Dólar inverte rumo e fecha com queda de 0,13%, a R$ 2,13

Fortaleza, 06/04/2006 - 17h10
Fonte: Valor Online
O mercado de câmbio brasileiro se descolou do cenário externo na parte da tarde, invertendo o rumo e fechando com o dólar desvalorizado em relação ao real pelo sexto pregão seguido. O fluxo positivo recursos, mais uma vez, foi o pilar para a queda da moeda norte-americana, que só não foi maior por conta da cautela dos investidores quanto à divulgação, amanhã, do número de vagas criadas no mercado de trabalho dos Estados Unidos em março.

Desse modo, a divisa fechou com baixa de 0,18%, a R$ 2,1280 na compra e R$ 2,13 na venda. Na máxima do dia, a divisa marcou R$ 2,1460 (+0,56%). No menor preço, a moeda apontou R$ 2,1260 (-0,37%). Segundo informações do mercado, o giro interbancário somou US$ 1,53 bilhão. Na roda de dólar pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a divisa indicou R$ 2,129, com decréscimo de 0,14% em relação a ontem (R$ 2,132). O volume financeiro foi de US$ 242 milhões.

De acordo com o gerente da tesouraria de um banco de investimentos em São Paulo, o segmento abriu pressionado pelo avanço das treasuries, expectativa aos dados do mercado de trabalho norte-americano e troca na diretoria do Banco Central, mas ao longo da jornada passou a mirar mais o fluxo de recursos, que segue positivo, e devolveu os ganhos da manhã. Os preços só não caíram com força em razão da expectativa pela divulgação da quantidade de empregos criados nos EUA no mês passado, nesta sexta-feira, avaliou. "Com o rendimento do treasury de dez anos rompendo níveis importantes, o investidor fica mais cautelo", explicou o profissional, que pediu para não ser identificado.

Instantes atrás, a taxa do título de dez anos do Tesouro norte-americano subia 0,045 ponto percentual, a 4,89% anuais. O avanço dos treasuries foi ampliado pela declaração do secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, ontem de que os números do mercado de trabalho serão "bons".

O estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, também relacionou a apreciação local do dólar na primeira etapa do dia à valorização da divisa no exterior, principalmente em relação ao euro, após o discurso do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, a respeito do cenário de juro na região. Segundo do dirigente da autoridade monetária européia, as expectativas do mercado sobre uma possível alta na taxa de juros em maio não refletem o sentimento do Conselho do BCE. A colocação foi feita depois de a instituição manter a principal taxa de juro da zona do euro em 2,5%.

Conforme acompanhou Lintz, tais afirmações, que foram percebidas pelo mercado como um cenário mais ameno para o juro da eurozona, favoreceram o fortalecimento do dólar perante o euro, respingando nos demais divisas que têm paridade com a moeda norte-americana. Instantes atrás, o euro cedia a US$ 1,2229.

O Banco Central também antecipou a atuação na ponta de compra do segmento de câmbio comercial à vista hoje. Das 11h33 às 11h43, a instituição adquiriu dólares a R$ 2,1340. De acordo com agentes, o BC acatou 13 propostas e teria comprado em torno de US$ 100 milhões.

 

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