:: 24.09.07 ::

Cadê a legitimidade?


Affonso Taboza


24/09/2007 00:35
Dia seguinte à votação da CPMF na Câmara em primeiro turno, a Rede Globo divulgou pesquisa do Ibope retratando a visão do povo brasileiro sobre a prorrogação do tributo. Segundo a pesquisa, 54% dos entrevistados acha que a CPMF deve acabar em dezembro, como prevê a lei. Somente 5% aprova a manutenção do imposto como está hoje, com alíquota de 0,38%.

Dos 22 deputados cearenses que votaram, 20 o fizeram na contramão do que deseja o povo. Votaram pela continuidade da forma como está hoje. Só dois quebraram a corrente. Honra seja feita, aqui, ao deputado Raimundo Gomes de Matos, porque o outro já declarou que votou errado e corrigirá no segundo turno. Incrível!

A sintonia dos nossos deputados com seus pretensos representados é trágica. Pelo menos no que se refere à prorrogação da CPMF, os 20 distraídos têm o respaldo de apenas 5% do eleitorado.

Alegar que assim votaram movidos por senso de responsabilidade, por medo de que, sem o tributo, as contas do Governo não fechem em 2008... Se foi essa a razão, que tratem de se informar, pois até esta data a arrecadação federal superou em 11% a colheita de impostos de igual período do ano passado. E há previsão, este ano, de um excesso de arrecadação de incríveis 60 bilhões de reais, bem maior que os 34 bilhões da CPMF. Mesmo sem a CPMF este ano, o Governo ainda teria um superávit de 26 bilhões em relação ao orçamento. Para o ano que vem, a previsão de superávit é de mais de 70 bilhões?

Só há três explicações para a triste decisão dos 20 nobres parlamentares: paixão partidária cega que lhes tolhe o discernimento, ou total e lamentável desinformação, ou fome canina implacável que os leva a trocar a decência pelas migalhas que caem do banquete do Governo. Migalhas, às vezes, bem sujas.

A democracia é, de longe, o melhor regime que já se inventou, e dela é parte essencial o Parlamento. Com P maiúsculo. Não como o nosso que, em subserviência, só perde para o do Chavez.


Affonso Taboza - Engenheiro civil e militar, empresário, diretor da Fiec

Fonte: Jornal O Povo

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