O
mercado de câmbio
brasileiro se descolou
do cenário externo na
parte da tarde,
invertendo o rumo e
fechando com o dólar
desvalorizado em relação
ao real pelo sexto pregão
seguido. O fluxo
positivo recursos, mais
uma vez, foi o pilar
para a queda da moeda
norte-americana, que só
não foi maior por conta
da cautela dos
investidores quanto à
divulgação, amanhã,
do número de vagas
criadas no mercado de
trabalho dos Estados
Unidos em março.
Desse modo, a divisa
fechou com baixa de
0,18%, a R$ 2,1280 na
compra e R$ 2,13 na
venda. Na máxima do
dia, a divisa marcou R$
2,1460 (+0,56%). No
menor preço, a moeda
apontou R$ 2,1260
(-0,37%). Segundo
informações do
mercado, o giro
interbancário somou US$
1,53 bilhão. Na roda de
dólar pronto da Bolsa
de Mercadorias &
Futuros (BM & F), a
divisa indicou R$ 2,129,
com decréscimo de 0,14%
em relação a ontem (R$
2,132). O volume
financeiro foi de US$
242 milhões.
De acordo com o gerente
da tesouraria de um
banco de investimentos
em São Paulo, o
segmento abriu
pressionado pelo avanço
das treasuries,
expectativa aos dados do
mercado de trabalho
norte-americano e troca
na diretoria do Banco
Central, mas ao longo da
jornada passou a mirar
mais o fluxo de
recursos, que segue
positivo, e devolveu os
ganhos da manhã. Os preços
só não caíram com força
em razão da expectativa
pela divulgação da
quantidade de empregos
criados nos EUA no mês
passado, nesta
sexta-feira, avaliou.
"Com o rendimento
do treasury de dez anos
rompendo níveis
importantes, o
investidor fica mais
cautelo", explicou
o profissional, que
pediu para não ser
identificado.
Instantes atrás, a taxa
do título de dez anos
do Tesouro
norte-americano subia
0,045 ponto percentual,
a 4,89% anuais. O avanço
dos treasuries foi
ampliado pela declaração
do secretário do
Tesouro dos EUA, John
Snow, ontem de que os números
do mercado de trabalho
serão "bons".
O estrategista-chefe do
BNP Paribas, Alexandre
Lintz, também
relacionou a apreciação
local do dólar na
primeira etapa do dia à
valorização da divisa
no exterior,
principalmente em relação
ao euro, após o
discurso do presidente
do BCE, Jean-Claude
Trichet, a respeito do
cenário de juro na região.
Segundo do dirigente da
autoridade monetária
européia, as
expectativas do mercado
sobre uma possível alta
na taxa de juros em maio
não refletem o
sentimento do Conselho
do BCE. A colocação
foi feita depois de a
instituição manter a
principal taxa de juro
da zona do euro em 2,5%.
Conforme acompanhou
Lintz, tais afirmações,
que foram percebidas
pelo mercado como um cenário
mais ameno para o juro
da eurozona, favoreceram
o fortalecimento do dólar
perante o euro,
respingando nos demais
divisas que têm
paridade com a moeda
norte-americana.
Instantes atrás, o euro
cedia a US$ 1,2229.
O Banco Central também
antecipou a atuação na
ponta de compra do
segmento de câmbio
comercial à vista hoje.
Das 11h33 às 11h43, a
instituição adquiriu dólares
a R$ 2,1340. De acordo
com agentes, o BC acatou
13 propostas e teria
comprado em torno de US$
100 milhões.