Não
há como evitar que o custo da energia elétrica
na indústria chegue aos consumidores finais, na
opinião do coordenador do Grupo de Ação de
Infra-Estrutura e Governabilidade da Federação
das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC),
Francisco de Alcântara Macêdo. Segundo ele,
pelo menos parte do aumento deve ser repassada,
já que muitas empresas já vinham absorvendo
esse custo.
Entre
as indústrias mais prejudicadas, Alcântara
Macedo destaca três fortes segmentos na
economia do Estado: têxtil, siderúrgica e
metalúrgica, todas, em sua grande maioria, de
altíssima tensão. “São empresas, como no
caso da têxtil, que já estão trabalhando no
limite, gastando até mesmo R$ 2 milhões por mês
com energia”, observa. De acordo com Alcântara
Macêdo, o reajuste de energia, aliado às
quedas do dólar, tem levado algumas empresas a
registrarem prejuízos em 2005.
As
tarifas da Coelce ficaram, em média, 23,59%
mais caras. Entre as 10 companhias que tiveram
seus reajustes autorizados pela Aneel no país,
apenas a Cemig e a Celpe tiveram reajustes
maiores do que o da Coelce: 23,88% e 34,11%,
respectivamente. A Celpe, no entanto, passa pelo
processo de revisão tarifária. O reajuste foi
anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) e na maior faixa de consumo chega a
32,07%.
Mais
uma vez, a tarifa de energia sobe bem mais que a
inflação medida pelo Índice Geral de Preços
de Mercado (IGP-M) acumulado nos últimos 12
meses, de 11,13%. O IGP-M é o índice
contratual que corrige parte dos custos das
distribuidoras. Para determinar o percentual, a
Aneel considera a variação de custos que as
empresas tiveram no decorrer de 12 meses. A fórmula
de cálculo inclui custos não-gerenciáveis e
gerenciáveis, sobre os quais incide o IGP-M.