A Confederação
Nacional da Indústria (CNI)
qualificou de decepcionante a
decisão
do
Comitê de Política Monetária
(Copom) desta quarta-feira (17
de agosto), ao manter a taxa de
juros básica inalterada em 19,75%. A
CNI
avalia
que tanto o comportamento
corrente da inflação como sua tendência
futura justificariam o início de um
ciclo de queda dos juros. Ambos
apontam para o alcance da meta
de inflação tanto em 2005 como em
2006.
Ainda
que
a
prática
conservadora do Banco Central nos últimos anos sugerisse
uma
postura
cautelosa por parte da
autoridade monetária, a decisão
de
manter
os
juros
causou
estranheza. Para a CNI, o Copom
ignorou
os parâmetros utilizados pelo
próprio Comitê quando da decisão de
elevação das taxas de juros no final
do ano passado.
A
CNI
considera importante salientar
que, contrariamente ao que possa
parecer,
a manutenção da
taxa
Selic
no nível atual não é uma ação
passiva
da
política monetária. Com a
queda da inflação futura, a taxa
real
de
juros
aumenta,
mesmo
com a taxa nominal inalterada.
Como a projeção
de mercado para
a
inflação
para os
próximos
12
meses encontra-se
em
4,9%,
a
taxa
real
de juros corrente aumenta,
sendo superior
a 14% ao ano.
Em
maio, quando do último movimento de
alta dos juros, esta taxa
estava
em 13%. A manutenção da Selic
significa, na prática, um
endurecimento da política monetária
em um momento em que se justificaria
um abrandamento do rigor monetário.