:: 17.04.07 ::
A luta pela siderúrgica

Wellington Landim*

Acreditamos, piamente, que o Governo Federal cumpra com sua palavra de instalar a siderúrgica no Ceará. Nós, deputados, estamos fazendo a nossa parte, mas todos são responsáveis

A sociedade atual é extremamente dependente dos metais. Em transportes, estruturas, utensílios domésticos e ferramentas são usadas grandes quantidades de ferro fundido e aço. Em quase todas as aplicações elétricas é utilizado cobre. À nossa volta observa-se uma crescente utilização de alumínio e de outros metais leves - titânio e zircônio (os chamados metais da idade espacial). De modo a fazer-se uma distinção entre a era moderna e a era neolítica, da Idade da Pedra, os arqueólogos tiveram necessidade de classificar os estágios de desenvolvimento das civilizações em Idade do Cobre, Idade do Bronze e Idade do Ferro. Desde a descoberta de técnicas para a utilização dos metais até os dias de hoje, a siderurgia foi de extrema importância para os povos.

No Brasil, a metalurgia do ferro foi iniciada logo após o descobrimento. O padre Anchieta, já em 1554, relatava à Corte Portuguesa, as ocorrências de ferro e prata. A primeira industrialização do metal foi iniciada em 1587, por Afonso Sardinha, na serra de Cubatão, no rio Jeribatuba, na antiga freguesia de Santo Amaro, perto de São Paulo. Em 1942 foi criada a Companhia Vale do Rio Doce. Em 1958 foram exportadas um milhão e meio de toneladas de minérios e, em 1962, a Vale já era responsável pela exportação de 6 milhões de toneladas. Em 1967 a Vale já aparecia entre as seis maiores empresas exportadoras do mundo.

Para atender a demanda do mercado outras importantes indústrias foram criadas no Brasil, tais como, a COSIPA, Usiminas, Aço e a Ferro de Vitória.

Em 1985 começou no Ceará um movimento pela implantação de uma siderúrgica. Vinte anos depois aparece a oportunidade do sonho se tornar realidade através da Ceara Stell. O projeto vai receber 760 milhões de dólares, irá produzir 1 milhão e meia de toneladas de placas de aço por ano e gerar mil e 600 empregos quando estiver em operação. Somente na implantação serão três mil e seiscentos empregos.

Para o Governo do Ceará, a siderúrgica representa um marco na história e na economia cearense, isso porque ampliará a geração de riquezas estaduais, o chamado Produto Interno Bruto (PIB), em 2%, ou seja, em 1 bilhão e cem mil reais, e a renda per capita em 4,37%. A Ceara Steel vai propiciar ainda uma receita de US$ 450 milhões por ano, elevando as exportações locais em 41%.

Os parceiros privados vão investir 160 milhões dólares. Outros 600 milhões de dólares virão de financiamentos do BNDES e de italianos. A Ceara Steel contribuirá para que o Brasil acompanhe o crescimento do setor siderúrgico no comércio internacional. A siderúrgica vai promover o desenvolvimento do pólo metal-mecânico do Ceará.

Acreditamos, piamente, que o Governo Federal cumpra com sua palavra de instalar a siderúrgica no Ceará. Nós, deputados, estamos fazendo a nossa parte, mas todos são responsáveis. Nesta terça -feira, pela manhã, será realizada uma audiência pública na Assembléia Legislativa para dissecarmos o assunto, com a presença de estudiosos no assunto e autoridades. Então, convidamos todos para acompanhar o debate.

*WELLINGTON LANDIM é líder do bloco PSB-PT-PMDB

Fonte: O Povo


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