:: 10.05.03 ::

Indústria Eletrometalmecânica: Insumos e impostos elevam custos do setor
Valdelírio Soares

 
Valdelírio Soares, presidente da Simec, diz que apesar da queda do dólar, as empresas enfrentam fortes aumentos na compra de matéria-prima

INDÚSTRIA ELETROMETALMECÂNICA
Insumos e impostos elevam custos do setor

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Ceará (Simec), Valdelírio Soares, apesar da redução do dólar, as empresas, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste, ainda enfrentam fortes aumentos na compra de matéria-prima. “Há um ano, o aço vem sendo negociado a preços 80% mais caros. Alguns aços especiais subiram até 85%”, revelou.

A alta carga tributária, o preço do aço e o reajuste das tarifas de energia elétrica vêm elevando os custos de produção do setor eletrometalmecânico no País. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Ceará (Simec), Valdelírio Soares, apesar da redução do dólar, as empresas, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste, ainda enfrentam fortes aumentos na compra de matéria-prima. “Há um ano, o aço vem sendo negociado a preços 80% mais caros. Alguns aços especiais subiram até 85%”, revelou.

Os principais entraves ao crescimento do pólo eletrometalmecânico foram debatidos ontem pela manhã, em Fortaleza, durante reunião da Coalizão Empresarial Norte/Nordeste, que reúne os sindicatos do setor nos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Pará. O tema central do encontro, entretanto, foi a recriação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o seu papel de fomento às empresas industriais geradoras de emprego, como as do setor metalmecânico.

“Queremos uma Sudene com recursos, não só financiando o setor de serviços mas a indústria também”, comentou o presidente da Coalizão e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Pernambuco (Simepe), Alexandre Valença. Ele, que também é secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Pernambuco, criticou as propostas até então apresentadas pela equipe interministerial do Governo Federal, que apontam um direcionamento da nova Sudene para investimento prioritário nos projetos da área de turismo.

CUSTOS — Conforme Valdelírio Soares, o aumento das tarifas de energia elétrica tem sido uma nova barreira a ser contornada pelas empresas do setor no Norte e Nordeste. “As indústrias eletrointensivas, como a Durametal e a Gerdau, que utilizam energia em larga escala, têm enfrentado aumentos significativos em seus custos produtivos. As empresas que transformam aços são as que mais dependem da energia”. O Simec organizou um grupo de empresas eletrointensivas para conversar com a Companhia Energética do Ceará (Coelce) sobre o problema tarifário.

Quanto ao preço do aço, permanecem as negociações com as siderúrgicas, no âmbito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Alexandre Valença lembrou que a taxa de câmbio já recuou, mas os fornecedores continuam com preços elevados, notadamente para os aços especiais (como as chapas galvanizadas). O presidente do Simec, por sua vez, citou o preço de um produto largamente utilizado por fabricantes de fogões — um aço plano — cuja tonelada dobrou de valor em um ano, passando de R$ 1.400,00 para R$ 2.800,00.

A Coalizão Empresarial foi criada no final do ano passado, quando ocorreu um desabastecimento de aço no mercado doméstico. O objetivo do grupo é discutir temas de interesse comum dos associados e unificar reivindicações do setor, para levá-las ao Governo Federal. “Estamos trabalhando em propostas alternativas sobre a reforma tributária, por exemplo, tendo em vista a carga média de tributos incidente sobre o setor ser uma das mais elevadas, em torno de 35%, atualmente”, acrescentou Soares.

 
Fonte: Diário do Nordeste 10.05.03

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