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INVESTIMENTO DE R$ 4
MI NAS ONDAS DO CEARÁ Pecém terá primeira
usina das Américas
Até o fim do ano, deve ser
lançado o edital para construção de dois
protótipos da usina de ondas que ficará no
quebra-mar do Porto do Pecém. O investimento inicial é
da ordem de R$ 4 milhões, sendo 50% do Estado e 50% da
Eletrobrás. A primeira usina de ondas das Américas
vai gerar apenas 500 KW — o equivalente ao consumo de 200
famílias — mas já demonstra o interesse do
Estado em avançar na exploração do potencial
de geração da costa local.
“Mostrando-se
economicamente viável e financeiramente atrativo, a gente
vai levar à frente e tornar possível a exploração
do litoral para a produção de energia”,
comenta o secretário de Infra-Estrutura, Luiz Eduardo
Barbosa de Moraes. Para Adão Linhares, se o Estado levou
uma década para tornar a geração eólica
viável, deve levar apenas seis anos para explorara
comercialmente a energia das ondas do mar. “O quebra-mar do
Porto do Mucuripe também é ideal para essa
experiência”, adiantou.
O projeto tem apoio
técnico da Coordenação dos Programas de
Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo os
pesquisadores Segen F. Estefen, Eliab Ricarte, Paulo Roberto
Costa, o Ceará possui as condições ideais
para a instalação de uma usina de ondas em razão
dos ventos alísios que sopram de forma constante e
previsível ao longo de todo o ano.
Estudos da Coppe
feitos em laboratório durante o ano de 2005 — o
convênio entre o Estado, a Eletrobrás e a UFRJ foi
firmado em 2004 — comprovaram a viabilidade na implantação
do piloto no Pecém. Mas os pesquisadores apontam sítios
potenciais como a Praia do Futuro, a Ponte Metálica e até
as plataformas da Petrobras em Paracuru.
O impacto
ambiental minimizado e o custo de implementação —
que chega a ser 30% menor que o de uma usina eólica e
similar ao de uma hidrelétrica — estão entre
os pontos positivos do projeto. Estudos preliminares apontam que o
litoral brasileiro, através da energia das ondas, tem
potencial para suprir 15% do total de energia elétrica
consumida no País.
A principal inovação
do piloto cearense está no uso da câmara hiperbárica,
que simula ambientes marinhos de alta pressão. A câmara
simulará a pressão de uma queda d’água,
similar a de uma usina hidrelétrica, para gerar energia.
“As ondas do mar possuem energia cinética devido ao
movimento da água e energia potencial devido à sua
altura. Energia elétrica pode ser obtida se for utilizado o
movimento oscilatório das ondas”, explica
Linhares.
A usina de ondas proposta é constituída
de várias unidades de flutuadores, cada qual capaz de
acionar, através de um braço, uma bomba de movimento
alternado, que injetará água sob pressão em
um reservatório em aço, denominado câmara
hiperbárica, associado a um acumulador pneumático.
(SC)
Fonte:
Diário do Nordeste - 170906
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