:: 06.05.04 ::

Algumas críticas ao Proinfa


Investidores ressaltam os avanços ambientais do Proinfa, mas criticam preço da energia pago pelo governo às empresas. O Ceará pode se destacar com potencial eólico no programa

Apesar da importância ambiental dos investimentos em energias alternativas, há ressalvas em relação ao Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Houve consenso, durante o Fórum de Energias Alternativas, de que o Ceará pode se destacar com o potencial eólico, mas restam críticas quanto ao limite de Megawatt/hora fixado pelo Governo Federal para o Estado.

''Nesse momento, a energia eólica vai ser a principal energia renovável do Ceará, pelo próprio volume. Mas o Proinfa limita a 20% da fonte, de 1.100 MW destinados à energia eólica. Espero que esses 220 MW de energia eólica (produção estipulada como limite pelo Governo Federal para o Estado) pelo menos aconteçam nos primeiros dois anos'', diz o secretário da Infra-estrutura Luiz Barbosa de Moraes.

Segundo o secretário, esperava-se uma condição melhor par a aqueles estados que têm maior potencial de vento. ''Em relação à energia eólica, o que o governo ensaiou foi tentando compensar. Quem tem maior capacidade de geração tem uma tarifa menor (preço pago da energia pelo governo às empresas investidoras) do que quem tem menor capacidade em termos de geração''. Prejudicou o Ceará e o Rio Grande do Norte, conforme Eduardo, porque são estados que têm grande potencial mas que vão ter tarifa menor, podendo inibir os investidores.

Para o empresário Armando Almeida Ferreira, diretor da CGE, empresa que possui nove usinas termelétricas no Estado, o limite de 20% da energia para a eólica é ótimo. ''Um dos pontos positivos desse programa é que em nível mundial é o primeiro país, onde se tem um programa estabelecido e configurado, onde qualquer um pode saber a expectativa que o governo brasileiro tem para as energias renováveis''. A médio e longo prazos, ele acredita que as metas fixadas e estabelecidas podem aumentar em função do crescimento da demanda.

Por enquanto, o governo deve utilizar as potencialidades do Ceará que são de energia eólica, de estados que têm biomassa, cana de açúcar e as potencialidades de locais que têm água para produzir pequenas centrais hidrelétricas. ''Houve alguma retração dos investimentos em função da crise energética de 2001, mas hoje temos uma capacidade de energia instalada superior à necessidade. Forçar apoiando ou incentivando a instalação de mais energia poderia ser contraproducente. Mas para outras fases, o governo pode pensar em aumentar esse limite'', opina Ferreira.

O Ceará é o maior produtor de energia eólica da América Latina. Com os três parques eólicos já instalados na Prainha, Taíba e Praia Mansa, o Ceará produz 17 MW de energia, mas a expectativa é a de que poderia gerar muito mais. A energia eólica ainda é mais cara que as convencionais, mas o Proinfa é um programa incentivado pelo Governo Federal e, por isso, vai subsidiar essa geração de energia.

''Precisamos alterar a matriz energética do País, é uma política de energia. Para isso, o governo está bancando esse incentivo. Vai haver uma diluição em todo País, desse subsídio para essas energias renováveis'', diz Eduardo. O subsídio estará dentro da tarifa de energia e será paga pelo consumidor. ''É um benefício de médio e longo prazos''.

Na visão do professor Everaldo Feitosa, presidente do Centro Brasileiro de Energia Eólica, o Ceará será líder no Proinfa como um dos maiores potenciais eólicos do País. Mas ele define o Proinfa como uma semente, sendo preciso que alguns erros sejam corrigidos para que tenhamos um programa de marco mundial.

''Temos o lado dos países que apostam no petróleo e o lado dos países que podem apostar em energia renovável. Temos mais de 80% da energia a partir de hidrelétricas, uma fonte limpa, e o maior programa de biomassa, o Proálcool'', ressaltou no Fórum. O governo estadual no Ceará também já instalou 460 sistemas de energia solar, outra forma de energia limpa, em postos de saúde, centros comunitários, escolas e bombeamentos de água.

Ana Cecília Mesquita

 

Fonte: Jornal O Povo

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