:: 17.04.07 :: |
A siderúrgica indispensável |
O desenvolvimento econômico de uma região ou de um país se faz de uma maneira segura através de planos estratégicos de longo prazo. Os últimos governos no Brasil esqueceram de estabelecer uma política de desenvolvimento industrial para o nosso País. Felizmente este não foi o caso do Ceará. O primeiro governo Tasso Jereissati fez um projeto de desenvolvimento para o nosso Estado, que se estendeu de seu primeiro mandato até parte do governo Ciro Gomes. Em seu segundo mandato, Tasso deu continuidade às ações dos dois governos anteriores e buscou concluir os projetos do Porto do Pecém, do aeroporto internacional, da malha viária estadual, do abastecimento de gás, da termelétrica, energia eólica e interligação de bacias. Tudo isso dentro de um plano global para o nosso Estado. Estamos falando de ações de desenvolvimento que se iniciaram duas décadas atrás, numa visão clara de que projetos estruturantes demandam tempo e não pertencem a esse ou àquele governo. Assim como na luta pela Refinaria, o nosso foco hoje é a conquista da Siderúrgica Cearense. Tudo está preparado para a efetivação deste projeto de alta relevância estratégica para o Ceará e para o Nordeste. Foi feito o lançamento da pedra fundamental da Ceará Steel, em dezembro de 2005, durante o governo Lúcio Alcântara, com a presença de todos os envolvidos - Dongkuk, Danieli, Companhia Vale do Rio Doce (CVRV) e Governo do Ceará - dando início à implantação da Siderúrgica. Essa Siderúrgica representa um salto histórico no desenvolvimento industrial do nosso Estado. No seu projeto, como está aprovado, a produção deverá ser iniciada com destinação total à Coréia do Sul e, em um segundo momento, quando houver a primeira ampliação, passará a contemplar a produção de chapas também para o mercado interno. A partir daí, o setor metal mecânico terá um enorme desenvolvimento, com geração de milhares de empregos, indução à criação de novas empresas, novas linhas de produtos e absorção de novas tecnologias, com o que a Siderúrgica estará cumprindo a função estratégica para a qual foi concebida. Quando estava tudo certo, surgiram outros interesses, utilizando pesado lobby para pressionar a Petrobrás a rever o contrato de fornecimento de gás em seus valores, em níveis tais que, segundo os investidores, inviabilizariam o projeto. O governador Cid Gomes e o seu secretário de Desenvolvimento Econômico, Ivan Bezerra, e sua competente equipe, têm feito todo o esforço no sentido de encontrar uma saída para esse impasse. No entendimento do setor industrial cearense, reunido na Federação das Indústrias, a questão já não está mais no campo técnico e sim no político, envolvendo a Petrobrás e o Governo Federal. O próprio Presidente da República já demonstrou em alguns momentos sua sensibilidade para ajudar a resolver este impasse junto à Petrobrás, porém, de fato, até agora as coisas ainda não mudaram. As intenções existem, mas as ações ainda estão por vir. Tendo em vista o forte componente político deste tema, cabe à sociedade cobrar das bancadas cearenses, federal e estadual, um posicionamento firme de pressão junto ao Governo Federal e em especial ao presidente Lula para cumprir sua promessa de campanha. O Ceará e o Nordeste precisam deste pólo metal mecânico que só poderá ser viabilizado com a Siderúrgica. *ROBERTO MACÊDO é presidente da Fiec |
Fonte: O Povo |
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