para o estado potiguar. Embora o Ceará tenha registrado em 2003, crescimento de 47% no número de fazendas de camarão, com elevação do contingente de produtores de 126 para 185, o Rio Grande do Norte, é o detentor da maior área com viveiros de camarão e, portanto, o maior produtor do País.
Atualmente concentrados nos municípios de Camocim, Granja, Acaraú, Aracati, Russas e Beberibe os criatórios de camarão cearenses ocupam área de 3.376 hectares, 49,3% superior aos 2.260 hectares ocupados em 2002. A área atual de viveiros corresponde a 22,8% do total nacional, que fechou o ano passado com 14.824 hectares. Fonte: Diário do Nordeste


Criadores planejam vender camarão nos EUA

Fortaleza - Os exportadores brasileiros de camarão avaliam a possibilidade de abrir filial de suas companhias nos Estados Unidos, para fugir dos impactos negativos da ação antidumping, movida pelos pescadores do país. A idéia é que os próprios produtores possam comercializar crustáceo nos Estados Unidos, evitando a intermediação do importador.

A expectativa da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) é que pelo menos 20 empresas nacionais se instalem no mercado norte-americano até o fim do ano. Segundo informações do mercado, com a ameaça de sobretaxa ao camarão dos seis países acusados no processo - Brasil, China, Tailândia, Índia, Vietnã e Equador -, alguns importadores norte-americanos estariam pedindo uma espécie de seguro, no caso de o produto ser taxado posteriormente. "Essa medida está sendo adotada, tomando como base a remota possibilidade de haver uma taxação retroativa a 90 dias, antes da determinação preliminar da margem de dumping, que deve ser anunciada em julho", explica o advogado Luiz Cláudio Duarte, do Cameron & Hornbostel - escritório contratado pela ABCC para fazer a defesa do Brasil no processo.

Duarte observa que a história das disputas comerciais com os Estados Unidos tem demonstrado que as chances de a taxa retroagir são pouco prováveis - no últimos 30 anos, há dois casos conhecidos. "O princípio da retroatividade é aplicado em situações de burla do dumping - colocação no mercado, durante o período das investigações, de volumes de camarão muito acima da média praticada pelos países acusados - ou em caso de redução brusca nos preços no intervalo das investigações".

O presidente da ABCC, Itamar Rocha, diz que ocorre exatamente o contrário. "A redução da oferta de camarão no mercado americano provocou uma valorização de 32,6% nos preços do crustáceo", afirma. De acordo com o dirigente, desde dezembro, a cotação do quilo do camarão 80-100 (11 gramas) saltou de US$ 5,06 para US$ 6,71. "O produtores precisam aproveitar o momento para criar filiais, com perspectivas de conseguir melhores preços para o camarão nacional".

Na questão preço, o Brasil ficou na lanterna entre os 10 maiores exportadores de camarão para os Estados Unidos no ano passado. Enquanto a média paga pelo quilo do camarão no mercado americano foi de US$ 7,32, os exportadores brasileiros receberam US$ 4,33. Itamar Rocha, alerta para a importância de produtos de maior valor agregado para alavancar os preços. Em 2003, das 504,5 mil toneladas de camarão importadas pelos Estados Unidos, 50% eram produtos elaborados.

A ABCC treinou profissionais das indústrias de beneficiamento do Nordeste, para o desenvolvimento de um conjunto de 14 produtos elaborados. No segundo semestre será realizado um novo curso, para a preparação de 30 produtos de maior valor agregado. Rocha acredita que o Brasil poderá ser beneficiado com uma taxação bem inferior a países como China, Vietnã e Índia.

Ceará lidera o crescimento


- O Censo 2003 da Carcinicultura, realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) indica que o número de fazendas de criação de camarões no Brasil aumentou 33%, passando de 680 para 905. O Ceará aparece como um dos destaques no levantamento. O Estado foi o maior exportador brasileiro do crustáceo, em 2003, com 20,1 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 80,9 milhões. Também liderou o crescimento da atividade com 46,8% mais fazendas em operação. Em 2002, as exportações totalizaram 13,5 mil toneladas, com faturamento de US$ 54,7 milhões.

No Censo da associação o contingente de produtores cearenses saltou de 126 para 185, com 59 novas fazendas, acima portanto da média nacional e área de produção concentradas em Camocim, Granja, Acaraú, Aracati, Russas e Beberibe. A área cultivada no Estado cresceu 49,3%, saindo de 2.260 para 3.376 hectares, mas ainda é inferior a do Rio Grande do Norte, atualmente o maior produtor de camarão do Brasil.

O presidente da ABCC, Itamar Rocha, diz que o grande destaque do censo de 2003 foi o crescimento do uso da tecnologia. "Cerca de 90% dos produtores estão adotando técnicas como tratamento do solo, uso de berçários nos viveiros, uso de bandejas para evitar o desperdício de ração e a instalação de aeradores".
Fonte: Gazeta Mercantil

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