:: 01.05.05 :: |
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Vencendo o desafio de dar vida às empresas |
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Diário do Nordeste — Este ano o senhor completa 37 anos de atividade profissional e todo esse tempo dedicado exclusivamente à indústria, como se deu esta trajetória?
Álvaro Correia - Em 1968, logo após
terminar a faculdade, eu ingressei na Mecesa, onde trabalhei durante
quatorze anos. Entrei como engenheiro e fui galgando várias posições
até chegar a diretor industrial. Eu acompanhei todo o seu crescimento.
Em seguida, trabalhei um ano e meio na Indústria de Material
Elétrico e Mecânico (Imec), também em Fortaleza.
Em 1983, fui convidado para gerenciar uma empresa em Belém do
Pará, a Companhia Prada da Amazônia, do grupo paulista
Prada. Na época, o maior fabricante do Brasil de latas de folha
de flandre. Essa empresa eu também tive que implantar. Após
14 anos em Belém, em 1997, recebi um convite para dirigir uma
filial da Fábrica de Papel da Amazônia (Facepa) aqui em
Fortaleza. Mais uma vez eu comecei do zero. Em 1998 instalamos a indústria
em Maracanaú, onde estou até hoje. — Praticamente todas as empresas por onde passou nasceram e se desenvolveram nas suas mãos. Podemos considerar que o senhor é movido a desafios?. Correia - Na verdade eu não busquei esses desafios. Eles surgiram e foi Deus quem me ajudou a enfrentá-los. A grande lição que tirei de todos eles é que a gente precisa ser perseverante. — E quais foram as suas maiores conquistas? Correia - Ter passado por todas as fases da minha vida eu já considero uma grande conquista. Pois em cada uma delas, tive o que aprender. — Falando agora sobre o setor em que atua, qual o diagnóstico que o senhor faz do mercado de papel (higiênico, guardanapos e papel toalha) no Brasil e mais especificamente no Ceará? Correia - Esse é um setor muito difícil. Enfrentamos uma concorrência muito acirrada, principalmente das multinacionais, que lideram o mercado. Mas isso é bom, porque faz com que procuremos aprimorar o nosso produto, ter mais qualidade, para poder concorrer. Agora, por estamos instalados aqui, levamos uma certa vantagem perante os demais, porque podemos atender ao cliente sem que ele se estoque e na hora que ele precisa. — Quem é o seu mercado consumidor e quanto o senhor produz para atendê-lo? Correia - Atendemos clientes de varejo e atacado do Ceará à Bahia. Aqui na filial, fabricamos apenas papel higiênico. Da matriz, a gente recebe a matéria-prima (bobinas de papel) e também outros itens, como papel toalha e guardanapos, para compor o nosso “mix” de produtos. Produzimos 100 mil fardos de papel higiênico/mês, com 64 rolos cada. — Recentemente foi criada uma associação dos fornecedores, aqui no Ceará, para discutir os problemas que pontuam a relação entre a indústria e o varejo. Como o senhor avalia essa relação? Correia - É uma situação realmente muito séria, que merece nossa atenção. Se formos atender a tudo o que o varejo quer, fica difícil. Eles exigem muito. Desde a comercialização de espaço na área de venda, à compra em consignação, passando ainda por verbas para abertura de lojas e aniversário, bem como multa por entregas atrasadas, entre outras. — E como tem sido o desempenho da sua empresa? Quais as perspectivas para este ano? Correia — Em 2004, apesar de ainda não termos fechado o balanço do ano passado, tivemos um desempenho bem melhor em relação às vendas, se comparado a 2003. Acredito que em 2004 faturamos em média R$ 1,8 milhão/mês, o que daria aproximadamente R$ 22 milhões durante o ano. Agora, em 2005, estimamos crescer entre 8% e 10%. — E o que o senhor pretende fazer para estimular as vendas? Correia - Vamos trabalhar com uma política mais agressiva. Provavelmente focada no pequeno varejo, incrementando a venda no interior dos estados onde atuamos. Ter mais capilaridade, chegar aonde nossos concorrentes ainda não chegam diretamente. — Uma das questões que permeiam as discussões empresarias no momento tem sido o peso da carga tributária e a reforma que está sendo proposta pelo governo. Um dos pontos dessa proposta é a unificação do ICMS entre os estados. Como o senhor analisa esta questão, tendo em vista que isto pode comprometer os incentivos fiscais concedidos, que são responsáveis pela atração de investimentos para alguns estados? Correia - As pressões da sociedade estão começando a surtir efeito. Até que enfim, estamos sendo ouvidos. A reversão da Medida Provisória 232 é uma prova disso. O governo não pode mais ficar criando ou aumentando impostos. Agora, com relação à unificação do ICMS, enquanto de um lado ela tem o seu valor positivo, do outro, será necessário criar outras maneiras para atrair investimentos para os estados. Nenhuma empresa vai se instalar em uma região que fica longe de seu mercado consumidor se não tiver incentivos. — E sobre o aumento no preço da energia? Dá para fazer alguma coisa para desonerar o custo das indústrias? Correia - As entidades da classe já estão se mobilizando. Entre as propostas está a isenção da tarifa seca e o reescalonamento do aumento para não pesar tanto para a indústria. Precisamos encontrar uma alternativa. — Como presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Maracanaú (Aedi), o senhor está encabeçando um projeto para revitalização do local. Quais são as principais diretrizes desse projeto? Quanto vai custar? Correia - Estamos propondo muita coisa. Uma gama de assuntos que vai desde problemas de segurança em geral, à pavimentação, sinalização, lixo industrial, iluminação, duplicação de vias, construção de ciclovias e incremento do transporte interno, por exemplo. Apesar da nossa infra-estrutura ainda ser uma das melhores do Estado, se não fizermos nada, isto pode provocar o abandono do local. Mas , ainda não sabemos quanto tudo vai custar. Já estamos concluindo os estudos, para, em seguida, apresentar para o governador. Pretendemos também identificar o que se pode conseguir de verba junto aos órgãos federais. — O senhor atualmente ocupa cargos em três entidades de classes, o que o motiva a trabalhar em prol da coletividade? Correia - Eu sempre gostei de discutir os assuntos pertinentes à classe. A pessoa hoje em dia não pode ficar isolada. Você deve procurar se associar. Juntar-se tanto com profissionais de ramos diferentes, como com concorrentes. Você deve dialogar, saber o que está acontecendo, para poder ajudar a sua empresa e o setor em que atua. Não se pode mais viver sem parcerias. — E o que o senhor pensa sobre a responsabilidade social nas empresas? Correia - A sua importância não se discute mais. Temos que nos conscientizar de que precisamos ajudar cada vez mais a comunidade. Principalmente no que tange à educação.
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| Fonte: Diário do Nordeste | |