:: 25.10.03 :: |
Idéia Poderosa |
Acabar com a fome de cerca de 44 milhões de brasileiros não é tarefa fácil. Vai muito além da distribuição de cupons de alimentos e cestas básicas. Exige mudanças estruturais Jorge Parente Frota Júnior Existem hoje no Brasil cerca de 50 milhões de miseráveis, ou seja, 29% da população tem uma renda mensal inferior a R$ 80,00. No Nordeste, a situação é ainda mais gritante, se comparada com o resto do país. É aqui que se concentra o maior índice de pobreza nacional! Felizmente, já surge alguma luz no fim do túnel e começa a ser vislumbrado um Brasil que avança. Pesquisa do IBGE detectou que, em função de investimentos na área social, o país mudou seus indicadores. Um dado importante: aumentou o percentual de crianças que estão na escola, ao mesmo tempo em que diminuiu o trabalho infantil. O estudo, entretanto, conclui que há, ainda, muito a ser feito. Sobretudo na região Nordeste, onde o percentual de analfabetos é de 21%, enquanto a média nacional é de 11% e, no Sul, o índice é de 6%. Já o Relatório de Desenvolvimento Humano 2003 da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que o Brasil passou a ocupar a 65ª posição no ranking de desenvolvimento humano, medido pelo IDH (que considera indicadores de esperança de vida, grau de escolarização e rendimento). Convenhamos, é uma situação ainda indesejável, mas um alento para quem, em 1975, ocupava o 81ª. lugar... O país é citado pela ONU como um dos que obtiveram resultados mais significativos em relação à redução da pobreza humana. O índice caiu de 15,8% da população para 11,4%, entre 1999 e 2003. O relatório destaca um texto à parte sobre o Ceará, ressaltando que, nos últimos anos, foram adotadas pelo governo do Estado ''medidas inovadoras'', por meio de alianças com trabalhadores e comunidades locais. Essas iniciativas resultaram em melhor desempenho público em áreas como saúde, extensão agrícola, combate à seca e construção de infra-estruturas. É de se reconhecer, entretanto, que muita coisa precisa ser feita. Até porque acabar com a fome de cerca de 44 milhões de brasileiros não é tarefa fácil. Vai muito além da distribuição de cupons de alimentos e cestas básicas. Exige mudanças estruturais na saúde, na educação, nas políticas fundiárias e, principalmente, na geração de emprego e renda. Por isso, ainda na minha primeira gestão à frente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), criei o Grupo de Ação de Responsabilidade Social, que ganhou grande impulso em decorrência da mobilização conseguida para atendimento das mais de 40 mil pessoas desabrigadas pelas chuvas que caíram em Fortaleza e sua região metropolitana, em abril de 2001. De lá para cá, a Fiec avançou na conscientização das empresas quanto ao aprimoramento de suas responsabilidades sociais, aproximando entidades, inclusive do meio universitário, para a execução de projetos elaborados pelo grupo de ação. É importante dizer que ações do grupo atingiram tal repercussão que levaram a Fiec, em 2003, a transformá-lo no Instituto Fiec de Responsabilidade Social, em implantação. O organismo será responsável pela coordenação de todas as ações do Sistema Fiec voltadas para a construção da cultura do comportamento socialmente responsável junto às empresas industriais e à sociedade. Apoiar, portanto, a campanha Ceará Doa o Troco honra a FIEC e o empresariado cearense. A causa é nobre e a idéia poderosa: transformar alguns centavos em comida, amparo, proteção, educação e solidariedade para crianças e adultos carentes de nosso estado. Ou como diz o slogan da campanha: ''Você doa centavos. Eles recebem milhões''. Jorge Parente Frota Júnior é presidente
da Federação das Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC), membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT)
e do Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (Capes) |
| Fonte: O Povo |