|
Além
de ajudar a reduzir a contaminação do meio
ambiente, programas de estímulo ao cultivo
alternativo da Itaipu e da CGTEE buscam melhorar
qualidade de vida dos agricultores
As
preocupações com o meio ambiente e com a
qualidade de vida dos agricultores que vivem nas
proximidades de usinas têm levado empresas do
setor elétrico a estimular o plantio de
alimentos orgânicos por meio de programas
ambientais. A Itaipu Binacional, companhia
responsável pela maior hidrelétrica do mundo,
e a Companhia de Geração Térmica de Energia
Elétrica (CGTEE) já praticam ações que
promovem a conservação da natureza e a produção
de orgânicos.
Empresa do Grupo Eletrobrás, a Itaipu
Binacional é responsável pelo Projeto de
Agricultura Orgânica na Bacia Hidrográfica
Paraná III, criado em fevereiro de 2003. O
objetivo é contribuir para minimizar os
impactos ambientais gerados pela produção agrícola
convencional, que normalmente utiliza agrotóxicos
para controle de pragas na lavoura.
Também estão entre as metas do projeto da
Itaipu o aumento do índice de qualidade de vida
dos agricultores e dos consumidores e o
fortalecimento da agricultura familiar nos 28
municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná
III (BPIII).
O programa realiza trabalhos de capacitação
para produtores rurais, técnicos e professores;
oferece assistência técnica aos agricultores;
dá apoio às pesquisas, à comercialização e
à agroindustrialização. “Com isso, hoje,
temos a formação de uma rede de assistência técnica
composta por 20 técnicos, número que pode
crescer para 40 no futuro. Essa rede já
capacitou 500 agricultores, mas até o final do
ano esse número crescerá para 1.100. A
capacitação é feita por meio de diversos
cursos, seminários e palestras”, explica João
José Passini, gestor do programa.
Segundo ele, para
2006 estão previstos mais de cem eventos que
deverão atingir cerca de mil agricultores,
ampliando ainda mais o projeto, que tem a meta
de formar 2.600 produtores orgânicos até o ano
de 2008 (10% do número de agricultores da BPIII).
O programa da Itaipu Binacional gera empregos
para agricultores da região não apenas por
causa do apoio à produção mas também pelo
estímulo à comercialização dos produtos. Além
disso, donos de propriedades que produzem orgânicos
recebem certificação participativa, ou seja, os próprios agricultores,
por meio de um Conselho de Ética, avaliam e certificam
os colegas com o Selo da Rede Ecovida. O
programa também capacita e presta assistência
técnica aos produtores.
“O cultivo de produtos orgânicos traz inúmeras
vantagens ao meio ambiente e ao homem”,
explica Moacir Darolt, pesquisador do Instituto
Agronômico do Paraná (IPAR) e doutor em meio
ambiente. Segundo Darolt, a produção orgânica
poupa a terra e a água dos produtos químicos,
como pesticidas e inseticidas, que danificam a
natureza. “Um dos problemas mais graves que
registramos é a contaminação de água nos lençóis
freáticos, afetados pela agricultura
convencional, à base de agrotóxicos”, diz
Daroult.
Além disso, o pesquisador chama a atenção
para a vantagem de levar às famílias que moram
no campo a tecnologia de agricultura de orgânicos.
“É muito importante que essas pessoas já
comecem a cultivar sem trazer prejuízos
duradouros à natureza. A idéia é que a técnica
do cultivo do orgânico seja passada para as
futuras gerações e, daqui a alguns anos, a
agricultura convencional acabe”, completa.
O projeto atua ainda junto às universidades da
região, com cursos de capacitação voltados
para acadêmicos e apoio a trabalhos de pesquisa
ligados à agroecologia, desenvolvidos pelas
instituições. “Atualmente existem quatro
projetos que contam com o apoio do Projeto de
Agricultura Orgânica por meio de um convênio
com a Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste)”,
explica Passini.
A CGTEE – outra controlada da Eletrobrás –
tem um programa similar: o Projeto Quintais de
Frutas Orgânicas. Iniciado em dezembro do ano
passado, o projeto tem como objetivo capacitar técnicos
e agricultores, selecionando áreas para a
instalação de cem quintais frutíferos orgânicos
a partir do processo participativo dos
produtores e com tecnologia da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa).
Os quintais servem para dar subsídios a
pesquisas e, ainda, como estratégia de segurança
alimentar para a população. Além de garantir
a subsistência, têm um papel importante na
captura do carbono da atmosfera renovando o meio
ambiente.
O projeto é realizado nas áreas de Hulha
Negra, Candiota, Piratini, Pelotas, Aceguá e
Porto Alegre e atinge aproximadamente
cem propriedades de assentamentos rurais,
comunidades quilombolas (descendentes dos
habitantes de antigos quilombos), assentamentos
urbanos e uma reserva indígena. |