O
IBGE divulgou hoje
(07/abr) os resultados
do IPCA referentes ao
mês de março. O
indicador registrou
alta de 0,43% e ficou
ligeiramente superior
ao resultado observado
em fevereiro (0,41%).
O resultado ficou
dentro da média das
projeções do mercado
(0,4%) e acima de
nossa expectativa
(0,3%).
O núcleo do IPCA,
calculado a partir das
médias aparadas com
suavização,
apresentou leve recuo
em março ao registrar
0,45% contra 0,46% em
fevereiro. Em termos
anualizados, o núcleo
ficou em 5,5% e
permaneceu acima da
meta de 4,5% deste
ano, mas já está em
trajetória cadente há
quatro meses.
O principal fator que
manteve o IPCA
pressionado em março
foi a elevação do
preço dos combustíveis,
que contribuiu com
0,29 ponto percentual
(álcool com 0,12 p.p
e gasolina com 0,17
p.p.). Como destacou o
IBGE, juntos os
combustíveis foram
responsáveis por 67%
do resultado geral do
IPCA.
O resultado do IPCA só
não foi mais forte em
decorrência da nova
deflação apurada
pelo grupo Alimentação
e Bebidas, que
registrou queda de
0,24% em março após
deflação de 0,28% em
fevereiro. Se o grupo
tivesse registrado
variação nula (0%),
o IPCA teria ficado em
0,48%.
A manutenção do
grupo Alimentação em
terreno negativo
deveu-se,
principalmente, pela
queda dos preços do
complexo carne, com
destaque para a carne
bovina (-1,24%) e
carne de frango
(-12,15%), que reflete
as dificuldades
enfrentadas pelo
setor, em virtude dos
problemas gerados pela
gripe aviária e pelos
recentes embargos da
carne bovina, em
decorrência dos focos
de febre aftosa.
IPCA versus Copom
Os consecutivos recuos
do núcleo do IPCA,
bem como as deflações
registradas nos IGPs
(a menor variação
para um primeiro
trimestre desde 1944)
e as expectativas para
a inflação deste
ano, em linha com a
meta de 4,5%,
confirmam nossa tese
de que tanto a inflação
contemporânea quanto
a inflação
prospectiva estão sob
controle e amparam com
segurança uma redução
da taxa de juros básica
(Selic) de até 1,0
ponto percentual, como
desejavam três
diretores do Bacen na
reunião de março.
Entretanto, a Austin
Rating acredita que o
Bacen/Compom irá
optar por
"conservar"
seu gradualismo e
reduzir a taxa Selic
em apenas 0,75 p.p. na
reunião de abril, que
ocorrerá nos dias 18
e 19. A aposta da
Austin Rating se apóia
nas diversas sinalizações
feitas pelo BACEN
através de sua
comunicação com o
mercado (Atas e relatório
de inflação), bem
como pelos recentes
eventos que forçam o
presidente do Bacen,
Henrique Meirelles, a
reafirmar sua
autonomia. Primeiro
foi a troca do
Ministro da Fazenda
com a entrada de Guido
Mantega, o qual é
declaradamente contrário
ao gradualismo
empregado na condução
da política monetária
e, mais recentemente,
as mudanças em
algumas diretorias do
BC.
Outras informações:
Austin Rating -
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3709-1500