Atualizado em 31/10/2005
 

Luz na Amazônia Legal

Mais de 1500 pessoas que vivem à beira de rios e igarapés no Estado do Amazonas terão  acesso à eletricidade  graças ao Projeto Ribeirinhas, que usa recursos naturais para gerar energia elétrica de forma sustentável.


Cerca de 25 comunidades
localizadas na Amazônia Legal podem ouvir rádio ou acompanhar novelas pela TV graças ao Projeto Ribeirinhas, que está levando energia elétrica a comunidades isoladas na Região Amazônica. O projeto, concebido pela Eletrobrás em 2000, é coordenado pela Diretoria de Engenharia da empresa, por meio do departamento de Planejamento e Operação de Sistemas Isolados. Participam, também, o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a Companhia Energética do Amazonas (Ceam). 

Esse projeto tem como objetivo principal o aproveitamento dos recursos naturais renováveis existentes em diversas localidades do interior do Estado do Amazonas para geração de energia elétrica de forma sustentável. O custo do programa é estimado em R$ 2,2 milhões.

Grande parte da população da Amazônia Legal vive em pequenas comunidades formadas por, no máximo, 20 residências, localizadas às margens dos rios e igarapés. São as chamadas “comunidades ribeirinhas”. Afastadas dos grandes centros produtores, tendo esses cursos d’água como única via de transporte, elas vivem da pesca, agricultura e artesanato.

Por causa das difíceis condições de acesso, do tipo de solo, regime de chuvas e da dispersão dos domicílios, o fornecimento de energia elétrica mediante extensão de rede é praticamente inviável. A alternativa é testar a viabilidade técnica-econômica e sócio-ambiental de utilização de micro-sistemas de geração, utilizando recursos energéticos locais para produção descentralizada de eletricidade.

Caminhos

Na primeira fase do projeto, quando foram selecionadas 30 comunidades, estudaram-se várias opções tecnológicas, levando-se em conta a viabilidade e a sustentabilidade de cada uma delas, por exemplo sistemas hidrocinéticos, eólicos, fotovoltaicos, microcentral hidrelétrica (MCH) e biomassa. Dessas tecnologias, apenas as três últimas foram selecionadas como viáveis nas áreas previamente estudadas.

Para dar início a esse atendimento elétrico, identificou-se a tecnologia fotovoltaica como a mais simples de ser adotada nesse início do projeto, além de ter se apresentado como a opção mais econômica, em muitas situações de comunidades isoladas, quando  considera a grande dispersão na distribuição dos domicílios. Essa tecnologia consiste na instalação de painéis fotovoltaicos, individualmente em cada residência, para captar energia solar. A esses painéis são associados uma bateria, um conversor e um controlador de carga, permitindo o atendimento em tensão convencional (120 volts). Durante o dia, esse sistema permite a utilização de eletricidade por intermédio da energia gerada diretamente pela luz do sol; à noite, usa a energia que foi armazenada pela bateria. O sistema tem capacidade para atender até três pontos de luz, um rádio, um televisor de baixo consumo e um receptor via satélite com antena parabólica, limitado a um período diário de utilização.

As duas outras tecnologias de geração de energia elétrica, que já se encontram em fase de implantação, são representadas por uma microcentral hidrelétrica (MCH) e um sistema de gaseificação. Esses dois sistemas de geração se destinam a atender
aproximadamente 60 domicílios. A MCH irá beneficiar cerca de 25 domicílios localizados na comunidade de Maracarana, no município de São Sebastião do Utumã. O acesso a essa localidade é feito via fluvial por intermédio de “voadeiras”, pequenos barcos motorizados que, nesse caso, chegam a fazer três horas ininterruptas de viagem. Atualmente, estão em andamento as atividades referentes a obras civis e rede de distribuição. Existe uma expectativa de início de operação para o primeiro trimestre de 2006.

No caso do sistema de gaseificação, serão atendidos cerca de 35 domicílios na comunidade de Nossa Senhora das Graças, no município de Manacapuru . A única forma de acesso a essa comunidade também é feita por barco. Embora esse acesso seja feito em um período bem menor
que no caso de  Manacarana, de qualquer forma inviabiliza o atendimento elétrico convencional. O início de operação desse sistema está previsto para o final deste ano.

O maior resultado esperado pelo projeto não se resume somente em oferecer energia elétrica à população ribeirinha dispersa, mas principalmente também em identificar a complexidade do atendimento a esta população e, de forma sustentável, adotar fontes alternativas na realidade amazônica.

 
Informativo eletrônico produzido pela Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) 
da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC)

Coordenador: Luiz Carlos Cabral de Morais
Redação: Luiz Henrique Campos, Ângela Cavalcante e Gevan Oliveira (editor)
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