BURAQUEIRA E PREJUÍZOS
Protesto reivindica conclusão da BR-116

Se em tudo há um lado positivo, pelo menos em um aspecto a degradação das BRs leva vantagem: a buraqueira faz o motorista dirigir mais atento, o que diminui o número de acidentes, feridos e mortos. Em compensação, os prejuízos - que vão da manutenção dos veículos ao preço do frete e ao aumento dos assaltos - se potencializam e atingem a economia no Estado. Contra essa situação, empresários puxaram protesto no quilômetro 35 da BR-116, ontem de manhã, e bloquearam a via por 45 minutos.

Como resposta à reivindicação em torno da obra que se arrasta há sete anos, na Assembléia Legislativa foi anunciado que o orçamento de 2004 prevê R$ 20 milhões para restauração das BRs no Ceará, enquanto a necessidade real é de R$ 216 milhões.
Durante o protesto, ficou claro que não só os empresários reivindicam solução. Mesmo com a viagem atrasada devido à manifestação, caminhoneiros, motoristas de ônibus e usuários da rodovia apoiaram a iniciativa.
Estudantes de duas escolas de Horizonte prepararam faixas e cartazes, a Polícia Rodoviária Federal manteve duas viaturas no local para evitar acidentes,
o Corpo de Bombeiros deslocou uma ambulância e
políticos de Aquiraz, Pacajus, Horizonte, Itaitinga e Fortaleza prometeram cobrar ações da União.

O bloqueio causou congestionamento por uma média de quatro quilômetros. O engarrafamento só não foi maior porque o tráfego foi desviado, durante 25 minutos, para a CE-040, onde havia agentes do Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (Dert) e da Companhia de Policiamento Rodoviário (CPRV).

De acordo com a diretora executiva da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Verônica Perdigão, a degradação prejudica a chegada de matéria-prima às indústrias e o escoamento da produção para outros estados.

"Com os buracos e a obra inacabada, o investidor acaba se afastando", informou a diretora.

Quando não, é o empresário local que fica no prejuízo. Segundo o presidente do Sindicatodas Empresas de Transporte Interestadual e Intermunicipal do Estado do Ceará (Sinterônibus), Sílvio Rui Almeida, o consumo de diesel, com as estradas ruins, aumenta de 25% a 30% e o custo com pneus e peças, 40%. "As empresas é que bancam o prejuízos. A gente não repassa esse ônus para a tarifa, porque os aumentos das passagens são definidos pelo Governo", ressaltou. (Colaborou Filipe Palácio)

Marta Araújo Da Editoria de Cidade - Fonte Diário do Nordeste - 29.04.04


FALTA DE VERBA
BRs terão apenas R$ 20 milhões do Orçamento 2004

A justificativa para o estrago nas BRs cearenses, principalmente a 116 e a 020, é a falta de verba. Em 1997 as obras de restauração começaram com e até hoje não foram concluídas. E a perspectiva não é boa. Dos R$ 263 milhões que seriam necessários para cumprir os contratos de restauração e duplicação em andamento, o Orçamento 2004 prevê apenas R$ 20,12 milhões. A previsão é recomeçar os trabalhos em junho.

A informação é do coordenador substituto do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Sebastião Coriolano de Andrade. Segundo ele, a situação das rodovias federais cearenses já foi diagnosticada, relatada em ofício encaminhada ao Senado e à Câmara dos Deputados, mas nada foi solucionado. "Faço um apelo para que os deputados atuem junto à esfera central, para que sejam reforçados os recursos ainda em 2004", disse, na Assembléia Legislativa, ontem.
O coordenador substituto se refere aos R$ 20,12 milhões previstos no orçamento a serem utilizados na restauração e duplicação das BRs. Para conservação, há R$ 5,5 milhões. "(Essa verba) também não é suficiente para atender toda a rede de 2.100 quilômetros", adianta. Só para a BR-116 são três
contratos, orçados em R$ 36 milhões. Mas, com os

R$ 20 milhões, na 116 devem ser gastos R$ 12 milhões.

Sobre as licitações para a BR-020, há R$ 5 milhões, em dois trechos: R$ 1 milhão de Fortaleza ao Riacho São Gonçalo e R$ 4 milhões do Riacho a Canindé.

Sebastião de Andrade informa que os atrasos se devem à reformulação de projetos durante a obra. "Se na execução houver justificativa, a mudança é considerada. Aí a proposta vai para Brasília para o projeto ser alterado ou não. A firma pode argumentar revisão de projeto".

OBRAS

Indústrias fecham devido às dificuldades

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos do Estado do Ceará (Simagran), André Pinheiro, das 19 empresas do setor existentes no Ceará em 1997, quando começou a obra da BR-116, só restam oito. "Ninguém agüenta o custo", justifica, referindo-se à gasolina e à energia mais caras do País.

