Carlos Mariz: “tecnologias evoluíram muito e os custos de produção da energia nuclear estão mais acessíveis”


REGIÃO TEM MATÉRIA-PRIMA
Nordeste é alternativa para usinas nucleares

O Nordeste pode ser uma alternativa para a instalação de usinas nucleares. Na avaliação do engenheiro Carlos Henrique Mariz, a região tem potencial não só de abrigar novos empreendimentos de geração nuclear como produzir matéria-prima para estas usinas. “É o caso do Ceará, que tem jazida de urânio”, comenta o engenheiro, referindo-se ao depósito de Itataia, localizado na parte central do Estado, a cerca de 45 km a sudeste da cidade de Santa Quitéria.

Embora seja a maior reserva de urânio que o País possui, sua viabilidade econômica é dependente da exploração do fosfato associado. Isso significa que a extração de urânio está condicionada à produção de ácido fosfórico — insumo utilizado na produção de fertilizantes.

O argumento de que o Nordeste é o território ideal, segundo o engenheiro, parte também do fato de o potencial hidráulico da região já ter sido explorado. “Não temos mais como fazer grandes hidrelétricas partindo do Rio São Francisco”. Também não há reservas de carvão e o gás natural é incipiente. “Sem falar na influência do preço internacional do petróleo sobre o gás”, diz, completando que cada usina nuclear representa investimento de US$ 2 bilhões. “É uma refinaria de petróleo”.

Para Mariz, o Brasil tem que crescer, e o crescimento econômico exige suporte de energia elétrica. “A partir de 2015, temos de acrescentar ao sistema energético nacional 5 mil MW novos de geração por ano”, informa. Ele diz que a energia nuclear pode ser uma fonte complementar às demais, como hidrelétricas, termelétricas, eólicas, entre outras. “A nuclear tem um porte maior de geração”, defende.

A produção nuclear no Brasil está limitada às usinas de Angra (RJ), obra iniciada ainda no governo militar do então presidente Geisel. Apenas duas unidades estão operando e a terceira deverá começar a ser construída no próximo ano. “Um projeto hidrelétrico ou nuclear leva em média seis anos para ser concluído. Então, é preciso que o próximo presidente pense logo na regulamentação da exploração nuclear para afastar de vez os risco de um apagão”, argumenta.

Optar pela energia nuclear no Brasil tem como ponto favorável o fato de o País possuir a sexta maior reserva mundial de urânio (cerca de 300 mil toneladas), suficiente para assegurar a independência no suprimento de combustível por muito tempo. Além disso, dois terços do território permanecem inexplorados quanto à presença do metal.

No entanto, o Brasil ainda importa o urânio enriquecido (necessário para se fazer o elemento combustível), embora a tecnologia para o enriquecimento já seja aplicada no País, em escala laboratorial, para a produção de combustível de reatores de pesquisa. “As tecnologias evoluíram muito e os custo de produção da energia nuclear estão mais acessíveis”, argumenta o engenheiro.

No próximo dia 6 de outubro, será realizado no Recife o Seminário Franco-Brasileiro de Geração Nuclear, com a presença de autoridades no assunto dos dois países. “Os franceses estão conscientes de que precisam derrubar, no Brasil, o mito existente sobre os riscos da energia nuclear. A França produz 70% da energia que consome e vende o excedente a outros países”. (SC)

SERVIÇOq Seminário Franco-Brasileiro de Geração Nuclear - Mais informações no site
www.apef.com.br.

Fonte: Diário do Nordeste - 170906