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Por
Marcel Bergerman
Nos
últimos anos a sociedade brasileira passou a
conviver com o termo "Inovação", um
conceito poderoso que vem definindo o sucesso e
o fracasso de empresas e nações há mais de um
século.
Definida
no dicionário Houaiss como "aquilo que é
novo, coisa nova, novidade", na prática do
mercado, inovação é "a introdução no
mercado de um novo produto ou processo, ou de
uma versão melhorada de um produto ou processo
existente". Inovação é, então, sinônimo
de geração de riqueza para um país e sua
sociedade.
Quem
faz inovação no mundo? Para responder a essa
pergunta basta indagar: Quem oferece novos
produtos ou processos ou versões melhoradas de
produtos ou processos ao mercado e à sociedade?
Várias instituições, mas majoritariamente o
setor privado. Nos países desenvolvidos, é o
setor privado quem realiza a inovação -–
contratando milhares de cientistas e
engenheiros, financiando seus próprios laboratórios
corporativos de P&D (15.000 nos EUA, 5.000
na Coréia do Sul) e protegendo suas inovações
através de registros de propriedade intelectual
(patentes, registros de software, marcas, etc.).
Interessante e importante é notar que a
atividade de inovação nestes países deve-se
em grande parte à maciça presença de doutores
(e cientistas em geral) nas empresas, enquanto
no Brasil a maioria destes profissionais atua em
universidades.
Como anda a inovação no Brasil? Inúmeros
estudos e publicações recentes mostram que a
minoria das empresas aqui instaladas inova, ao
passo que a academia produz e publica pesquisa
em quantidades vastamente superior. Enquanto o
Brasil é responsável por mais de 1,5% da produção
científica mundial, responde por menos de 0,1%
das patentes concedidas em mercados
competitivos, como o americano.
É cada vez mais claro que uma das causas do
baixo desenvolvimento brasileiro é o desbalanço
grave do ciclo pesquisa–inovação. Nossa
timidez em inovação não gera os recursos econômicos
e sociais suficientes
para alimentar o ciclo, tornando-o
vicioso. A continuar dessa forma, até mesmo
nossos excelentes resultados em pesquisa podem
ser comprometidos no longo prazo. O próprio
presidente da República, Luis Inácio Lula da
Silva, recentemente afirmou que "inovação
é a palavra-chave do vocabulário econômico do
nosso tempo".
No Brasil, alguns institutos privados de
pesquisa e desenvolvimento, sem fins lucrativos,
vem atuando há vários anos com foco na inovação
tecnológica para o desenvolvimento das
tecnologias de informação e comunicação
(TICs) – entre eles Atlântico, Brisa, CERTI,
CESAR, CITS, CPqD, Eldorado, FITec, Genius,
LACTEC, Sapientia e Von Braun. Abrangendo todas
as regiões geográficas do país, estes
institutos começam a ocupar uma lacuna
importante no ciclo da pesquisa e inovação das
TICs, colaborando para o aumento da
competitividade das empresas nacionais e até
mesmo de multinacionais instaladas no Brasil.
As inovações geradas nos institutos podem
chegar ao mercado tipicamente através de dois
caminhos não excludentes. Empresas de médio e
grande porte contratam os institutos para
desenvolverem novas tecnologias e produtos para
posterior industrialização e comercialização
no mercado. Outro caminho possível é a criação
de empresas, os chamados spin-offs a
partir do corpo técnico dos próprios
institutos, que passam a industrializar e
comercializar as inovações no mercado. Neste
caso, as Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica
têm também um papel fundamental como parceiras
na viabilização e fortalecimento dessas
pequenas empresas inovadoras nascentes.
Os institutos privados atendem a todos os
requisitos exigidos de um agente de inovação:
corpo técnico multidisciplinar e de alto nível;
certificações de qualidade, como CMM e ISO;
gerenciamento profissional de projetos, baseado
nas severas normas do Project
Management Institute; formação contínua
de pessoal nos níveis de pós-graduação,
mestrado e doutorado; gestão séria de
contratos comerciais; e, acima de tudo, uma
vasta carteira com mais de 250 clientes
nacionais e internacionais.
Construir o ciclo virtuoso da pesquisa e inovação
é um dever de todos os atores interessados no
desenvolvimento do país: empresas, institutos,
universidades, ONGs, governo e a sociedade como
um todo. O momento é de ação, para que
possamos começar a colher o quanto antes os
benefícios e riqueza que a inovação provê.
Os institutos privados, como um dos mais sólidos
pilares nacionais da inovação, já iniciaram
este movimento e contribuirão cada vez mais
para a elevação do Brasil à categoria de país
desenvolvido.
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