Alimentos contêm alta maior do IPCA em março; Selic deve ser reduzida em apenas 0,75 P.P.

Fortaleza, 07/04/2006 - 13h55
O IBGE divulgou hoje (07/abr) os resultados do IPCA referentes ao mês de março. O indicador registrou alta de 0,43% e ficou ligeiramente superior ao resultado observado em fevereiro (0,41%). O resultado ficou dentro da média das projeções do mercado (0,4%) e acima de nossa expectativa (0,3%).

O núcleo do IPCA, calculado a partir das médias aparadas com suavização, apresentou leve recuo em março ao registrar 0,45% contra 0,46% em fevereiro. Em termos anualizados, o núcleo ficou em 5,5% e permaneceu acima da meta de 4,5% deste ano, mas já está em trajetória cadente há quatro meses.

O principal fator que manteve o IPCA pressionado em março foi a elevação do preço dos combustíveis, que contribuiu com 0,29 ponto percentual (álcool com 0,12 p.p e gasolina com 0,17 p.p.). Como destacou o IBGE, juntos os combustíveis foram responsáveis por 67% do resultado geral do IPCA.

O resultado do IPCA só não foi mais forte em decorrência da nova deflação apurada pelo grupo Alimentação e Bebidas, que registrou queda de 0,24% em março após deflação de 0,28% em fevereiro. Se o grupo tivesse registrado variação nula (0%), o IPCA teria ficado em 0,48%.

A manutenção do grupo Alimentação em terreno negativo deveu-se, principalmente, pela queda dos preços do complexo carne, com destaque para a carne bovina (-1,24%) e carne de frango (-12,15%), que reflete as dificuldades enfrentadas pelo setor, em virtude dos problemas gerados pela gripe aviária e pelos recentes embargos da carne bovina, em decorrência dos focos de febre aftosa.


IPCA versus Copom

Os consecutivos recuos do núcleo do IPCA, bem como as deflações registradas nos IGPs (a menor variação para um primeiro trimestre desde 1944) e as expectativas para a inflação deste ano, em linha com a meta de 4,5%, confirmam nossa tese de que tanto a inflação contemporânea quanto a inflação prospectiva estão sob controle e amparam com segurança uma redução da taxa de juros básica (Selic) de até 1,0 ponto percentual, como desejavam três diretores do Bacen na reunião de março.

Entretanto, a Austin Rating acredita que o Bacen/Compom irá optar por "conservar" seu gradualismo e reduzir a taxa Selic em apenas 0,75 p.p. na reunião de abril, que ocorrerá nos dias 18 e 19. A aposta da Austin Rating se apóia nas diversas sinalizações feitas pelo BACEN através de sua comunicação com o mercado (Atas e relatório de inflação), bem como pelos recentes eventos que forçam o presidente do Bacen, Henrique Meirelles, a reafirmar sua autonomia. Primeiro foi a troca do Ministro da Fazenda com a entrada de Guido Mantega, o qual é declaradamente contrário ao gradualismo empregado na condução da política monetária e, mais recentemente, as mudanças em algumas diretorias do BC.


Outras informações: Austin Rating - teleone: (11) 3709-1500

 

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