Como informa o prefeito de Horizonte, Chico César, o Município, junto com Pacajus e Aquiraz, têm cerca de 80 indústrias de médio e grande porte. No caso de Horizonte, o Prefeito afirma que há condições de receber mais investidores, mas não com as estradas danificadas. "Temos um distrito industrial com rede de água, energia, esgoto. Mas quando o empresário vem de carro, desiste", lamenta. Só em Horizonte são 35 indústrias que empregam 15 mil empregados. Desses, 5.000 são de outros municípios.

Quem depende das estradas para trabalhar afirm a que existem dois países no Brasil. A divisa figurada estaria em Minas Gerais. Do norte do Estado para cima seria um país com estradas em péssimas condições e, dali para baixo, uma realidade que beneficia as regiões Sudeste e Sul. Mas, independente da metáfora, o fato é que, no Ceará, o estado das rodovias está fazendo indústrias fecharem as portas ou deixarem de investir aqui.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria Metal-Mecânica e Elétrica do Estado do Ceará (Simec), Valdelírio Soares, das 80 indústrias vinculadas à entidade, 35 pararam de funcionar, em fevereiro, porque a matéria-prima do Sudeste não pôde chegar ao Ceará a tempo de ser iniciada a produção.
Fonte Diário do Nordeste - 29.04.04


SAIBA MAIS
Problemas ao longo dos anos

* 2 de abril de 1997 - O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) anuncia ainda para aquele mês o início das obras de duplicação da BR-116, num trecho entre Fortaleza e Pacajus

* 16 de junho de 1997 - O então ministro dos Transportes Eliseu Padilha assina a ordem de serviço da primeira etapa das obras. Total orçado era de R$ 25 milhões e o prazo de conclusão estipulado foi de 18 meses

* 25 de outubro de 1997 - Caçambeiros que trabalhavam nas obras de duplicação da BR-116 paralisam as atividades por falta de pagamento. Em 19 de novembro daquele ano, o alargamento é retomado

* 26 de fevereiro de 1998 - A população reclama dos transtornos - poeira, assaltos e congestionamentos - causados pela duplicação da BR. Na época, previa-se que, caso não houvesse mais nenhuma paralisação, as obras do primeiro trecho da via, entre os quilômetros 12 e 26, seriam concluídas até o final daquele ano

*16 de novembro de 1998 - Depois de mais uma paralisação, foram retomadas as obras na BR-116. Os cortes nos repasses dos recursos por parte do Governo Federal foram apontados como as principais causas do atraso no cronograma das obras

20 de maio de 1999 - O então presidente da Comissão de Transporte da Câmara Federal, deputado Marcelo Teixeira, confirmou não haver rubrica para a complementação das obras de duplicação da BR-116, no Orçamento da União para aquele ano

*26 de maio de 1999 - Marcelo Teixeira anuncia a retomada das obras depois de mais uma paralisação

*20 de agosto de 1999 - Obras da BR-116 são novamente retomadas. O novo prazo para conclusão do primeiro trecho foi estabelecido para o final de novembro

*29 de dezembro de 2000 - Mais uma vez a retomada das obras na BR são anunciadas

*21 de fevereiro de 2001 - Anunciada para março liberação de verbas para conclusão das obras

*25 de abril de 2001 - Empresários, comerciantes, estudantes e sindicalistas de Horizonte realizam protesto contra a situação na BR, que fica interditada por cerca de duas horas

*30 de outubro de 2001 - Quatro anos e quatro meses após o início das obras de ampliação da BR-116, os primeiros dois quilômetros da via são liberados para o tráfego, mesmo ainda faltando as sinalizações vertical e horizontal

*8 de janeiro de 2003 - Suspensa licitação para restauração da duplicação da BR-116

*28 de março de 2003 - Possibilidade de retomada das obras é anunciada

*28 de julho de 2003 - Ministério dos Transportes anuncia liberação de verba para obras, mas a retomada dos trabalhos é vista com descrença

*10 de agosto de 2003 - Dnit promete fim das obras para fevereiro de 2004
Fonte Diário do Nordeste - 29.04.04


Protesto interdita a BR-116 por 50 minutos
Humberto Ilo da Redação

A BR-116 foi interditada, por 50 minutos, na manhã de ontem, por causa de um protesto organizado por empresários e funcionários públicos, com apoio de prefeituras da região. O objetivo da manifestação é melhorar o estado de conservação da BR-116

A interdição por mais de 50 minutos da BR-116, no quilômetro 35, em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, foi a forma que empresários de indústrias e do setor de transportes, funcionários públicos, estudantes, e usuários da rodovia encontraram para chamar a atenção das autoridades federais. O objetivo era melhorar as condições da BR, cheia de buracos e com trânsito prejudicado pelas obras de duplicação da estrada, atualmente paradas.
Por volta das 8h30min de ontem, caminhões e carros fecharam a BR, na localidade de Coluna. A Polícia Rodoviária Federal acompanhou a manifestação.
Ao fim dos protestos, a fila de carros atingiu um quilômetro no sentido Fortaleza-Horizonte, e mais que o dobro na direção contrária.
''Essa atividade materializa a indignação de quem sofre com o atual estado da BR'', define Waldelírio Soares, presidente do Sindicato da Indústria Metal-Mecânica do Ceará. ''O objetivo é fa zer o governo federal nos enxergar, perceber que a economia do Estado está sendo prejudicada'', afirma Verônica Perdigão, da diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

''Quem vai investir onde não há infra-estrutura?, questiona Verônica. O aumento nos custos de produção - pelos gastos com manutenção de veículos e combustível, aumento no preço do frete, entre outros motivos - causado pela buraqueira pode resultar em produtos mais caros ao consumidor.

