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NOTÍCIA_______________________________________ 

Plano Real – 11 anos

* Por Jorge Parente Frota Júnior 

O Plano Real completou, em junho, 11 anos, com um histórico de contribuições bastante positivo.  Os seus resultados econômicos tiveram maiores impactos nos anos iniciais, especialmente na redução drástica do nosso crônico processo inflacionário e, ao contrário dos planos econômicos implementados anteriormente, contou com um conjunto de ações dentro da ortodoxia econômica bastante eficiente, largamente difundido e anunciado, com regras claras e estáveis.  Essa foi a face mais visível e aplaudida do Plano Real.

Nos últimos 11 anos, a inflação acumulada, medida pelo IPCA, alcançou a marca de 188,73%, valendo lembrar que, apenas em junho de 1994, esse índice foi de 47,43%.  A taxa básica de juros da economia, medida pela Selic, no momento atípico de lançamento do Plano Real, bateu em 124,47% ao ano, em julho de 1994.  Hoje, está em 19,75%, ainda muito alta, e, em termos reais, é uma das mais elevadas do mundo.

O Produto Interno Bruto, que é a soma de toda a riqueza gerada no país, acumulou um crescimento de 26,79%, no período de 1994 a 2004.  No mesmo intervalo de tempo, o PIB per capita aumentou 9,23%.  Entretanto, esse crescimento da riqueza pessoal ficou abaixo da expansão da população, que foi de 16,08%.  Dito de outra forma, o país não conseguiu gerar um crescimento da renda por pessoa que suplantasse o crescimento demográfico.  Além disso, contamos com uma das piores distribuições de renda do planeta.


Nos últimos 11 anos, presenciamos uma elevação da relação dívida líquida do setor público/PIB.  Em julho de 1994, esse índice havia atingido 43,51%, elevando-se para 50,1% em maio do corrente ano.  Esse crescimento deveu-se exclusivamente ao aumento da proporção da dívida interna em relação ao PIB, nada obstante o relativo sucesso do processo das privatizações.  A contribuição relativa da dívida externa, contudo, foi diminuída no período.  


No campo externo, tivemos avanços significativos.  As reservas internacionais foram bastante ampliadas no período, alcançando, agora em abril, US$ 61,6 bilhões.  As exportações mais que dobraram, atingindo valor recorde de US$ 96,5 bilhões, em 2004.  As importações não dobraram, mas alcançaram US$ 62,8 bilhões.  O nosso saldo comercial foi também recorde, com US$ 33,7 bilhões.   

Em conseqüência da intensificação do intercâmbio comercial, o grau de abertura da economia brasileira, medida pela participação da corrente do comércio internacional em relação ao PIB, passou de 14,1%, em 1994, para 26,6%, em 2004.   Esses números, ao lado dos resultados positivos no nosso balanço de pagamentos, reduziram a nossa vulnerabilidade externa e a medida do risco país.


Ao estabilizar a economia, domando a inflação crônica e mantendo a elevação dos preços em níveis civilizados, o Plano Real mudou o eixo da economia do país, permitindo a realização de um planejamento  mais eficiente das ações dos agentes econômicos (governo, empresas e famílias), no médio e longo prazos.  


Pode-se dizer que o conjunto da obra foi positivo e vitorioso, gerando benefícios para o sistema econômico, para a sociedade, em sentido amplo, e viabilizando, inclusive, uma reeleição presidencial.  Entretanto, em virtude do decurso de mais de uma década, os efeitos do Plano Real, atualmente, são apenas residuais.  Ele foi concebido para combater a inflação, não foi um plano de longo prazo.


Ao se comemorar mais um aniversário do Plano Real, cabem algumas reflexões.  O país encontra-se no limiar de um ciclo de mudanças, imprescindíveis para a manutenção de um processo de crescimento econômico sustentado.  Entretanto, ainda persistem alguns entraves que necessitam ser superados.  

Em primeiro lugar, é impraticável, do ponto de vista do empresário, manter negócios e realizar investimentos diante de uma carga tributária crescente, excessiva e asfixiante e, concomitantemente, pagar um dos mais altos juros reais do planeta.  Atuando na mesma direção, existe uma elevada carência de serviços de infra-estrutura, que encarece os custos das empresas e reduz sua lucratividade.  Isso para citar apenas as dificuldades mais evidentes.


Nada obstante essas dificuldades, continuamos a acreditar no enorme potencial do nosso país, que, ao longo dos tempos, tem-se mostrado superior aos problemas surgidos.  Para finalizar, tomamos a liberdade de alinhar algumas sugestões, ao lado da superação das dificuldades apontadas anteriormente.  

Em primeiro lugar, o governo federal poderia trabalhar com uma meta de redução ou mesmo eliminação do superávit primário, que possibilitaria a redução dos juros e a elevação dos investimentos, imprescindíveis para a retomada do crescimento econômico.  Em segundo lugar, poderia ser pensada uma forma de viabilizar uma
Lei de Responsabilidade Social, com uma concepção semelhante à Lei de Responsabilidade Fiscal, para atenuar as enormes desigualdades sociais desse país.

* Jorge Parente Frota Júnior - 
Economista e Presidente da FIEC

Informativo eletrônico produzido pelo Núcleo de Comunicação do Sistema FIEC
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Luiz Carlos Cabral de Morais - Redação:  Luís Henrique, Ângela Cavalcante e Gevan Oliveira- Editor e
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