Os
Ministérios da Ciência e Tecnologia e das
Comunicações assinaram na semana passada
oito convênios, no valor conjunto de R$ 14,5
milhões, para financiar projetos que visam à
criação de um modelo brasileiro de TV
Digital. Além disso, mais oito projetos, que
juntos irão receber 14,9 milhões, estão em
fase final de contratação. E, em março,
devem ser assinados outros cinco, com
investimentos de cerca de R$ 7 milhões.
Esse montante de recursos - mais de R$ 36 milhões
- tem origem no Fundo para o Desenvolvimento
Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).
O fundo faz parte do orçamento do Ministério
das Comunicações e é operado pela
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
"Enquanto os padrões de TV Digital de
outros países são essencialmente comerciais,
o padrão brasileiro estará voltado para a
inclusão digital - o que inclui, por exemplo,
aplicações em saúde e educação à
distância. Essa será a grande diferença do
sistema brasileiro, e é o que justifica os
investimentos que estamos fazendo",
explica André de Castro Pereira Nunes,
analista de projetos da FINEP e responsável
pela execução das Chamadas Públicas de TV
Digital. Ele destaca ainda que a criação do
Sistema Brasileiro de TV Digital envolve a
atuação conjunta de dez ministérios.
Lote 1: R$ 14,5 milhões para oito
projetos
Os oito convênios aprovados na semana
passada, que irão receber R$ 14,5 milhões,
envolvem 223 pesquisadores e 58 instituições
(entre empresas e institutos de pesquisa).
Esses projetos fazem parte do chamado
"Lote 1", que envolve pesquisa
aplicada e desenvolvimento científico com
inovação tecnológica para os seguintes
itens: subsistema de modulação; codificação
de vídeo; middleware; terminal de acesso;
serviços e aplicações de conteúdo.
Entenda a importância de cada um desses
itens:
- Subsistema de modulação.
Desempenha papel fundamental em um sistema de
televisão digital, especialmente no caso da
radiodifusão terrestre. Esse subsistema é
responsável pelo transporte do feixe de bits
recebido da emissora de radiodifusão e pela
entrega do mesmo feixe de bits no
receptor do usuário, com um determinado nível
máximo de erros admissível. Sobre essa
tarefa incidem, no meio de transmissão,
diversos fatores "agressores", como
interferências, desvanecimento pela distância
ou por obstruções, e múltiplos ecos devidos
a reflexões. Dentre os objetivos do Sistema
Brasileiro de Televisão Digital, estão
expressos a robustez na recepção (para fazer
face a condições adversas) e a flexibilidade
(que possibilite tanto ao radiodifusor como ao
usuário o emprego da plataforma para diversas
finalidades que extrapolam a recepção
passiva - que caracteriza a atual televisão
analógica), além da preocupação pelo
constante aperfeiçoamento do uso do espectro
(deve-se equacionar o convívio dos sinais de
TV Digital com os sinais de TV Analógica). E
a busca do atendimento desses requisitos
(robustez, flexibilidade e eficiência
espectral) é fortemente dependente do
subsistema de modulação adotado.
- Codificação de vídeo. A
TV Digital é bastante flexível e pode compor
diferentes modos de transmissão e recepção,
cujas combinações permitem diferentes níveis
de qualidade de imagem (HDTV, EDTV, SDTV e
LDTV) e aplicações. Em qualquer dessas
combinações, é necessária a compressão de
vídeo para acomodar a taxa de bits
no canal de transmissão. Com a
necessidade de subsidiar a definição do
subsistema de codificação e decodificação
de sinais fonte do modelo de referência do
Sistema Brasileiro de Televisão Digital,
busca-se o desenvolvimento de um codificador e
decodificador de vídeo escalável MPEG-2, que
atenda aos requisitos básicos de
flexibilidade, baixa complexidade e baixos
custos.
- Middleware. A função
do middleware é o de possibilitar
que as aplicações possam ser produzidas do
modo mais independente possível do hardware
e do sistema operacional, permitindo, assim,
que um mesmo código de aplicação possa ser
"carregado" e executado em
diferentes equipamentos receptores. Em resumo,
o middleware é um software
capaz de "interpretar" os
aplicativos e traduzi-los na linguagem do
sistema operacional em que ele reside. A
importância da definição de um padrão de
referência para o middleware do
Sistema Brasileiro de Televisão Digital
reside na promoção da compatibilidade de
aplicativos entre diferentes terminais de
acesso e seus respectivos sistemas
operacionais.
- Terminal de acesso. Um
dos principais desafios do Sistema Brasileiro
de Televisão Digital é o de compatibilizar,
de um lado, a oferta de terminais de acesso
(ou receptores) a um custo acessível à
maioria da população brasileira e, de outro,
fazer com que esses terminais possam contar
com todos os recursos oferecidos pela
tecnologia da televisão digital. O custo
do terminal é considerado o principal fator
para o sucesso da TV Digital no Brasil. Isso
pode ser constatado no Decreto n° 4.901/2003,
que ressalta a necessidade de "planejar o
processo de transição da televisão analógica
para a digital, de modo a garantir a gradual
adesão de usuários a custos compatíveis com
sua renda". Com o projeto que trata dos
terminais de acesso, pretende-se estabelecer
um modelo de referência - e também
definição de interfaces - que permita o
desenvolvimento de uma arquitetura aberta,
"interfuncionável" e "escalável"
para o receptor de TV Digital.
- Serviços e Aplicações.
Com a adoção da TV Digital no Brasil, será
possível oferecer - inclusive para as
localidades mais distantes - uma gama de
novos serviços e aplicações. Isso
contribuirá para a universalização e a
democratização de informações e serviços
eletrônicos, ampliando a inclusão social. É
nesse contexto que se pretende desenvolver
estudos, especificações e protótipos de
aplicações interativas compatíveis com os
padrões de middleware dos sistemas
comerciais (ATSC, DVB e ISDB) e com o middleware
de referência proposto para o Sistema
Brasileiro de Televisão Digital
.