:: 13.12.07 :: |
Perspectivas de Itataia |
O presidente das Indústrias Nucleares Brasileiras, Othon Luiz Pinheiro da Silva, confirmou, para o primeiro semestre de 2008, o início das obras da terceira usina nuclear de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O investimento, previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), será de R$ 7 bilhões e prazo de 66 meses para as obras civis. O equipamento industrial, avaliado em US$ 750 milhões, está comprado. Além desse empreendimento, prioritário em virtude da expansão da demanda energética, o Plano Decenal do Ministério de Minas e Energia prevê a construção de mais seis usinas nucleares, a maior parte prevista para o Nordeste. O País possui a sexta reserva mundial de urânio, com estoque já identificado de 309 mil toneladas, mas com possibilidade de aumentar para 800 mil toneladas mediante pesquisas exploratórias. Além de Itataia, há mais 140 ocorrências minerais no Ceará necessitando de estudos prospectivos para dimensionar seu potencial. Pela previsão da INB, a exploração inicial da jazida de Itataia será de 120 mil toneladas de fosfato e 800 toneladas de urânio por ano. A mina foi descoberta em 1976 e o ministro das Minas e Energia, César Cals, desenvolveu esforços para sua exploração que não foi viabilizada, apesar do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e da implantação das usinas de Angra dos Reis. Com o aquecimento da economia, o País se defronta com a necessidade de ampliar suas fontes energéticas. A matriz hídrica não dispõe de condições de atender à demanda futura. Daí a projeção das duas usinas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, com capacidade para gerar 7.000 kWh, a usina de Angra 3, com 1.350 kWh, e várias outras fontes, entre elas, as termelétricas. O distrito de Itataia localiza-se numa área em processo de desertificação, onde a agricultura de subsistência sofre as oscilações anuais dos ciclos de chuvas. Distante 88 quilômetros da cidade de Santa Quitéria e 300 quilômetros de Fortaleza, seu subsolo escondeu, durante séculos, uma riqueza incomensurável, descoberta pelo geólogo Givaldo Lessa Castro. A INB, detentora do monopólio estatal para exploração do urânio, selecionou três empresas interessadas em extrair e comercializar o fosfato, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce, como etapa anterior à retirada do urânio. A instalação dos canteiros de obra em torno da jazida desencadeará uma oportunidade sem igual de oferta de trabalho e de fornecimento de serviços essenciais na região carente. O empreendimento da Itataia será a redenção econômica não só para o Município-sede; todos os municípios vizinhos serão beneficiados pelo impulso a ser oferecido a uma área onde ainda predomina o carrascal. |
| Fonte: Diário do Nordeste |