FIEC On-LINE
       ____
____                                  Notícias do Sistema FIEC

                                                                    Fortaleza,                

 

                                                                    Atualizado em 12/01/2004 

 

Home

NOTÍCIA_______________________________________ 

Incubadoras transformam cientistas em empresários

Micro e pequenas empresas brasileiras que hoje disputam um lugar nos mercados nacional e internacional nasceram em universidades e centros tecnológicos

Ao contrário do que ainda se pensa no exterior, os brasileiros não são apenas os donos da bola. São também craques de primeira linha em pesquisa e desenvolvimento de produtos. O problema é que, até pouco tempo atrás, idéias de produtos com potencial de mercado simplesmente não se concretizavam. Faltava apoio para que cientistas e pesquisadores virassem empresários. Esse quadro só começou a ser revertido a partir da instalação das primeiras incubadoras de empresas e centros tecnológicos nas universidades brasileiras. Hoje, incubadores e centros de tecnologia são dois dos mais importantes apoiadores dos pequenos negócios no Brasil.

Micro e pequenas empresas brasileiras que hoje disputam um lugar nos mercados nacional e internacional nasceram em incubadoras. Porém, antes de incubadas, elas não passavam de boas idéias surgidas das inquietas cabeças dos pesquisadores. Devidamente capacitadas, viraram bons negócios, capazes de gerar emprego e renda, e de contribuir para o aumento da arrecadação dos municípios. É o caso da Polymar Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda., de base tecnológica, sediada em Fortaleza (CE). Antes de andar com as próprias pernas, a empresa passou por um período de incubação no Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Especializada na produção de biopolímeros obtidos a partir da carapaça de crustáceos (camarão, lagosta e caranguejo), a Polymar vende para todo o mercado nacional e para o Mercosul. Os dois principais biopolímeros fabricados pela empresa são a quitosana e a quitina. A partir deles, são feitos produtos de alto valor agregado, como o Fybersan, primeiro a ser fabricado pela empresa e carro-chefe de vendas. Suplemento alimentar à base de quitosana, o Fybersan ganhou fama por causa de suas propriedades de emagrecimento. Ao ser ingerido, ele captura as gorduras dos alimentos e impede a absorção do colesterol, provocando a perda de peso.

Alexandre Cabral Craveiro, doutor em química orgânica e sócio-proprietário da Polymar, diz que sempre pesquisou os dois polímeros marinhos (quitosana e quitina), até porque eram matérias-primas abundantes nas praias do litoral cearense. Mas, para transformá-los em produto, era preciso estrutura de laboratório, além de aprendizado em gerencial e comercial. "Sem a incubadora dificilmente esse projeto teria nascido. Até porque eu era apenas um pesquisador que não tinha nenhuma vivência como empresário, e que ainda vivia naquele clima de quebra de paradigma entre o meio acadêmico e o empresarial", recorda.


No início, a Polymar ocupou uma área de 80 metros quadrados dentro da incubadora do Padetec. Com o sucesso do Fybersan essa área precisou ser ampliada para 120 metros quadrados. "Necessitamos de muita criatividade, improvisação, dedicação, inovação e motivação para, a partir do zero, começar uma produção na época quase artesanal de quitina e quitosana a partir de equipamentos criados ou adaptados por nós", diz Craveiro. O esforço, ao que tudo indica, está sendo recompensado. Hoje, além do Fybersan, a empresa fabrica outros sete produtos na área de suplementos alimentares. Além disso, é a única do país a produzir quitosana em escala industrial.


Em 2000, já com alguns produtos consolidados no mercado nacional, a empresa emancipou-se. Transferiu-se para uma área de 2.150 metros quadrados no distrito industrial de Fortaleza, em um projeto que consumiu investimentos da ordem de R$ 600 mil. Desde então, o pesquisador sente na pele alguns dos problemas diários enfrentados pelos pequenos empresários brasileiros como pouca disponibilidade de recursos e dificuldade de comercializar e divulgar os novos produtos. "O processo de gestão fora da incubadora é sempre traumático. Há até um paradoxo, porque quanto melhor for o trabalho da incubadora, mais traumático será o processo de emancipação", avalia Craveiro.


Apesar das dificuldades, a empresa, que gera 26 empregos diretos e outros 78 indiretos, continua a ganhar mercado. Recentemente, fechou contrato com uma grande distribuidora de medicamentos de Goiânia (GO), que vai distribuir um produto de alta tecnologia produzido pela Polymar. Trata-se de uma bandagem hemostática feita a partir da membrana da quitosana. O produto pode ser utilizado para estancar sangramentos em procedimentos cirúrgicos como cateterismo e angioplastia. "Depois, pretendemos popularizar a bandagem para uso doméstico e atendimentos de urgência", avisa o proprietário da Polymar, que investiu R$ 150 mil em pesquisa e fabricação do novo produto.


Apesar de preferir não dar conselhos, ele diz que não resta outra alternativa ao micro e pequeno que hoje tem uma empresa incubada e amanhã estará no mercado senão ter força de vontade e persistir. "O que não dá é para desistir na primeira dificuldade", assinala Craveiro.

Rodrigo Rievers

   

Informativo eletrônico produzido pelo Núcleo de Comunicação do Sistema FIEC
Coordenador do Núcleo de Comunicação Social:
Luiz Carlos Cabral de Morais - Redação:  Luís Henrique, Ângela Cavalcante e Gevan Oliveira- Editor e
webmaster Gevan Oliveira (CE01185jp) -  Fones: (85) 466.5434/35/36  - Fax: (85) 466.5426.

Melhor visualizado em 1024x 768