Fortaleza,
13/07/2004
- 14h50min
Fonte: Folha Online
A
briga das tesourarias de bancos para aumentar os
ganhos no vencimento de uma dívida cambial de
US$ 989 milhões na quinta-feira pressiona as
cotações do dólar.
No fim da manhã, a moeda era negociada com alta
de 0,36%, a R$ 3,046. Na semana passada, o Banco
Central anunciou que vai resgatar integralmente
os títulos.
A Ptax (média oficial do dólar) de amanhã será
utilizada para remunerar os detentores dos títulos
na quinta-feira. Para o analista de câmbio da
corretora Souza Barros, Carlos Alberto Abdalla,
o movimento de alta deve durar até o começo da
tarde de amanhã. "A maior parte dos negócios
costuma se concentrar na parte da manhã. Depois
de elevar a cotação, as tesourarias vão
largar a posição compradora", diz.
Apesar da alta de hoje, analistas afirmam que o
movimento no mercado de câmbio está fraco.
Segundo o sócio-diretor da Pioneer Corretora de
Câmbio, João Medeiros, a moeda deve encontrar
um novo piso em R$ 3,03.
Medeiros descarta uma alta expressiva do dólar
com o vencimento da dívida cambial. "Este
mês tem muitos vencimentos, mas o mercado já
estava a par disso e as exportações continuam
a surpreender cada vez mais", afirma.
No acumulado do ano, o saldo positivo da balança
comercial chega a US$ 16,093 bilhões, um
resultado 44,6% superior ao do mesmo período do
ano passado.
Déficit
americano
O déficit comercial americano chegou a US$ 46
bilhões em maio. Esta é a primeira vez nos últimos
seis meses que o indicador dá sinais de
recuperação. Em abril, o déficit atingiu a
cifra recorde de US$ 48,3 bilhões. Os dados
foram divulgados hoje pelo Departamento de Comércio
dos EUA.
O mercado deve acompanhar de perto o anúncio de
índices de inflação norte-americanos nos próximos
dias. Na quinta-feira será divulgada a inflação
no atacado. Em maio, o índice registrou alta de
0,8%. A expectativa é de uma alta de 0,2% em
junho. Na sexta-feira, será anunciada a inflação
ao consumidor. Analistas estimam que o índice
sofra uma desaceleração de 0,6% em maio para
0,2% em junho.
Desde que o Fed (Federal Reserve, o banco
central americano) deu início ao ciclo de elevação
dos juros com o aumento da taxa para 1,25% ao
ano, analistas afirmam que os indicadores de
inflação e os dados sobre o mercado de
trabalho podem fornecer pistas sobre as futuras
decisões da instituição.