O
dólar avançou quase 10% nas últimas nove
sessões, impulsionado pelo movimento de
ajuste de posições por conta das atuações
diárias do Banco Central no mercado.
Nesta
segunda-feira, a divisa norte-americana subiu
1,93% e fechou a R$ 2,382, na maior cotação
desde 30 de agosto. Em nove sessões seguidas
de alta, o dólar acumula valorização de
9,42%.
Segundo
analistas, com a presença constante do Banco
Central no mercado, tanto no leilão de swap
cambial reverso quanto no leilão de compra de
dólares, as tesourarias têm optado por
reduzir suas fortes posições vendidas.
As atuações
também acabam enxugando a liquidez e
aumentando a pressão sobre o câmbio.
"É o
Banco Central que está forçando isso
(ajuste), vai depender dele, até onde ele
quer o dólar", afirmou Hideaki Iha,
analista de mercado da corretora Souza Barros.
"Enquanto
ele continuar soltando o leilão de swap e o
no spot (mercado à vista), vai mostrar que
ainda não está satisfeito com o nível de
taxa."
Nesta tarde,
o BC vendeu 9.600 contratos de swap cambial
reverso, de uma oferta máxima de 12.500, em
uma operação equivalente a US$ 461,6 milhões.
A venda desses swaps tem o efeito de uma
compra futura de dólar, e o mercado ganha
quando a variação do juro supera a do câmbio.
O BC também
realizou perto do fechamento um leilão de
compra de dólares e aceitou três propostas,
com taxa de corte de R$ 2,377.
Mas dados
divulgados pelo Banco Central nesta manhã
mostraram que as tesourarias bancárias mantêm
posição vendida em dezembro até o dia 16,
em US$ 3,51 bilhões. Em novembro, os bancos
estavam vendidos em US$ 3,42 bilhões.
Para Iha, a
explicação para o aumento da posição
vendida mesmo com o movimento contínuo de
zeragem está no fato de que muitos bancos
podem manter a aposta na queda do dólar, mas
fazerem "hedge" (proteção) no
mercado futuro para oscilações mais bruscas.
Uma mudança
brusca de posição, explica Iha, só
aconteceria por uma alteração brusca no cenário
econômico, o que não está acontecendo. O
analista acrescenta ainda um outro fator:
"Os bancos não estão vendidos nessas
taxas baixas, eles estão bem
posicionados", disse.
Iha destacou
ainda que altas acentuadas como a desta sessão
podem demonstrar um movimento chamado de
"stop loss". Os bancos trabalham com
um nível específico de dólar e, quando essa
cotação é atingida, eles preferem comprar a
moeda norte-americana antes que ela suba mais.
O diretor de
câmbio da corretora Novação, Mário
Battistel lembrou que o volume de negócios no
fim do ano costuma diminuir, o que provoca
altas "artificiais" no preço do dólar
já que qualquer compra mais significativa
pressiona o câmbio.
O
questionamento do mercado agora, segundo os
analistas, é até quando o Banco Central
continuará atuando no mercado e impulsionando
o preço do dólar.