Fortaleza,
04/02/2004 15h24min
O Brasil é o sexto país mais empreendedor do
mundo. Praticamente, no primeiro ano do
governo Lula - 2003 - foi mantido o mesmo nível
de empreendedorismo em relação a 2002. A
novidade é que aumentou o percentual de
abertura de negócios pela percepção de
novas oportunidades do que por necessidade. Os
dados são da pesquisa GEM (Global
Entrepreneurship Monitor), que mede o
empreendedorismo em 31 países de todos os
continentes.
Os resultados foram divulgados ontem (03/02),
no auditório do Se
br
ae Nacional, pelo presidente do órgão,
Silvano Gianni, e pelo diretor técnico Luiz
Carlos Barboza. Participaram do encontro o
coordenador do projeto GEM no Brasil, Marcos
Schlemm, a presidente da organização não-governamental
Endeavor, Marília Rocca, e o cientista político
Eduardo Gianetti.
Para Gianni, a pesquisa do GEM é essencial
para o Se
br
ae. "A partir desse estudo, podemos
formular e executar programas melhor ajustados
à realidade do empreendedor. É alentador
saber, por exemplo, que aumentou o número de
empreendedores por oportunidade, comparado com
os índices por necessidade, ao contrário do
que registrará o levantamento de 2002."
O empreendedorismo
br
asileiro, em 2003, ficou uma posição acima
da verificada no ano anterior. Em 2002, o país
havia ficado em primeiro lugar em
empreendedorismo por necessidade entre os países
pesquisados. Já em 2003, o Brasil apresentou
a terceira maior população empreendedora por
oportunidade registrada pela pesquisa.
Em 2002, estimava-se que havia no Brasil 14
milhões de empreendedores. Desse total, 56%
eram empreendedores por necessidade, ou seja,
gente que perdeu o emprego formal, era
subempregado ou nem tinha emprego e teve de a
br
ir negócios para so
br
eviver; e 43% eram empreendedores atentos a
novas oportunidades de negócios.
Em 2003, o número de empreendedores
manteve-se estável. Porém, foi registrado
que os empreendedores por necessidade caíram
para 43%. Enquanto isso, o percentual de
empreendedores por oportunidades passou para
53%. Enfim, houve inversão significativa
entre os dois pólos do empreendedorismo no país.
A pesquisa no Brasil aponta barreiras para o
desenvolvimento da atividade empreendedora,
fatores favoráveis à abertura de pequenos
negócios e sugere uma série de propostas
para dinamizar o empreendedorismo nacional.
Do elenco de propostas, constam a redução da
burocracia, o acesso ao crédito, diminuição
dos custos tributários e trabalhistas,
melhoria do sistema de informações relativas
à abertura e condução dos negócios, educação
voltada ao empreendedorismo, etc.
Segundo avaliação do gerente da Unidade de
Educação e Desenvolvimento de Cultura
Empreendedora, Enio Pinto, a pesquisa mostra
uma prudência dos empreendedores
br
asileiros na abertura de novos negócios.
Segundo ele, isso se deve à elevada
expectativa com relação ao primeiro ano do
governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
"Dois mil e três foi um ano no qual o
Brasil como um todo ficou na expectativa,
aguardando mudanças positivas na economia e
nas políticas públicas em torno das micro e
pequenas empresas. Isso mostra que o
br
asileiro está menos aventureiro e calculando
mais os riscos", analisa.
A pesquisa revela, ainda, que a média de
br
asileiros que estão empreendendo, nos últimos
três anos, foi de 15%. Com relação ao
aumento do empreendedorismo por oportunidade,
Enio Pinto comentou: "Ou seja, em 2002,
as pessoas a
br
iram empresas como opção para suprir o
desemprego. Hoje, apesar da cautela dos
investidores e empreendedores, essa tendência
foi revertida."
Desde que passou a integrar a pesquisa, o
Brasil vem se destacando entre os dez
primeiros países empreendedores do mundo. Em
2000, ficou com a primeira colocação, caindo
para a 5ª, em 2001, para a 7ª, em 2002, e
subindo um ponto (6º lugar), em 2003.
A pesquisa GEM é organizada pela Babson
College (EUA) e pela London Business School
(Inglaterra) e realizada anualmente. No
Brasil, a GEM é coordenada pelo Se
br
ae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas) e pelo IBQP (Instituto
Brasileiro da Qualidade e Produtividade no
Paraná).