Produtores
voltados principalmente à agricultura familiar
serão o foco brasileiro da Biofach 2004, maior
evento internacional para produtos orgânicos,
que será realizado em Nurembergue, na Alemanha,
de 19 a 22 de fevereiro. O objetivo é
incentivar o comércio justo e a disseminação
do conceito da agricultura orgânica, resultando
em benefícios sociais e econômicos para o
Brasil.
Para viabilizar o estande brasileiro na Biofach,
um convênio entre a Câmara de Comércio e Indústria
Brasil-Alemanha e a APEX-Brasil (Agência de
Promoção de Exportações) foi realizado. O
Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas), as instituições não
governamentais, Planeta Orgânico e IBD
(Instituto Biodinâmico), e a BCS (Certificadora
BCS Öko-Garantie - certificadora alemã) estão
apoiando a iniciativa. A meta é levar cerca de
45 produtores, sendo 23 instalados no estande do
Sebrae, onde acontecerão rodadas de negócios
com empresários alemães.
Segundo Ricardo Villela, técnico do Sebrae
Nacional responsável pela Biofach, para
conquistar o mercado externo é preciso, antes
de tudo, ter qualidade na produção. "É
necessário mudar a visão de que os produtos
orgânicos são encontrados em pequenas
quantidades e estão apenas nas feirinhas de
final de semana. Há um mercado que demanda uma
produção mais forte e que busca um mercado bem
mais abrangente", afirmou o técnico. Ele
ressalta que os produtos orgânicos têm
conquistado novos setores. "Não é só de
frutas, verduras e legumes que sobrevive o
mercado orgânico mundial. Carnes, mel, flores,
cachaça e até cosméticos estão sendo
produzidos de forma orgânica", disse.
De acordo com dados da AECO (Associação das
Empresas Comercializadoras de Orgânicos), por
ano, o mercado brasileiro movimenta em torno de
US$ 250 milhões com produção orgânica, sendo
US$ 5 milhões só com exportação. Segundo a
AECO, essa alta se deve em função da exportação
de produtos como o açúcar, a soja e o café. O
mercado de orgânicos brasileiro representa
apenas 10% de tudo que é comercializado
mundialmente, ou seja, US$ 30 bilhões.
A perspectiva de novas exportações para um dos
principais parceiros comerciais do Brasil anima
o setor. "A maior dificuldade desse
mercado, no entanto, é a qualificação para
que um produto seja orgânico. Nem sempre o
produtor brasileiro está a par dos requisitos
necessários para que sua safra seja
certificada", explica Dinah.
Biofach 2003 -
A Biofach 2003 reuniu mais de 1,9 mil
expositores vindos de 57 países. Isso
representou um crescimento de 3% no índice de
expositores, 12% em relação ao tamanho e 6% de
visitantes circulando na feira.
O Brasil dobrou o número de
projetos - 40 em 2003 contra 20 na edição
anterior. O estande conjunto ganhou força e
ocupou 250 metros quadrados, um crescimento de
mais de 100%. A expectativa para 2004 é manter
a participação de 2003 e avaliar a
possibilidade de ampliação do estande
conjunto, uma vez que a procura de produtores
nacionais aumenta a cada mês. Mercado -
Na América Latina, segundo o pesquisador Moacir
Darolt, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPA/PR),
os países que apresentam as maiores áreas agrícolas
tanto para produção animal quanto para vegetal
orgânica são Argentina, Uruguai e Brasil.
Desde 2002, o Chile teve um salto importante na
superfície dedicada a agricultura orgânica, em
torno de 600 mil hectares, basicamente pela
certificação de áreas de pastagens.
Quanto ao Brasil, estima-se que, em 2002, o
mercado brasileiro de orgânicos tenha faturado
em torno de US$ 250 milhões, um acréscimo de
100% sobre o ano anterior. As exportações são
o alvo principal, considerando que o mercado
interno absorveu menos de 15% deste montante.
Dados do Centro Internacional de Comércio (ITC)
mostram que o mercado mundial de orgânicos
cresce a taxa média de 22,5% ao ano e as
estimativas apontam vendas globais de US$ 25
bilhões em 2005.