:: 14.01.03 ::
FRANCISCO JOSÉ LIMA MATOS
Recriação da Sudene -


A única ação a ser modificada frontalmente é a da Gestão do Finor, que deve ser feita por uma Fundação sob as diretrizes gerais da Sudene, a exemplo do Bndespar do BNDES

Francisco José Lima Matos
Economista

Sem sombra de dúvidas o retorno da Sudene em seu papel de Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste é essencial para esta nossa região.

Contudo, ela tem que ser recriada sob o manto de uma preocupação maior do País, onde o Presidente da República perceba que tendo regiões com níveis de desenvolvimento e riqueza diferentes é fundamental a harmonização do poderio econômico para poder formar parcerias e alianças estratégicas. Como dizem os filósofos: ''não há parceria entre desiguais''.

Como já lembrei em artigo meu anterior, a Europa investiu bilhões de dólares na Espanha e Portugal não por bondade ou piedade, mas porque era essencial para o desenvolvimento do Mercado Comum Europeu.


Francisco José Lima Matos é Diretor de
Tecnologia da FIEC, ex-Presidente do CIC

O Brasil precisa ser planejado com todas as suas regiões vertical e horizontalmente, além de setorialmente no que ele deseja de sua indústria, de sua agricultura e de sua área de comércio e serviços.

A partir daí um órgão como a Sudene teria um notável papel de articulador e impulsionador, interferindo no domínio econômico, nos vazios próprios da atuação do Estado.

A única ação a ser modificada frontalmente é a da Gestão do Finor, que deve ser feita por uma Fundação sob as diretrizes gerais da Sudene, a exemplo do Bndespar do BNDES.

O Nordeste já tem os recursos definidos na Constituição - cerca de 30% do orçamento do País - basta canalizá-los de forma ordenada, reestruturando-se os pilares do desenvolvimento já criado: Sudene, Banco do Nordeste e Dnocs.

No caso da Sudene, somente a reunião mensal dos governadores e líderes do Nordeste em uma só mesa, sob a supervisão de um Ministro forte com força junto ao Presidente, já trará novamente grandes possibilidades para o crescimento e integração do Nordeste, dando ao País possibilidades de aproveitar o seu grande mercado interno, se idêntico trabalho for desenvolvido nas demais regiões em desenvolvimento, como a Amazônia e o Centro-Oeste.

Enfim, a principal ação da Sudene deverá ser o diagnóstico do potencial do Nordeste, das necessidades financeiras para financiá-lo, do nível de integração entre seus Estados na Região, tudo acoplado ao levantamento e estímulo as áreas do conhecimento que teremos que desenvolver, atrelando o Desenvolvimento do Nordeste nesta era do conhecimento a investimentos maciços na área de Ciência e Tecnologia, sem esquecer nossa relação com o Brasil e o resto do mundo em suas naturais vantagens dinâmicas.

Francisco José Lima Matos é Diretor de Tecnologia da FIEC, ex-Presidente do CIC
 

Fonte: O Povo

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