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Cerca de 25 comunidades localizadas
na
Amazônia Legal já
podem ouvir rádio ou acompanhar novelas pela TV
graças ao Projeto Ribeirinhas, que está
levando energia elétrica a comunidades isoladas
na Região Amazônica. O projeto, concebido pela
Eletrobrás em 2000, é coordenado pela
Diretoria de Engenharia da empresa, por meio do
departamento de Planejamento e Operação de
Sistemas Isolados. Participam, também, o Centro
de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a
Companhia Energética do Amazonas (Ceam).
Esse projeto tem como objetivo principal o
aproveitamento dos recursos naturais renováveis
existentes em diversas localidades do interior
do Estado do Amazonas para geração de energia
elétrica de forma sustentável. O custo do
programa é estimado em R$ 2,2 milhões.
Grande
parte da população da Amazônia Legal vive em
pequenas comunidades formadas por, no máximo,
20 residências, localizadas às margens dos
rios e igarapés. São as chamadas
“comunidades ribeirinhas”. Afastadas dos
grandes centros produtores, tendo esses cursos
d’água como única via de transporte, elas
vivem da pesca, agricultura e artesanato.
Por
causa das difíceis condições de acesso, do
tipo de solo, regime de chuvas e da dispersão
dos domicílios, o fornecimento de energia elétrica
mediante extensão de rede é praticamente inviável.
A alternativa é testar a viabilidade técnica-econômica
e sócio-ambiental de utilização de
micro-sistemas de geração, utilizando recursos
energéticos locais para produção
descentralizada de eletricidade.
Caminhos
Na
primeira fase do projeto, quando foram
selecionadas 30 comunidades, estudaram-se várias
opções tecnológicas, levando-se em conta a
viabilidade e a sustentabilidade de cada uma
delas, por exemplo sistemas hidrocinéticos, eólicos,
fotovoltaicos, microcentral hidrelétrica (MCH)
e biomassa. Dessas tecnologias, apenas as três
últimas foram selecionadas como viáveis nas áreas
previamente estudadas.
Para
dar início a esse atendimento elétrico,
identificou-se a tecnologia fotovoltaica como a
mais simples de ser adotada nesse início do
projeto, além de ter se apresentado como a opção
mais econômica, em muitas situações de
comunidades isoladas, quando
considera a grande dispersão na
distribuição dos domicílios. Essa tecnologia
consiste na instalação de painéis
fotovoltaicos,
individualmente
em cada residência, para captar energia solar.
A esses painéis são associados uma bateria, um
conversor e um controlador de carga, permitindo
o atendimento em tensão
convencional (120
volts).
Durante o dia, esse sistema permite a utilização
de eletricidade por intermédio da energia
gerada diretamente pela luz do sol; à noite,
usa a energia que foi armazenada pela bateria. O
sistema tem capacidade para atender até três
pontos de luz, um rádio, um televisor de baixo
consumo e um receptor via satélite com antena
parabólica, limitado a um período diário de
utilização.
As duas outras tecnologias de geração de
energia elétrica, que já se encontram em fase
de implantação, são representadas por uma
microcentral hidrelétrica (MCH) e um sistema de
gaseificação. Esses dois sistemas de geração
se destinam a atender aproximadamente
60 domicílios. A MCH irá beneficiar cerca
de 25 domicílios localizados na
comunidade de Maracarana, no município de São
Sebastião do Utumã. O acesso a essa localidade
é feito via fluvial por intermédio de
“voadeiras”, pequenos barcos motorizados que,
nesse caso,
chegam a fazer três horas ininterruptas de
viagem. Atualmente, estão em andamento as
atividades referentes a obras civis e rede de
distribuição. Existe uma expectativa de
início
de operação para o primeiro
trimestre de
2006.
No caso do sistema de gaseificação, serão
atendidos cerca de 35 domicílios na comunidade
de Nossa Senhora das Graças, no município de
Manacapuru . A única forma de acesso a essa
comunidade também é feita por barco. Embora
esse acesso seja feito em um período bem menor que
no caso de Manacarana,
de qualquer forma inviabiliza o atendimento elétrico
convencional. O início de operação desse
sistema está previsto para o final deste ano.
O maior resultado esperado pelo projeto não se
resume somente em oferecer energia elétrica à
população ribeirinha dispersa, mas
principalmente também em identificar a
complexidade do atendimento a esta população
e, de forma sustentável, adotar fontes
alternativas na realidade amazônica.
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