:: 28.08.07 ::

Importar para exportar

Às empresas brasileiras cabe o desafio da implantação de um novo modelo de gestão que envolva as atividades de importação como uma tão inquestionável quanto exigente estratégia de competitividade

Por muito tempo, o Brasil permaneceu distante das Relações Internacionais, voltando-se principalmente aos incentivos às exportações, visando uma balança comercial superavitária, e restringindo assim os movimentos das importações no país. Com a aceleração do processo de globalização nos últimos anos e a concretização de diversos acordos de integração, as empresas brasileiras hoje evidenciam um impacto em sua gestão da cadeia de suprimentos que passou a considerar como um diferencial de competitividade a identificação de alternativas de fornecedores no exterior que ofereçam melhor preço e qualidade.

Assim, as organizações passam a estabelecer relacionamentos comerciais com fornecedores em todo o mundo, buscando desenvolver uma cadeia de suprimento continua e confiável, baseada em habilidades por parte dos empresários e executivos em negociarem com diferentes culturas. Este novo cenário na cadeia de suprimentos, visando à competitividade das empresas brasileiras tanto no mercado interno quanto externo, oportunizando a conquista e manutenção de clientes no exterior, exige também que as mesmas façam uma adequação em sua estrutura de logística de suprimento, destacando-se uma gestão capaz de elaborar os custos reais do produto importado diretamente definidos pela negociação, logística de transporte internacional e desembaraço aduaneiro. Utilizando-se de incentivos tributários amparados pelos regimes especiais, a empresa poderá alavancar suas exportações importando insumos e matérias primas utilizados na fabricação daqueles produtos a serem efetivamente destinados ao exterior.

Para o sucesso da gestão da cadeia de suprimentos em suas operações globais, deve-se ainda destacar a relação dos processos de logística, que hoje tem seu conceito ampliado ao "gerenciamento estratégico" da aquisição de equipamentos, peças, matérias primas e produtos acabados. A crescente demanda das empresas brasileiras por produtos de outros países caracteriza uma cadeia de suprimento diferenciada das operações domésticas pelos procedimentos aduaneiros e logísticas de transporte internacional. Às empresas brasileiras cabe o desafio da implantação de um novo modelo de gestão que envolva as atividades de importação como uma tão inquestionável quanto exigente estratégia de competitividade para as exportações do país: importar para exportar.

Mônica de Almeida Luz - Consultora na Área de Negócios Internacionais e Mestre em Comércio Exterio

Fonte: Jornal O Povo

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