A interlocução da Fiec com a C&T tende a crescer com a consolidação das ações desenvolvidas nos institutos de P&D criados por empresários, que recebem apoio do Programa Estruturante do Conhecimento
Hélio Barros
A agenda que sinaliza um aprofundamento na interlocução do setor industrial com a ciência e tecnologia vem sendo posta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que realizou, em 2005, o 1º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, e lançou, este ano, o programa Inova Engenharia. A palavra de ordem passa a ser a inovação para a competitividade.
Como ampliar a quantidade, qualidade e o perfil dos engenheiros diante dos desafios da economia global? Como incorporar a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) no dia-a-dia das empresas para a geração de novos produtos e processos inovadores e competitivos? Como transformar o conhecimento científico gerado no ambiente acadêmico em patentes e riqueza? Estes são alguns dos desafios desta nova agenda.
Neste cenário, tem se colocado a Fiec como fórum sensível à disseminação destas idéias, com avanços na disposição para discutir e agir. A Fiec tem sido o ambiente para consubstanciar as parcerias da recente política de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ceará. A aplicação do conhecimento para geração de riqueza e aumento do PIB já é um consenso adotado como conceito. Para alguns, mais do que isso, é estratégia de investimento. Um exemplo é o Programa Empresa Competitiva, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, apoiado pela Finep, em que os empresários investiram R$ 3,6 milhões em P&D.
Minha expectativa é de que a nova gestão da Fiec dê continuidade ao trabalho que recebeu ênfase na administração Jorge Parente. A interlocução da Fiec com a C&T tende a crescer com a consolidação das ações desenvolvidas nos institutos de P&D criados por empresários, que recebem apoio do Programa Estruturante do Conhecimento, instituído por decreto do Governador Lúcio Alcântara. Constituem modelos desta nova ação o Instituto Atlântico, o Centro de Energias Alternativas do Nordeste (Cenea), o Pólo de Desenvolvimento da Indústria da Informação do Estado do Ceará (Titan Park) e o Instituto de Pesquisa em Automação, Eletrônica, Hardware e Software do Nordeste (Insoft, em parceria com o CenPRA e Instituto Titan).
Outra expectativa importante e muito esperada para a ampliação da capacidade tecnológica do Estado decorrerá dos entendimentos em curso com a Petrobras e a Coelce, atores decisivos para a P&D cearense. A Fiec terá lugar na gestão do Instituto Central de P&D, conjunto de laboratórios com equipamentos multiusuário para pesquisa de aplicação empresarial, compartilhada com as universidades e Funcap. No ambiente da Fiec avançam os entendimentos para aperfeiçoar as tecnologias industriais básicas (TIB). O Nutec, agora agência executiva, associa-se ao Tecpar paranaense e ao Inmetro para servir à certificação e à metrologia das empresas cearenses. Todas estas ações se fortalecem com a sinergia da Fiec em união de forças com a academia e o
governo.
HÉLIO BARROS é Secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior
Fonte: O Povo