:: 23.04.07 :: |
Prorrogação da CPMF |
Affonso Taboza "De como uma boa idéia pode se transformar num monstrengo" seria o título deste artigo, se não fosse tão longo. Mas vai aí como subtítulo. Formulado há alguns anos para ser o único imposto do País, numa criação genial do Professor Marcos Cintra, o imposto sobre transações financeiras foi, durante um bom tempo, a esperança de muitos contribuintes sofredores. Imaginávamos que, finalmente, nosso País teria uma forma moderna de arrecadar. A aceitação dessa idéia foi imensa, na época. Simples, insonegável, universal (no sentido de que todos pagam), de custo de arrecadação zero, foi duramente combatido por pessoas e grupos que sentiram seus interesses ameaçados. E fizeram um tal barulho que convenceram os mal informados de que o "Imposto Único" trazia em seu bojo toda sorte de malefícios. Má fé de uns, falta de informação de outros. Como nosso país parece estar mesmo fadado ao sofrimento, o imposto que devia ser único, passou a ser mais um, deformado, e com a finalidade pouco nobre de policiar os contribuintes. Ah! como a cretinice transforma um apolo num quasímodo...! Com o nome de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, terá seu fim em dezembro de 2007. Que assim seja. Mas o Desgoverno, voraz, insaciável, quer prorrogá-lo por mais quatro anos, o restante do período Lula. Os burocratas se convenceram da eficácia da fórmula que no início rejeitaram. De olho na fantástica colheita de mais de trinta e dois bilhões de reais por ano que ele oferece silenciosamente, sem aporrinhar ninguém, sem Dae´s, sem Darf´s, sem declarações fastidiosas, o Desgoverno quer, aos poucos, transformá-lo em permanente. E acaba conseguindo. Barganhando aqui, oferecendo uns trocados ali, comprando consciências acolá, vai atingir seu objetivo. E o povo...? Ah! o povo que se exploda! como dizia aquele deputado da televisão, personagem do Chico Anísio. Afinal, o povo não tem representantes... Que venha para ficar o imposto sobre transações financeiras, mas, se for único. AFFONSO TABOZA é engenheiro civil e militar, empresário, coronel reformado do Exército e diretor da Fiec - Federação das Indústrias do Estado do Ceará |
| Fonte: Jornal O Povo |