O mau estado da BR afeta a produção, da aquisição de matéria-prima ao escoamento do que é fabricado, passando pelo deslocamento de funcionários. ''Esperamos não ser necessário, mas vamos ser mais incisivos em nossos protestos'', diz a empresária. Os manifestantes e deputados estaduais participaram de audiência pública, depois do protesto, na Assembléia Legislativa, em Fortaleza.

''Não se justifica essa demora das obras. Creio que haja um problema operacional, na burocracia do ministério (dos Transportes). Cabe essa pressão da sociedade, e de políticos de oposição ou situação, para arrumar recursos para imediata conclusão da obra'', afirma o deputado estadual Artur Bruno (PT).

Os transtornos à sociedade causados pelo mau estado da rodovia foram destacados na manifestação. Muitos professores de escolas municipais de Horizonte moram em Fortaleza e chegam para aula até meia hora de atraso, como afirma a professora Conceição Alves. Ela, outras professoras e alunos da escola Manoel Felipe dos Santos participaram do protesto na BR.

O prefeito de Horizonte, Chico César de Sousa (PSDB), aponta que, além dos prejuízos pela falta de investimento na indústria, a sociedade como um todo é atingida. Ele aponta as dificuldades de deslocamento entre o município e Fortaleza como razão de preocupação, como em casos de encaminhamento de pacientes a hospitais na Capital. ''Mesmo trabalhadores, estudantes de Horizonte, que moram em Fortaleza ou n o próprio município, têm sofrido com a situação''.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Intermunicipal e Interestadual do Ceará, Silvio Rui Almeida, diz que entre Pacajus e Fortaleza o tempo da viagem aumentou de 50 min para 90 minutos. Fonte: Jornal O Povo


Malha rodoviária: Superintendente do Dert confirma utilização de recursos no Ceará

O Superintendente do DERT, Paulo César de Pinho, afirma na Assembléia Legislativa, que o Estado do Ceará tem destinado os recursos necessários para a reparação da malha rodoviária. Ele diz também que o Governo Federal tem atrasado o repasse de verbas, o que dificulta a restauração das estradas federais. O representante do Dnit, Sebastião Coriolano, afirma que as nossas rodovias se encontram nessa terrível situação porque não chegou dinheiro suficiente
Fonte: Jornal O Povo


Obras paradas desde 2002

O trecho para o qual o protesto de ontem reivindicou melhorias está entre os piores da BR-116 no Ceará. Entre os quilômetros 14 e 49 da rodovia federal, o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) recomenda cuidado aos motoristas, o mais elevado grau de alerta do órgão. Nessa parte da estrada há buracos, remendos e grande movimento de veículos pesados. O trânsito na BR-116 entre Fortaleza e Pacajus fica ainda mais complicado por causa das obras paradas de duplicação da rodovia. As obras começaram em 1997 e estão paralisadas desde o fim de 2002.

De acordo com o coordenador substituto da 3ª Unidade de Infra-estrutura Terrestre do Dnit, Sebastião Coriolano, entre os quilômetros 26 e 53 da BR-116 há R$ 8,5 milhões empenhados para a construtora responsável realizar a duplicação. ''Falta a empresa receber um projeto de readequação. A partir do meio do ano deve recomeçar''. Nesse trecho, a duplicação está 5% p ronta. ''São necessários R$ 100 milhões'', afirma Coriolano.

Entre os quilômetros 12 e 26, onde as obras estão 70% concluídas, são necessários R$ 18 milhões para o término. Mas, de acordo com o Dnit, não há dinheiro previsto no orçamento da União para o trecho. Coriolano diz que a entrega da duplicação está prevista para 2005, ''mas depende de alocação de verbas''.

Segundo Coriolano, do quilômetro 314 ao 418 da BR-116, entre Jaguaribe e Ipaumirim, há R$ 12 milhões reservados para restauração. Nesse trecho, o Dnit também recomenda cuidado. Um quarto trecho com alerta de cuidado, entre Milagres e Jati, não conta com verba no orçamento. O coordenador substituto informa que R$ 4 milhões também devem ser destinados à BR-020, entre Canindé e Fortaleza, e R$ 1 milhão, para a duplicação de uma ponte, no quilômetro 204 da BR-116. Fonte: Jornal O Povo