É
consenso de mercado a avaliação de que se o
Banco Central (BC) deixar de intervir no câmbio,
com seus leilões, seja no mercado futuro ou no
à vista, o dólar manterá sua trajetória de
queda em 2006. Neste ano, a moeda acumulou 12,4%
de perda.
Para Hideaki Iha, da corretora Souza Barros, é
difícil saber até quando o BC vai seguir
atuando no mercado, mas sem a instituição a
tendência continua sendo de queda. Para ele,
"no médio prazo, com a estimativa de juros
internos menores e externos maiores, além de um
ritmo mais fraco das exportações, pode ser que
o dólar recupere parte das perdas".
O diretor de câmbio da Pionner Corretora, João
Medeiros, concorda com a afirmação de Hideaki
e avalia que "assim que o BC sair do
mercado, o dólar desmancha". Para ele, a
autoridade monetária vai anunciar sua saída
quando encontrar o momento ideal. "Ele tem
o poder da caneta, pode alterar a política
monetária quando quiser e, geralmente, age com
parâmetros técnicos".
Para Medeiros, a taxa de juros, o desempenho das
exportações e a menor vulnerabilidade do País
são fatores que contribuem com a queda do dólar.