Parceria: um conceito-chave para o desenvolvimento social
* Francisco de Assis Azevedo
O tempo mostrou-nos que as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, que contempla não apenas o desenvolvimento econômico, mas também o social e ambiental, são complexas e que a solução não está no envolvimento de um único ator: o poder público, mas sim na ação conjunta dos diversos atores da sociedade. Para que isso ocorra os principais desafios estão ligados à construção de uma nova relação entre o setor público, o privado e o terceiro setor. É preciso que cada um saia um pouco de seu próprio mundo e veja como pode interagir com os demais. Cada um tem sua lógica, que é diferente e deve ser preservada e respeitada, porém, é possível identificar interesses comuns. A construção de um mundo mais equilibrado, menos desigual, um mundo que seja economicamente forte mas acima de tudo socialmente justo, com certeza, é de interesse de todos. Precisamos aprender a trabalhar juntos, respeitando e valorizando a diversidade, pois aí está uma grande riqueza.
A sociedade brasileira vive um momento de discussão do papel que o Estado, a sociedade civil e a iniciativa privada podem desempenhar no desenvolvimento sustentável. No mundo dos negócios parceria tem o sentido estratégico de aliança em torno de um projeto ou empreedimento, que mesmo podendo ser implantado isoladamente, quando realizado em cooperação pode trazer maiores benefícios para os parceiros e seus clientes, num dado segmento de mercado. Na área social, onde as demandas são enormes e os recursos nem sempre suficientes ou bem utilizados, as parcerias devem igualmente possibilitar a otimização do uso de recursos e a maximização de resultados, com vantagens para agentes e os beneficiários da ação. Mas há um objetivo mais amplo que as parcerias podem assumir na área social: o crescimento e o fortalecimento de uma rede de ações solidárias, que contribua para a construção de uma cultura comunitária no país. Quando pessoas e organizações se associam tendo em vista o bem comum, o tecido social se revigora, a confiança no futuro aumenta e a democracia sai fortalecida.
Assim concebida, a capacidade de formar parcerias representa uma espécie de competência cívica ou capital social, que, ao lado de Recursos Humanos e recursos materiais, é indispensável para o desenvolvimento econômico e social do país. As parcerias, quando bem construídas, geram credibilidade, resultados práticos e mensuráveis e qualidade e efetividade nas ações, pois a parceria nada mais é do que a soma de experiências e competências. Para as empresas ela pode possibilitar retorno no fortalecimento de sua imagem; capacitação para a prática qualificada do investimento social e ainda o desenvolvimento de uma cultura de empresa-cidadã. Uma iniciativa desse tipo não representa apenas uma prática diferenciada de marketing da qual se espera um impacto imediato nas vendas. Se assumida em plenitude deve aumentar a empatia e a confiança nas relações da empresa com seus clientes, fornecedores e com seus próprios empregados. Para tanto, o investimento social da empresa deve ser adequadamente divulgado aos seus públicos externo e interno, e aos diversos segmentos da comunidade. Feita com competência e responsabilidade, esta divulgação deverá contribuir para disseminar a própria mensagem do projeto apoiado. Além disto, os projetos sociais normalmente se tornam uma fonte poderosa de motivação para os próprios empregados, estimulando-os para o exercício da cidadania.
Em relação às organizações do terceiro setor, a construção de parcerias pode viabilizar muitos sonhos, projetos e ações, pois elas normalmente trazem novos recursos, competências e oportunidades, que somadas aos valores, espírito de luta e comprometimento com a causa por parte das ONG’s passam a ter um potencial imensurável.
Quanto ao poder público, devido à dimensão de seus desafios, que exigem ações urgentes, que tenham grande escala e impacto, a construção de parceiras, com certeza, é o caminho que se apresenta como o mais eficaz. Hoje já percebemos uma grande abertura por parte dos três setores para atuação em conjunto. Na verdade, isto não é tarefa fácil, porém é possível. Para que essas parcerias sejam bem sucedidas é importante que haja muito diálogo e que cada parceiro procure conhecer o outro com mais profundidade pois assim, pode-se identificar mais facilmente as sinergias possíveis.
É importante que se estabeleçam parcerias, envolvendo os três setores, porém, parcerias verdadeiras, que possibilitem a colaboração produtiva e que gerem uma relação sólida e duradoura de cooperação e intercâmbio para a verdadeira promoção do desenvolvimento sustentável.
Diante do crescimento da violência, provocado pela forte desigualdade social e pela falta de perspectiva, que hoje permeiam a vida de muitos brasileiros gerando a desesperança, é de se esperar que as empresas, organizações do terceiro setor e governos, sigam os ditames de sua responsabilidade Social. Do contrário, estaremos construindo uma sociedade para poucos e aumentando ainda mais o grande número de excluídos. Precisamos prosperar cada vez mais, mas com equidade social. É preciso que todos sejam beneficiados e não vítimas do progresso. Disse o Papa João Paulo II: "A humanidade possui hoje instrumentos que podem transformar o mundo num jardim ou reduzi-lo a um monte de ruínas." Sejamos jardineiros e ainda que o terreno seja íngreme, árido e duro, vamos faze-lo brotar raiz.