A
ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff,
afirmou que o relatório divulgado ontem pela
AIE (Agência Internacional de Energia) sobre
a necessidade de investimentos em geração no
país não aponta para um risco de
racionamento. Além disso, o estudo
reconheceria o esforço do governo em criar um
novo modelo para o setor elétrico.
O estudo "Perspectiva da Energia Mundial
2004", feito pela agência, diz que o
Brasil terá de contar com a participação do
setor privado e com um ambiente regulatório
estável para obter os recursos necessários
para investimentos em energia até 2030.
Dilma afirmou que a própria agência
reconhece que o setor já tem um novo marco
regulatório e que os leilões de concessões
--para geração e transmissão-- mostram que
já existem parcerias no modelo "público-privado",
entre governo e empresas de energia.
Segundo a ministra, o governo brasileiro
trabalha com um cenário que exclui o risco de
racionamento até 2010. Já a agência, faz
previsões para o período 2004-2030 e não
fala na possibilidade de falta de energia no
país, o que seria uma leitura equivocada.
"Não há como alguém supor que é possível
fazer uma estimativa se vai faltar energia em
2030", disse a ministra. "Não
concordo que se use o relatório como prova de
que há um problema quando ele não diz
isso", afirmou.
Energia
nuclear
Apesar de dizer que o relatório não está
"incorreto", a ministra mostrou
divergências entre os dados da AIE e as
estimativas do governo.
A agência projeta um crescimento médio anual
do consumo de energia elétrica abaixo da
expansão do PIB (Produto Interno Bruto), de
2,5% e 3%, respectivamente, até 2030. O
ministério projeta um aumento de 4,5% no PIB
(média anual) e de 5,1% para o consumo até
2010.
"O [crescimento do] consumo de energia é
sempre maior que o crescimento do PIB em países
emergentes, como o Brasil", disse a
ministra.
Ela também disse que não vê a energia
nuclear como a opção mais viável para
ampliar o parque gerador brasileiro, como
aponta o relatório.
Segundo Dilma, o Brasil ainda utiliza apenas
24% dos recursos hidráulicos e tem como fonte
alternativa a geração termelétrica com
biomassa. Isso sem considerar a possibilidade
de integração energética com outros países
da América Latina.
"O Brasil tem outra fonte que sequer foi
mencionada aqui, que é a biomassa",
disse a ministra. "A questão da energia
nuclear está sendo posta para países que não
tem outras alternativas", afirmou.
Em relação à questão do petróleo, a
ministra também se mostrou otimista com o
aumento no consumo de álcool combustível
que, junto com o álcool misturado à
gasolina, poderia chegar no futuro a
representar 75% do combustível vendido no país.
Sobre o fato de o Brasil aparecer em 26o lugar
no ranking de desenvolvimento energético
elaborado pela AIE, a ministra disse
desconhecer a informação e que o país
deveria ser considerado um dos mais
desenvolvidos do ponto de vista energético.