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O
Brasil deverá ser novamente pioneiro na
tecnologia de extração de petróleo, mas dessa
vez em terra. Atendendo a uma encomenda da
Petrobras, a Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo (Poli/USP), em parceria com a
empresa Equacional, desenvolveu um motor linear
para substituir o bombeio mecânico convencional
usado para extrair petróleo em campos
localizados em terra e com baixa profundidade e
vazão.
Também conhecido como “cavalo-de-pau”, o
bombeio mecânico existe há mais de um século
mas tem a desvantagem de exigir um custo elevado
de manutenção.
Segundo
um dos coordenadores do projeto, o engenheiro
eletricista Ivan Eduardo Chabu, do Laboratório
de Eletromagnetismo Aplicado do Departamento de
Energia e Automação Elétricas da Poli, o
motor linear dispensará a necessidade do
cavalo-de-pau e, principalmente, de sua longa
haste de aço, que pode chegar a 1.500 metros de
profundidade.
Nesse centenário sistema, um motor diesel ou elétrico
comum aciona o cavalo, que por sua vez movimenta
a haste, que tem como função movimentar a
bomba que extrai óleo do fundo do poço. O
principal problema é a constante necessidade de
troca das hastes, por causa da fadiga do
material com que são feitas.
“O sistema que desenvolvemos junto com a
Petrobras dispensa o cavalo-de-pau e as
hastes”, explica Ivan Eduardo Chabu. “O
motor linear, acionado apenas com um cabo elétrico,
é acoplado diretamente na bomba, no fundo do poço”,
acrescenta.
A Petrobras não divulga o número de operações
de troca de hastes que realiza. Informa, no
entanto, que gasta até R$ 100 mil em cada
substituição. “O cavalo-de-pau corresponde a
68% dos poços de produção de petróleo
existentes no Brasil”, afirma Iberê Nascentes
Alves, gerente de Elevação Artificial do
Suporte Técnico da Unidade de Negócios do Rio
de Janeiro, do Departamento de Exploração e
Produção da Petrobras.
Aplicação inovadora
– A Petrobras, que detém a patente da aplicação,
poderá usar o motor linear também para extrair
óleo no mar, em poços de baixa profundidade e
vazão – um nicho de mercado inexplorado. Iberê
Alves explica que a tecnologia empregada na
extração de petróleo depende, basicamente, da
profundidade e da vazão de cada poço. No mar,
o gas lift é o sistema mais usado, mas,
por ter um custo elevado, sua aplicação é
limitada aos poços que oferecem alta produção.
“O motor linear permitirá à Petrobras
explorar óleo nos poços marítimos com menor
profundidade e vazão”, afirma.
Batizado de Mateos (Motor Assíncrono Tubular
para Aplicação na Extração de Óleo), o
motor linear começou a ser desenvolvido há
cinco anos. A Poli e a Equacional, que têm a
patente do produto, tiveram o mérito de criar
um motor capaz de trabalhar em condições inóspitas,
com temperatura e pressão superelevadas. “O
desafio foi desenvolver um motor, de apenas 114
mm de diâmetro, com a força necessária para
trazer o petróleo do fundo do poço”, afirma
o pesquisador Ivan Chabu.
Tantas vantagens fazem do um Mataeos um
produto adequado também para outras aplicações,
como para equipamentos de mineração,
bombeamento de água, marteletes de impacto,
pequenos elevadores de carga, posicionadores e
atuadores lineares.
No
caso da aplicação para extração de petróleo,
a Petrobras espera iniciar uma nova fase do
projeto em dois meses, que culminará com os
testes de campo da nova tecnologia. “A
expectativa é que, em cinco anos, tenhamos um
produto pronto para comercializarmos a patente
da aplicação”, afirma Iberê Alves.
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